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Capítulo 9: CAPÍTULO IX - ATÉ QUE ENFIM!

Página 52
CAPÍTULO IX - ATÉ QUE ENFIM!

Bernardo Moniz estava em Coimbra desde a abertura das aulas. A vontade suplicante de Ricardina demudara-o do intento de enclaustrar-se. As palavras “não sei o que me diz o coração...”, da última carta dela, rasgaram-lhe horizontes donde bafejavam auras de esperança.

Dizemos a “última carta” das que o leitor conhece. Há outras, porém, escritas no Convento das Chagas, e enviadas por mediação de certa freira, irmã de um condiscípulo de Bernardo. A correspondência ligou-se regular e de todo insuspeita. Os espias do padre não descortinaram o segredo nem se empenhavam zelosamente nisso; antes se espantavam de que o soberbo e contraditório pai da menina lhe impedisse o casamento com um dos mais ricos jovens da Beira.

Na linguagem de Ricardina transluzia sempre aquele moderado entusiasmo que não inculca paixão superior à temperatura da íntima estima. A de Bernardo Moniz, com breves intercadências de resignação, era, pelo ordinário, arrebatada. Insistia ele agora em tolher-lhe os votos, facilitando-lhe planos de fuga, mas ela, perdoando às instâncias do amor desvairado, tinha-lhe enfim rebatido a pertinácia, escrevendo que lhe seria menos doloroso fugir de casa que do mosteiro, onde sua mãe se encerrara. Conformou-se o académico durante alguns dias; mas vencida a prudência pela saudade, renasciam os queixumes e propósitos de se recolher ao Buçaco.

A notícia da perigosa enfermidade de D. Clementina, atuando sobre aquela espécie de lacerante egoísmo de Bernardo Moniz, desentranhou-o de si para o converter todo a compadecer-se de tão afligida menina. Consolativas foram então as suas cartas. As expressões eram fagueiras como as do irmão já adulto que distrai e acaricia a irmãzinha chorosa à beira do esquife da sua mãe.

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Capa do livro O Retrato de Ricardina
Páginas: 178
Página atual: 52

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
CAPÍTULO I - O ABADE DE ESPINHO 1
CAPÍTULO II - UM AMIGO! 9
CAPÍTULO III – REAÇÕES 12
CAPÍTULO IV - BERNARDO MONIZ 19
CAPÍTULO V - MÃE E FILHA 25
CAPÍTULO VI – AGONIAS 32
CAPÍTULO VII - O QUE ELA PEDIA A JESUS 39
CAPÍTULO VIII - O BEM-FAZER DA MORTE 45
CAPÍTULO IX - ATÉ QUE ENFIM! 52
CAPÍTULO X - A SORTE 59
CAPÍTULO XI - MEMÓRIAS DOLOROSAS 66
CAPÍTULO XII – ESPERANÇAS 75
CAPÍTULO XIII - NORBERTO CALVO 80
CAPÍTULO XIV - PLANOS DO ABADE 88
CAPÍTULO XV - COMO O SENTIMENTO DA GRATIDÃO FEZ UM TIGRE 94
CAPÍTULO XVI - E O SOL NASCIA FORMOSO! 104
CAPÍTULO XVII - ENTRE A DEMÊNCIA E A MORTE 112
CAPÍTULO XVIII - O QUE FEZ A IGNORÂNCIA DO ESTILO FIGURADO 118
CAPÍTULO XIX - TÁBUA DE SALVAÇÃO 122
CAPÍTULO XX - OBRAS DO TEMPO 125
CAPÍTULO XXI - VANTAGENS DE CINCO PRÉMIOS 132
CAPÍTULO XXII - OS “DEZ-RÉIS” DA VISCONDESSA 136
CAPÍTULO XXIII - A RODA DA FORTUNA 141
CAPÍTULO XXIV - A NETA DO ABADE DE ESPINHO 147
CAPÍTULO XXV - O CORAÇÃO NÃO SE REGULA PELAS LEIS VISIGÓTICAS 156
CAPÍTULO XXVI - O REPATRIADO 161
CAPÍTULO XXVII - O RETRATO DE RICARDINA 166
CAPÍTULO XXVIII - ENFIM... 171
CAPÍTULO XXVIII – CONCLUSÃO 177
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