Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 6: CAPÍTULO VI – AGONIAS

Página 32
CAPÍTULO VI – AGONIAS

- A tua mãe onde está? - perguntou o abade a Ricardina.

- Penso que está na sala de costura.

- Que venha à minha saleta.

Clementina, ao perpassar pela filha, segredou-lhe:

- Não to disse eu? Falta um dia.

- Anime-se, minha mãe... Diga-lhe que vou satisfeita para qualquer convento.

Padre Leonardo passeava ofegante ao comprido e através da espaçosa quadra.

- Queres saber uma grande maroteira? - bradou ele, assim que a senhora pisou o limiar da porta.

- Que é?

- Estava eu na sacristia, quando Bernardo Moniz entrou na igreja e foi direito a mim. Perguntei-lhe o que queria. Respondeu que o escutasse com sossego e bondade.

- Fale lá, que eu estou sossegado! - disse-lhe eu. Pespega-me ele então um grande aranzel, com as bagadas a cair-lhe pela cara, e acabou por me pedir Ricardina.

- E quem lhe deu ao Sr. Bernardo a ousadia de requestar a filha de Leonardo Botelho de Queirós? - perguntei eu, que já o não via.

- O coração - respondeu ele.

- Qual coração nem qual diabo?! Não sei o que é o coração! O que eu sei é que o senhor atreveu-se a pôr os olhos numa senhora que não pode ser nora do seu pai, percebeu o senhor? E que há de ele dizer? Empina-se com ares de soberba ofendida, e diz de papo empavesado:

- O meu pai é um homem de bem, e eu sou filho de Maria Clara, esposa virtuosa do meu honrado pai.

- Sabes que me deram flatos de o esganar mesmo ali, e desfazer-lhe a cabeça na esquina da porta? Aposto que não entendeste a ofensa que ele te atirou à cara? Queria dizer que a mãe dele era mais honrada do que tu.

- Se ele queria dizer isso... - observou D. Clementina Pimentel - , tem razão...

- Tem razão?!

- Sim... pois que sou eu, Leonardo? Que nome me dá o

<< Página Anterior

pág. 32 (Capítulo 6)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro O Retrato de Ricardina
Páginas: 178
Página atual: 32

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
CAPÍTULO I - O ABADE DE ESPINHO 1
CAPÍTULO II - UM AMIGO! 9
CAPÍTULO III – REAÇÕES 12
CAPÍTULO IV - BERNARDO MONIZ 19
CAPÍTULO V - MÃE E FILHA 25
CAPÍTULO VI – AGONIAS 32
CAPÍTULO VII - O QUE ELA PEDIA A JESUS 39
CAPÍTULO VIII - O BEM-FAZER DA MORTE 45
CAPÍTULO IX - ATÉ QUE ENFIM! 52
CAPÍTULO X - A SORTE 59
CAPÍTULO XI - MEMÓRIAS DOLOROSAS 66
CAPÍTULO XII – ESPERANÇAS 75
CAPÍTULO XIII - NORBERTO CALVO 80
CAPÍTULO XIV - PLANOS DO ABADE 88
CAPÍTULO XV - COMO O SENTIMENTO DA GRATIDÃO FEZ UM TIGRE 94
CAPÍTULO XVI - E O SOL NASCIA FORMOSO! 104
CAPÍTULO XVII - ENTRE A DEMÊNCIA E A MORTE 112
CAPÍTULO XVIII - O QUE FEZ A IGNORÂNCIA DO ESTILO FIGURADO 118
CAPÍTULO XIX - TÁBUA DE SALVAÇÃO 122
CAPÍTULO XX - OBRAS DO TEMPO 125
CAPÍTULO XXI - VANTAGENS DE CINCO PRÉMIOS 132
CAPÍTULO XXII - OS “DEZ-RÉIS” DA VISCONDESSA 136
CAPÍTULO XXIII - A RODA DA FORTUNA 141
CAPÍTULO XXIV - A NETA DO ABADE DE ESPINHO 147
CAPÍTULO XXV - O CORAÇÃO NÃO SE REGULA PELAS LEIS VISIGÓTICAS 156
CAPÍTULO XXVI - O REPATRIADO 161
CAPÍTULO XXVII - O RETRATO DE RICARDINA 166
CAPÍTULO XXVIII - ENFIM... 171
CAPÍTULO XXVIII – CONCLUSÃO 177
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site