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Capítulo 25: CAPÍTULO XXV - O CORAÇÃO NÃO SE REGULA PELAS LEIS VISIGÓTICAS

Página 156
CAPÍTULO XXV - O CORAÇÃO NÃO SE REGULA PELAS LEIS VISIGÓTICAS

Às primeiras alvoradas do seguinte dia, após quatro horas de prática entre as duas senhoras e Alexandre, o filho de Bernardo Moniz sabia o nome do seu pai, e a minudenciosa história de Ricardina, desde os 18 anos. O dissabor de ter sido inutilmente enganado pela sua mãe era grande e até certo ponto justo; não obstante, o respeito filial aconselhou-o a dar como justificados os receios de Ricardina, quanto ao opróbrio cominado pela sociedade ao filho de um suposto assassino dos dois lentes de Coimbra.

Para Alexandre, a certeza que a sua mãe lhe dera de inculpabilidade de Bernardo Moniz não era jurídica e racionalmente bem provada. A juízo dele, a culpa dos que não ensanguentaram suas mãos na carnificina era menor, sem deixar de ser grande. Dizia ele, passados dias, que a memória do seu pai estava sempre denegrida, porque não lha podia ele reivindicar. E dizia-o profundamente magoado, depois de ter ouvido as tradições, os processos ainda existentes, e os insuspeitos esclarecimentos dos contemporâneos.

Os primeiros tempos de transformação na existência das duas famílias passaram na ora doce, ora amarga intimidade de mútuas revelações. A viscondessa contava a sua tia as coisas ignoradas, quanto ao fim do seu avô, o deão, cuja morte, em Roma, Ricardina tinha lido num periódico brasileiro da sua mãe referia as angústias dos últimos tempos, a separação violenta, motivada pelas infamadas tradições da sua avó.

Então, Ricardina pintava com vivas cores, realçadas pelo choro, a morte da sua mãe no Convento das Chagas, e pedia a Deus que melhorasse a condição do inexorável mundo que não perdoava às desgraçadas, remidas pela contrição e pelas agonias resultantes dos delitos da juventude.

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pág. 156 (Capítulo 25)

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Capa do livro O Retrato de Ricardina
Páginas: 178
Página atual: 156

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
CAPÍTULO I - O ABADE DE ESPINHO 1
CAPÍTULO II - UM AMIGO! 9
CAPÍTULO III – REAÇÕES 12
CAPÍTULO IV - BERNARDO MONIZ 19
CAPÍTULO V - MÃE E FILHA 25
CAPÍTULO VI – AGONIAS 32
CAPÍTULO VII - O QUE ELA PEDIA A JESUS 39
CAPÍTULO VIII - O BEM-FAZER DA MORTE 45
CAPÍTULO IX - ATÉ QUE ENFIM! 52
CAPÍTULO X - A SORTE 59
CAPÍTULO XI - MEMÓRIAS DOLOROSAS 66
CAPÍTULO XII – ESPERANÇAS 75
CAPÍTULO XIII - NORBERTO CALVO 80
CAPÍTULO XIV - PLANOS DO ABADE 88
CAPÍTULO XV - COMO O SENTIMENTO DA GRATIDÃO FEZ UM TIGRE 94
CAPÍTULO XVI - E O SOL NASCIA FORMOSO! 104
CAPÍTULO XVII - ENTRE A DEMÊNCIA E A MORTE 112
CAPÍTULO XVIII - O QUE FEZ A IGNORÂNCIA DO ESTILO FIGURADO 118
CAPÍTULO XIX - TÁBUA DE SALVAÇÃO 122
CAPÍTULO XX - OBRAS DO TEMPO 125
CAPÍTULO XXI - VANTAGENS DE CINCO PRÉMIOS 132
CAPÍTULO XXII - OS “DEZ-RÉIS” DA VISCONDESSA 136
CAPÍTULO XXIII - A RODA DA FORTUNA 141
CAPÍTULO XXIV - A NETA DO ABADE DE ESPINHO 147
CAPÍTULO XXV - O CORAÇÃO NÃO SE REGULA PELAS LEIS VISIGÓTICAS 156
CAPÍTULO XXVI - O REPATRIADO 161
CAPÍTULO XXVII - O RETRATO DE RICARDINA 166
CAPÍTULO XXVIII - ENFIM... 171
CAPÍTULO XXVIII – CONCLUSÃO 177
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