Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 7: CAPÍTULO VII - O QUE ELA PEDIA A JESUS

Página 39
CAPÍTULO VII - O QUE ELA PEDIA A JESUS

Consentiu o abade que a sua filha se despedisse dele. Eugénia deplorou medianamente a partida da irmã. Quem chorou ansiadíssima foi Clementina, abraçada à filha que ficava. Tais choros pareciam desarrazoados ao entendimento do padre Leonardo, e à própria filha.

Fez-se na casa um silêncio triste. Ouvia-se, porém um alto soluçar na adega, onde se escondera quem quer que fosse. Era Norberto, atabafando o rosto nas rimas das cepas. com receio de ser ouvido.

Não chorava já ninguém mais. Dizia o abade a Eugénia:

- Tu é que és a minha filha. Hás de ser muito rica. Mereces-mo. Tudo o que eu tenha há de ser teu.

- Isso não - contrariou a menina, dorida de saudades. - Ricardina é minha irmã. O pai não lhe queira mal.

- Achas bonito que ela quisesse casar com Bernardo?

- Coitadinha! apaixonou-se por ele... A gente...

- Qual apaixonou-se! A tua irmã é mulher sem sentimentos nobres... e a tua mãe...

Calou-se de si mesmo envergonhado. Ia dizer que a mãe não era mais pundonorosa do que a filha. O receio de injuriar indiretamente Eugénia amordaçou-lhe o insulto. Para divertir o ânimo irritado, perguntou à filha se estava pronta a cumprir a sua promessa de casar com o primo.

- Quando o pai quiser.

- As dispensas estão lavradas. Pode marcar-se o dia. Há de ser logo que a tua mãe chegar.

E convieram em esperar a mãe; não porque o abade julgasse precisa e decorosa à cerimónia a presença maternal de D. Clementina: era o anseio orgulhoso de ver entrar com a filha em casa dos seus pais.

No dia em que se esperavam a senhora e os criados por noite alta, chegaram eles.

- A fidalga? - perguntou o abade.

- Ficou lá.

- Aonde?

- No convento com a menina. Aqui está uma carta do primo da vossa senhoria, onde as senhoras passaram a noite.

<< Página Anterior

pág. 39 (Capítulo 7)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro O Retrato de Ricardina
Páginas: 178
Página atual: 39

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
CAPÍTULO I - O ABADE DE ESPINHO 1
CAPÍTULO II - UM AMIGO! 9
CAPÍTULO III – REAÇÕES 12
CAPÍTULO IV - BERNARDO MONIZ 19
CAPÍTULO V - MÃE E FILHA 25
CAPÍTULO VI – AGONIAS 32
CAPÍTULO VII - O QUE ELA PEDIA A JESUS 39
CAPÍTULO VIII - O BEM-FAZER DA MORTE 45
CAPÍTULO IX - ATÉ QUE ENFIM! 52
CAPÍTULO X - A SORTE 59
CAPÍTULO XI - MEMÓRIAS DOLOROSAS 66
CAPÍTULO XII – ESPERANÇAS 75
CAPÍTULO XIII - NORBERTO CALVO 80
CAPÍTULO XIV - PLANOS DO ABADE 88
CAPÍTULO XV - COMO O SENTIMENTO DA GRATIDÃO FEZ UM TIGRE 94
CAPÍTULO XVI - E O SOL NASCIA FORMOSO! 104
CAPÍTULO XVII - ENTRE A DEMÊNCIA E A MORTE 112
CAPÍTULO XVIII - O QUE FEZ A IGNORÂNCIA DO ESTILO FIGURADO 118
CAPÍTULO XIX - TÁBUA DE SALVAÇÃO 122
CAPÍTULO XX - OBRAS DO TEMPO 125
CAPÍTULO XXI - VANTAGENS DE CINCO PRÉMIOS 132
CAPÍTULO XXII - OS “DEZ-RÉIS” DA VISCONDESSA 136
CAPÍTULO XXIII - A RODA DA FORTUNA 141
CAPÍTULO XXIV - A NETA DO ABADE DE ESPINHO 147
CAPÍTULO XXV - O CORAÇÃO NÃO SE REGULA PELAS LEIS VISIGÓTICAS 156
CAPÍTULO XXVI - O REPATRIADO 161
CAPÍTULO XXVII - O RETRATO DE RICARDINA 166
CAPÍTULO XXVIII - ENFIM... 171
CAPÍTULO XXVIII – CONCLUSÃO 177
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site