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Capítulo 29: CAPÍTULO XXVIII – CONCLUSÃO

Página 177
CAPÍTULO XXVIII – CONCLUSÃO

O padre que, no primeiro dia santificado, foi sacrificar no oratório doméstico de Alexandre Pimentel Moniz ia provido das necessárias licenças para receber os contraentes Bernardo Moniz e Ricardina Pimentel.

Os bacharéis formados, coevos de Bernardo, quando ouviram proferir o nome de um seu contemporâneo criminoso e já morto, apenas notaram a coincidência dos nomes. Quando o viram na carruagem do filho, nem leves traços lhe distinguiram do antigo académico. Bernardo tinha 47 anos, encanecidos como os 60 dos homens felizes.

Em 1867, quinze anos volvidos sobre o último acto desta narrativa, no grupo daquela família mais que muito remunerada dos esquecidos martírios, faltava o heroico, o respeitável, o chorado Norberto Calvo. Morrera com 82 anos, e foi sepultado com a banda de alferes e medalha de cavaleiro da Torre e Espada, prémios de serviço em África, os quais galardões custaram a Alexandre Moniz seis centos mil réis, com o que o ministro remunerador se galardoou, incitando destarte os brios dos soldados mantenedores da honra nacional nos presídios africanos.

À volta do cadáver do ancião não choravam somente as duas senhoras e os seus maridos. Viam-se três criancinhas, filhos de Alexandre, que agitavam na cama o seu velho morto, e chamando por ele, diziam:

- Norberto! Acorda! Anda brincar connosco!

Já daquele modo, a avó dos meninos, quando criança, o ia acordar debaixo das árvores, à hora da sesta, para lhe mostrar os ninhos das aves entre os salgueiros do rio. E, com estas recordações, ali à beira de Norberto morto, as lágrimas eram tantas que Bernardo Moniz perguntava à esposa:

- Quando deixaremos de chorar, Ricardina?

- Só não choram os que morrem... - respondeu ela.

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pág. 177 (Capítulo 29)

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Capa do livro O Retrato de Ricardina
Páginas: 178
Página atual: 177

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
CAPÍTULO I - O ABADE DE ESPINHO 1
CAPÍTULO II - UM AMIGO! 9
CAPÍTULO III – REAÇÕES 12
CAPÍTULO IV - BERNARDO MONIZ 19
CAPÍTULO V - MÃE E FILHA 25
CAPÍTULO VI – AGONIAS 32
CAPÍTULO VII - O QUE ELA PEDIA A JESUS 39
CAPÍTULO VIII - O BEM-FAZER DA MORTE 45
CAPÍTULO IX - ATÉ QUE ENFIM! 52
CAPÍTULO X - A SORTE 59
CAPÍTULO XI - MEMÓRIAS DOLOROSAS 66
CAPÍTULO XII – ESPERANÇAS 75
CAPÍTULO XIII - NORBERTO CALVO 80
CAPÍTULO XIV - PLANOS DO ABADE 88
CAPÍTULO XV - COMO O SENTIMENTO DA GRATIDÃO FEZ UM TIGRE 94
CAPÍTULO XVI - E O SOL NASCIA FORMOSO! 104
CAPÍTULO XVII - ENTRE A DEMÊNCIA E A MORTE 112
CAPÍTULO XVIII - O QUE FEZ A IGNORÂNCIA DO ESTILO FIGURADO 118
CAPÍTULO XIX - TÁBUA DE SALVAÇÃO 122
CAPÍTULO XX - OBRAS DO TEMPO 125
CAPÍTULO XXI - VANTAGENS DE CINCO PRÉMIOS 132
CAPÍTULO XXII - OS “DEZ-RÉIS” DA VISCONDESSA 136
CAPÍTULO XXIII - A RODA DA FORTUNA 141
CAPÍTULO XXIV - A NETA DO ABADE DE ESPINHO 147
CAPÍTULO XXV - O CORAÇÃO NÃO SE REGULA PELAS LEIS VISIGÓTICAS 156
CAPÍTULO XXVI - O REPATRIADO 161
CAPÍTULO XXVII - O RETRATO DE RICARDINA 166
CAPÍTULO XXVIII - ENFIM... 171
CAPÍTULO XXVIII – CONCLUSÃO 177
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