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Capítulo 2: CAPÍTULO I
VARIAÇÃO SOB DOMESTICAÇÃO

Página 8
Não há registo de casos em que o cultivo tenha feito um ser variável deixar de o ser. As nossas plantas de cultivo mais antigas, como o trigo, ainda produzem frequentemente novas variedades: os nossos animais domesticados mais antigos são ainda capazes de aperfeiçoamento ou modificação rápidos.

Tem-se discutido qual o período da vida em que as causas da variabilidade, quaisquer que sejam, geralmente actuam; se durante o período inicial ou tardio de desenvolvimento do embrião ou no instante da concepção. As experiências de Geoffroy S. Hillaire mostram que o tratamento contrário ao natural do embrião causa monstruosidades; e não se pode separar, segundo qualquer linha divisória clara, as monstruosidades das meras variações. Mas inclino-me fortemente para a suspeita de que se pode atribuir a causa mais frequente da variabilidade ao facto de os elementos reprodutivos masculino e feminino terem sido afectados anteriormente ao acto da concepção. Diversas razões me fazem acreditar nisto; mas a principal é o efeito notável que o confinamento ou o cultivo têm nas funções do sistema reprodutivo; sendo este sistema aparentemente muitíssimo mais susceptível do que qualquer outra parte da organização à acção de qualquer mudança nas condições de vida. Nada é mais fácil do que amansar um animal e poucas coisas são mais difíceis do que fazê-lo procriar livremente em cativeiro, mesmo nos muitos casos em que o macho e a fêmea se unem. Quantos animais há que não chegam a procriar, embora vivam durante muito tempo em cativeiro não muito rigoroso na sua região de origem! Isto é geralmente atribuído à corrupção do instinto; mas quantas plantas cultivadas exibem o máximo vigor e, no entanto, raramente ou nunca produzem semente! Em alguns, poucos, casos semelhantes, descobriu-se que muitas mudanças insignificantes, tais como um pouco mais ou menos de água num período particular de crescimento, determinarão se a planta dá ou não semente.

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Capa do livro A Origem das Espécies
Páginas: 524
Página atual: 8

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
INTRODUÇÃO 1
CAPÍTULO I
VARIAÇÃO SOB DOMESTICAÇÃO
7
CAPÍTULO II
VARIAÇÃO EM ESTADO DE NATUREZA
49
CAPÍTULO III
LUTA PELA EXISTÊNCIA
67
CAPÍTULO IV
SELECÇÃO NATURAL
88
CAPÍTULO V
LEIS DA VARIAÇÃO
143
CAPÍTULO VI
DIFICULDADES ENFRENTADAS PELA TEORIA
184
CAPÍTULO VII
INSTINTO
223
CAPÍTULO VIII HIBRIDISMO 263
CAPÍTULO IX
SOBRE A INPERFEIÇÃO DO REGISTO GEOLÓGICO
302
CAPÍTULO X
SOBRE A SUCESSÃO GEOLÓGICA DOS SERES ORGÂNICOS
336
CAPÍTULO XI
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA
372
CAPÍTULO XII
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA (continuação)
411
CAPÍTULO XIII
AFINIDADES MÚTUAS DOS SERES ORGÂNICOS. MORFOLOGIA. EMBRIOLOGIA. ÓRGÂOS RUDIMENTARES.
441
CAPÍTULO XIV
RECAPITULAÇÃO E CONCLUSÃO
491
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