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Capítulo 11: CAPÍTULO XI - MEMÓRIAS DOLOROSAS

Página 66
CAPÍTULO XI - MEMÓRIAS DOLOROSAS

Neste mesmo dia, foi intimado Bernardo Moniz para comparecer irremissivelmente em designada hora da noite no clube. O aprazado pediu aos irmãos que o representassem e no seu nome recebessem o plano da emboscada.

- Não sei se será a última noite que dou a Ricardina - disse Bernardo. - O homem do coração primeiro; depois o assassino; são coisas que se compadecem perfeitamente.

- Não vás à quinta - obstou o médico.

- Que não vá?!

- Que intento levas? Dizer a Ricardina que na seguinte noite vais esperar a deputação? Tens coragem de lho dizer? Tencionas convencê-la da necessidade política de tal empresa?

- Não: Deus me livre que ela me julgasse capaz de tal. Uma mulher pode lá compreender sem horror estas heroicas infâmias?!

- Bem. Mas terás a superior valentia de passar com ela as horas chegadas ao transe do assalto, sem que a tristeza te acuse? Se podes encarar serenamente Ricardina, vai. Se receias de ti, poupa-te a essa entrevista. Eu iria mais depressa trucidar o corpo catedrático e os verdeais que sujeitar-me a tal dilaceração.

- Pensas bem - condescendeu Bernardo. - Não vou. Irás tu dizer-lhe que estou ligeiramente incomodado na cama, donde não posso sair dois dias. Nem sequer posso escrever-lhe... Não posso.

Bernardo já com muito esforço vingava represar as lágrimas; todavia, dos irmãos não as escondia ele, porque o tremor da voz, a cada instante cortada e desfalecida, o denunciava. O que o médico fazia, sem auxílio do consternado teólogo, era pintar-lhe a facilidade da façanha e o segredo inviolável dos comprometidos.

De aí a pouco entraram dois dos sorteados, íntimos de Bernardo: um era Domingos Joaquim dos Reis, jovem de 20 anos, índole branda e triste; o segundo, de 22 anos, gentil rapaz, estudante distinto, e de condição faceta, chamado Carlos Lidoro de Sousa Pinto Bandeira.

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pág. 66 (Capítulo 11)

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Capa do livro O Retrato de Ricardina
Páginas: 178
Página atual: 66

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
CAPÍTULO I - O ABADE DE ESPINHO 1
CAPÍTULO II - UM AMIGO! 9
CAPÍTULO III – REAÇÕES 12
CAPÍTULO IV - BERNARDO MONIZ 19
CAPÍTULO V - MÃE E FILHA 25
CAPÍTULO VI – AGONIAS 32
CAPÍTULO VII - O QUE ELA PEDIA A JESUS 39
CAPÍTULO VIII - O BEM-FAZER DA MORTE 45
CAPÍTULO IX - ATÉ QUE ENFIM! 52
CAPÍTULO X - A SORTE 59
CAPÍTULO XI - MEMÓRIAS DOLOROSAS 66
CAPÍTULO XII – ESPERANÇAS 75
CAPÍTULO XIII - NORBERTO CALVO 80
CAPÍTULO XIV - PLANOS DO ABADE 88
CAPÍTULO XV - COMO O SENTIMENTO DA GRATIDÃO FEZ UM TIGRE 94
CAPÍTULO XVI - E O SOL NASCIA FORMOSO! 104
CAPÍTULO XVII - ENTRE A DEMÊNCIA E A MORTE 112
CAPÍTULO XVIII - O QUE FEZ A IGNORÂNCIA DO ESTILO FIGURADO 118
CAPÍTULO XIX - TÁBUA DE SALVAÇÃO 122
CAPÍTULO XX - OBRAS DO TEMPO 125
CAPÍTULO XXI - VANTAGENS DE CINCO PRÉMIOS 132
CAPÍTULO XXII - OS “DEZ-RÉIS” DA VISCONDESSA 136
CAPÍTULO XXIII - A RODA DA FORTUNA 141
CAPÍTULO XXIV - A NETA DO ABADE DE ESPINHO 147
CAPÍTULO XXV - O CORAÇÃO NÃO SE REGULA PELAS LEIS VISIGÓTICAS 156
CAPÍTULO XXVI - O REPATRIADO 161
CAPÍTULO XXVII - O RETRATO DE RICARDINA 166
CAPÍTULO XXVIII - ENFIM... 171
CAPÍTULO XXVIII – CONCLUSÃO 177
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