A Rosa do Adro - Cap. 18: CAPÍTULO 19 Pág. 194 / 202

único desejo, porém, ainda lhe ocupava a mente: o de ir dar o último adeus à campa do marido, antes de morrer, e era tal a força de vontade que a movia, que por mais de uma vez tentou erguer-se do leito para experimentar ir até ali. Baldado intento, porém, porque, mal se erguia, o corpo caía logo inanimado e sem alento.

Eram perto das dez horas da manhã, e Rosa, recostada sobre a cadeira, com os olhos meio amortecidos, parecia completamente estranha a tudo o que se passava em derredor dela.

De repente, porém, as faces tingiram-se-lhe de uma estranha vermelhidão, a vista recuperou algum brilho, ergueu impetuosamente o corpo, e, encarando a filha da baronesa, com um sorriso de alegria, exclamou:

- Deolinda, minha avó, não sei o que neste momento se passa em mim, mas parece-me que já não estou doente... Sinto um tal vigor...

As duas mulheres, assustadas por uma tão repentina mudança, levantaram-se, e, como receando tais melhoras, tentaram sossegá-la, exclamando:

Descansa, Rosa, que tu hás de melhorar, mas precisas de sossego; qualquer excesso neste momento podia ser fatal.

- Ah! não, não; sinto-me reviver e estou certíssima de que terei forças para...

- Para quê? - atalhou a filha da baronesa, como adivinhando-lhe as intenções.

- Para ir visitar o meu Fernando, que decerto há de ter estranhado a minha ausência nestes dias.

- Enlouqueceste? - respondeu a avó de Rosa. - Pois tu querias agora levantar-te com essa febre?... Não te lembres de tal.

- Como estão enganadas comigo!... Pois julgam que eu me levantaria daqui se não me sentisse com forças bastantes para ir até ao adro?... Vamos, vamos depressa... ajudem-me a vestir... talvez seja o último adeus que eu vá dar àqueles lugares.

E, dizendo isto, Rosa levantara-se do leito e tentava descer dele.





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