Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 14: VI

Página 127
Além disso, o toque feito mais cedo avisava os garotos de que eram horas da catequese.

Alguns deles, que já haviam chegado, estavam a jogar o berlinde nas lajes do cemitério. Outros, encavalitados no muro, agitavam as pernas, ceifando com os tamancos as grandes ortigas nascidas entre a pequena vedação e as últimas sepulturas. Era o único sítio onde havia verdura; tude o resto eram pedras e o chão continuamente coberto por uma poeira fina. apesar da vassoura do sacristão.

As crianças corriam por ali em chinelos, como num chão de madeira preparado para elas, e ouvia-se-lhes o tumulto das vozes por entre as badaladas do sino. Diminuía com as oscilações da grande corda, que caindo do alto do campanário, roçava com a ponta no chão. Passavam andorinhas pipilando e cortando o ar na trajectória do seu voo, voltando rapidamente aos seus ninhos amarelos, sob as telhas do beiral. No fundo da igreja brilhava uma lamparina, ou, melhor, uma torcida de lamparina dentro de um copo suspenso. A luz que deitava parecia, de longe, uma mancha esbranquiçada a tremer sobre o azeite. Um longo raio de sol atravessava toda a nave central, tornando ainda mais sombrios os lados e os ângulos de interior.

- Onde está o padre? - perguntou a Sr. Bovary a um rapaz que se divertia a sacudir o molinete no seu encaixe demasiado largo.

- Ele já vem - respondeu o rapaz.

Com efeito, a porta do presbitério rangeu, deixando aparecer o padre Bournisien; as crianças escaparam-se, em confusão, para dentro da igreja.

- Estes gaiatos! - murmurou o eclesiástico. - São sempre os mesmos!

E acrescentou, apanhando um catecismo esfarrapado em que tropeçara:

- Não respeitam nada!

Mas logo que reconheceu a Sr. Bovary:

- Desculpe, não tinha reparado.

<< Página Anterior

pág. 127 (Capítulo 14)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro Madame Bovary
Páginas: 382
Página atual: 127

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
PRIMEIRA PARTE – I 1
II 12
III 22
IV 29
V 36
VI 40
VII 46
VIII 54
IX 66
SEGUNDA PARTE – I 79
II 90
III 97
IV 112
VI 126
VII 140
VIII 150
IX 175
X 186
XI 196
XII 209
XIII 224
XIV 234
XV 246
TERCEIRA PARTE – I 255
II 271
III 282
IV 285
V 289
VI 307
VII 325
VIII 339
IX 357
X 366
XI 373
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site