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Capítulo 19: CAPÍTULO XIX - TÁBUA DE SALVAÇÃO

Página 122
CAPÍTULO XIX - TÁBUA DE SALVAÇÃO

O procurador dos Pimenteis, em Lisboa, recebeu a nova da remessa de uma menina, e o pedido de hospedá-la na sua casa enquanto o seu capelão lhe preparava mosteiro ou recolhimento. Ricardina chegou depois da notícia. Receberam-na as senhoras da casa afavelmente, conduziram-na ao seu quarto, e, por delicadeza, deixaram-na sozinha assim que a viram em dolorosa luta consigo mesma para reter e ocultar as lágrimas.

O capelão confiou ao hóspede a tragédia da filha do abade; porém, rápido na história e austero nas observações que lhe embrechava, pusera o objectivo em desviar de Ricardina a piedade das senhoras, porque não sucedesse a comiseração estorvar a entrada no recolhimento. Não obstante o extremado infortúnio dela, sem amiserar-se com implorativos queixumes, careou a indulgência, e mais que tudo a calorosa simpatia de uma brasileira, que viuvara em Lisboa, e frequentava a casa do solicitador, seu agente na liquidação dos bens. Era D. Ifigénia senhora já de 50 anos, triste, e sempre remordida mais de remorsos que de saudades de uma filha única, morta de desgosto em seguimento de um noivado a que fora compelida pelo pai. A pungente dor da mãe era não ter querido proteger a filha, quando ela suplicava o seu auxílio. De aqui porventura, procedeu o inclinar-se benigna às desgraças de Ricardina, e o desculpá-la quando a rígida esposa do procurador, diante das suas filhas, e a ocultas da hóspede, encarecia a criminalidade e as funestas saídas da desobediência aos pais.

Insinuou-se a viúva no ânimo de Ricardina, tão carecida de coração caridoso que, sobre perdoar-lhe, chorasse com ela. Passavam horas uma com outra, e disso comprazia-se grandemente a dona da casa. Era a melhor maneira de trazer as filhas donzelas arredadas da hóspede suspeita de peste contagiosa.

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pág. 122 (Capítulo 19)

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Capa do livro O Retrato de Ricardina
Páginas: 178
Página atual: 122

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
CAPÍTULO I - O ABADE DE ESPINHO 1
CAPÍTULO II - UM AMIGO! 9
CAPÍTULO III – REAÇÕES 12
CAPÍTULO IV - BERNARDO MONIZ 19
CAPÍTULO V - MÃE E FILHA 25
CAPÍTULO VI – AGONIAS 32
CAPÍTULO VII - O QUE ELA PEDIA A JESUS 39
CAPÍTULO VIII - O BEM-FAZER DA MORTE 45
CAPÍTULO IX - ATÉ QUE ENFIM! 52
CAPÍTULO X - A SORTE 59
CAPÍTULO XI - MEMÓRIAS DOLOROSAS 66
CAPÍTULO XII – ESPERANÇAS 75
CAPÍTULO XIII - NORBERTO CALVO 80
CAPÍTULO XIV - PLANOS DO ABADE 88
CAPÍTULO XV - COMO O SENTIMENTO DA GRATIDÃO FEZ UM TIGRE 94
CAPÍTULO XVI - E O SOL NASCIA FORMOSO! 104
CAPÍTULO XVII - ENTRE A DEMÊNCIA E A MORTE 112
CAPÍTULO XVIII - O QUE FEZ A IGNORÂNCIA DO ESTILO FIGURADO 118
CAPÍTULO XIX - TÁBUA DE SALVAÇÃO 122
CAPÍTULO XX - OBRAS DO TEMPO 125
CAPÍTULO XXI - VANTAGENS DE CINCO PRÉMIOS 132
CAPÍTULO XXII - OS “DEZ-RÉIS” DA VISCONDESSA 136
CAPÍTULO XXIII - A RODA DA FORTUNA 141
CAPÍTULO XXIV - A NETA DO ABADE DE ESPINHO 147
CAPÍTULO XXV - O CORAÇÃO NÃO SE REGULA PELAS LEIS VISIGÓTICAS 156
CAPÍTULO XXVI - O REPATRIADO 161
CAPÍTULO XXVII - O RETRATO DE RICARDINA 166
CAPÍTULO XXVIII - ENFIM... 171
CAPÍTULO XXVIII – CONCLUSÃO 177
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