Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 13: IV

Página 113
Homais tinha, aliás, a cabeça mais cheia de receitas do que a sua farmácia de frascos e era exímio a fazer uma quantidade de doces, vinagres e licores; conhecia também todas as invenções novas de aparelhos de aquecimento económicas, a arte de conservar os queijos e de beneficiar os vinhos deteriorados.

Às oito horas, Justin vinha-o chamar para ir fechar a farmácia. Então, Homais deitava-lhe uma olhadela de esguelha, sobretudo quando Félicité se encontrava presente, pois descobrira que o seu aluno gostava da casa do médico.

- Este espertalhão - dizia ele - parece-me que já anda com ideias, e diabos me levem se não está apaixonado pela vossa criada!

Mas um defeito mais grave de que ele o acusava era o de escutar continuamente as conversas. Ao domingo, por exemplo, era impossível arrancá-lo da sala, aonde a Sr: Homais o chamava para lhe pegar nas crianças, que adormeciam nas poltronas, repuxando com as costas as coberturas de algodão, largas de mais.

Não vinha muita gente aos serões do farmacêutico, dado que a sua maledicência e as suas opiniões políticas haviam afastado sucessivamente diversas pessoas respeitáveis. O escriturário nunca deixava de estar presente. Logo que ouvia a campainha tocar, corria ao encontro da Sr. Bovary, pegava-lhe no xaile e ia colocar debaixo da secretária da farmácia as grossas chinelas de ourelo que ela usava por cima dos sapatos quando havia neve.

Começava-se por jogar algumas partidas de trinta e um; depois o Sr. Homais jogava ao écarté com Emma; Léon, colocado por detrás dela, dava-lhe conselhos. De pé e com as mãos nas costas da cadeira onde ela estava sentada, observava os dentes da travessa que lhe prendia o carrapicho. A cada movimento que Emma fazia para jogar uma carta, o vestido subia-lhe um pouco do lado direito.

<< Página Anterior

pág. 113 (Capítulo 13)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro Madame Bovary
Páginas: 382
Página atual: 113

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
PRIMEIRA PARTE – I 1
II 12
III 22
IV 29
V 36
VI 40
VII 46
VIII 54
IX 66
SEGUNDA PARTE – I 79
II 90
III 97
IV 112
VI 126
VII 140
VIII 150
IX 175
X 186
XI 196
XII 209
XIII 224
XIV 234
XV 246
TERCEIRA PARTE – I 255
II 271
III 282
IV 285
V 289
VI 307
VII 325
VIII 339
IX 357
X 366
XI 373
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site