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Capítulo 15: CAPÍTULO XV - COMO O SENTIMENTO DA GRATIDÃO FEZ UM TIGRE

Página 94
CAPÍTULO XV - COMO O SENTIMENTO DA GRATIDÃO FEZ UM TIGRE

Uma criada dos Monizes, como desse tino do rebuliço de baús que se arrastavam, fechavam e abriam, e não recebesse aviso nem preceito de calar-se, contou ao outro dia ao seu conversado o acontecido, dando-lhe a entender que os amos ou tratavam de fugir com medo ao Sr. D. Miguel ou então iam esconder as riquezas para lhas não roubar a tropa.

Esta notícia, atravessando em segredo vários ouvidos, chegou aos do abade ao escurecer, já tão aumentada que lhe disseram estar tudo pronto em casa dos Monizes para fugir de noite. O padre Leonardo Botelho de Queirós expediu um urro, e chamou a gritos Norberto e os mais façanhosos réus que tinha refugiados em casa.

- Sois onze homens! - disse ele. - Algum de vocês será tão fraco e cobarde que não se atreva a deitar a mão aos matadores dos lentes de Coimbra que iam beijar as mãos ao Sr. D. Miguel I? Se ai está entre vós algum que tenha medo, pode retirar-se.

- Quem é que tem medo aqui? - perguntou o Torto, correndo com os olhos os dez companheiros, que pareciam indignados da suspeita aviltadora do abade.

- Aqui ninguém tem medo! - bradou o João Rolhas de Midões.

- Pode dizer Vossa Senhoria à vontade o que quer de nós, que estamos às ordens - acrescentou o Isidro Cambado, esfregando as mãos calosas, que davam o som ríspido de duas lixas friccionadas.

Conclamaram todos então com diversos brados as manifestações ruidosas da sua bravura. O abade prosseguiu:

- Saibam vocês que eu esperava amanhã por noite tropa de Viseu para prender os Monizes, que mataram os lentes; mas acabo de saber agora que eles fogem esta noite. Se lhes não acudirmos, amanhã já ninguém os pilha. São vocês capazes de os prender?

- Somos! E é já! - saíram várias vozes da turba.

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Capa do livro O Retrato de Ricardina
Páginas: 178
Página atual: 94

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
CAPÍTULO I - O ABADE DE ESPINHO 1
CAPÍTULO II - UM AMIGO! 9
CAPÍTULO III – REAÇÕES 12
CAPÍTULO IV - BERNARDO MONIZ 19
CAPÍTULO V - MÃE E FILHA 25
CAPÍTULO VI – AGONIAS 32
CAPÍTULO VII - O QUE ELA PEDIA A JESUS 39
CAPÍTULO VIII - O BEM-FAZER DA MORTE 45
CAPÍTULO IX - ATÉ QUE ENFIM! 52
CAPÍTULO X - A SORTE 59
CAPÍTULO XI - MEMÓRIAS DOLOROSAS 66
CAPÍTULO XII – ESPERANÇAS 75
CAPÍTULO XIII - NORBERTO CALVO 80
CAPÍTULO XIV - PLANOS DO ABADE 88
CAPÍTULO XV - COMO O SENTIMENTO DA GRATIDÃO FEZ UM TIGRE 94
CAPÍTULO XVI - E O SOL NASCIA FORMOSO! 104
CAPÍTULO XVII - ENTRE A DEMÊNCIA E A MORTE 112
CAPÍTULO XVIII - O QUE FEZ A IGNORÂNCIA DO ESTILO FIGURADO 118
CAPÍTULO XIX - TÁBUA DE SALVAÇÃO 122
CAPÍTULO XX - OBRAS DO TEMPO 125
CAPÍTULO XXI - VANTAGENS DE CINCO PRÉMIOS 132
CAPÍTULO XXII - OS “DEZ-RÉIS” DA VISCONDESSA 136
CAPÍTULO XXIII - A RODA DA FORTUNA 141
CAPÍTULO XXIV - A NETA DO ABADE DE ESPINHO 147
CAPÍTULO XXV - O CORAÇÃO NÃO SE REGULA PELAS LEIS VISIGÓTICAS 156
CAPÍTULO XXVI - O REPATRIADO 161
CAPÍTULO XXVII - O RETRATO DE RICARDINA 166
CAPÍTULO XXVIII - ENFIM... 171
CAPÍTULO XXVIII – CONCLUSÃO 177
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