IV Léon começou a tomar diante dos colegas um ar de superioridade, evitando-lhes a companhia, e a negligenciar completamente os processos.
Esperava as cartas dela; relia-as. Escrevia-lhe. Evocava-a com toda a força do desejo e das recordações. Em vez de diminuir com a ausência, aquele desejo de a voltar a ver aumentava, até que, num sábado de manhã, ele se escapou do cartório.
Quando, do alto da encosta, avistou no vale o campanário da igreja com a sua bandeira de lata girando ao vento, sentiu daquele prazer misturado com vaidade triunfante e comoção egoísta que devem sentir os milionários quando voltam a visitar a sua aldeia.
Foi rondar-lhe a casa. Brilhava uma luz na cozinha. Procurou espreitar-lhe a sombra atrás das cortinas. Não viu nada.
A Tia Lefrançois, vendo-o, soltou grandes exclamações e achou-o «crescido e magro», enquanto Artémise, pelo contrário, o achou «forte e moreno».
Jantou na sala pequena, como dantes fazia, mas sozinho, sem o tesoureiro; porque Binet, cansado de esperar pela Andorinha, havia passado definitivamente a tomar a refeição uma hora mais cedo, e jantava agora às cinco em ponto, continuando entretanto a achar que o velho calhambeque quase sempre se atrasava.
Léon, afinal, decidiu-se; foi bater à porta do médico. A senhora estava no quarto, de onde só veio a descer um quarto de hora depois. O doutor pareceu encantado de o ver de novo; ele, entretanto, não arredou pé durante todo o serão, nem durante todo o dia seguinte.
Encontrou-se sozinho com ela, à noite, bastante tarde, no beco, atrás do jardim - no beco, como o outro! Trovejava e conversaram os dois debaixo dum guarda-chuva, à luz dos relâmpagos.
A separação tornava-se-lhes insuportável.
- Antes queria morrer! - dizia Emma.