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Capítulo 9: Capítulo IX

Página 119
Nem se sabia o que lhes acontecia, além de alguns enforcados como criminosos de guerra: os outros desapareciam, presumivelmente em campos de trabalhos forçados. Aos rostos redondos dos mongóis se haviam sucedido faces de tipo mais europeu, sujas, barbudas e exaustas, de zigomas salientes. Seus olhos às vezes fitavam os de Winston, com estranha intensidade, e se afastavam. O comboio terminava. No último camião vinha um velho, o rosto coberto de cabelo grisalho desgrenhado, viajando de pé com os punhos juntos cruzados diante do peito, como se estivesse acostumado a algemas. Era quase chegado o momento dos dois se separarem. Mas no último instante, quando a multidão ainda os prendia, a mão da moça procurou a de Winston e apertou-a ligeiramente. O aperto de mão não durou nem dez segundos e no entanto pareceu que as mãos tinham estado juntas longo tempo. Ele teve tempo de aprender todos os detalhes daquela mão. Explorou os longos dedos afuselados, as unhas bem-feitas, a palma calejada pelo trabalho duro, a carne macia do pulso. Decorou-a pelo tato e soube que a reconheceria se a visse. No mesmo instante ocorreu-lhe que ainda não sabia a cor dos olhos da moça. Deviam ser castanhos, mas não raro gente de cabelo escuro tem olhos azuis. Voltar a cabeça e olhá-la seria uma loucura inconcebível. Com as mãos se apertando, invisíveis em meio aos corpos, os dois olhavam firmes para a frente, e ao invés dos da jovem, os olhos do velho prisioneiro fitaram melancolicamente Winston por entre as grenhas de cabelo encanecido.

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pág. 119 (Capítulo 9)

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Capa do livro 1984
Páginas: 309
Página atual: 119

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo I 1
Capítulo II 20
Capítulo III 29
Capítulo IV 38
Capítulo V 50
Capítulo VI 66
Capítulo VII 72
Capítulo VIII 85
Capítulo IX 108
Capítulo X 120
Capítulo XI 130
Capítulo XII 141
Capítulo XIII 152
Capítulo XIV 162
Capítulo XV 165
Capítulo XVI 173
Capítulo XVII 185
Capítulo XVIII 235
Capítulo XIX 249
Capítulo XX 270
Capítulo XXI 284
Capítulo XXII 293
Capítulo XXIII 298
 
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