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Capítulo 25: II

Página 272
Justin de pé, mantinha a cabeça baixa enquanto o farmacêutico gritava:

- Quem te mandou ir buscá-lo ao cafarnaum?

- Então o que foi? Que há?

- O que foi? - respondeu o boticário. - Estamos a fazer compotas; elas estão a cozer, mas iam transbordar por causa da fervura demasiado forte; mando-o buscar outro tacho. Então ele, por indolência, por preguiça, vai ao meu laboratório e tira do prego onde está pendurada a chave do cafarnaum!

Era o nome que o boticário dava a um gabinete que tinha, no sótão, cheio de utensílios e mercadorias da sua profissão. Muitas vezes ali ficava sozinho longas horas, a colar rótulos, a transvasar, a atar embrulhos; e considerava-o não um simples armazém, mas um autêntico santuário, donde surgiam depois, elaboradas pelas suas mãos, todas as espécies de pílulas, pomadas, tisanas, loções e poções, que espalhariam a sua fama pelos arredores. Ninguém ali podia pôr os pés; e tinha-lhe tanto respeito que eraele próprio quem o varria. Enfim, se a farmácia, aberta a toda a gente, era o sítio onde exibia o seu orgulho, o cafarnaum era o refúgio onde, concentrando-se egoisticamente, Homais se deleitava no exercício das suas predilecções; por isso o despropósito de justin lhe parecia uma monstruosidade de irreverência, e, mais rubicundo do que as groselhas, continuava a repetir:

- Pois, do cafarnaum! A chave que tranca os ácidos e os alcalis cáusticos! Ir buscar um tacho de reserva! Um tacho com tampa! Um tacho de que talvez nunca venha a servir-me! Tudo tem a sua importância nas delicadas operações da nossa arte! Mas, que diabo!, há que fazer distinção e não utilizar para usos quase domésticos o que se destina aos farmacêuticos! É como se fôssemos trinchar uma galinha com um escalpelo, como se um magistrado.

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Capa do livro Madame Bovary
Páginas: 382
Página atual: 272

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
PRIMEIRA PARTE – I 1
II 12
III 22
IV 29
V 36
VI 40
VII 46
VIII 54
IX 66
SEGUNDA PARTE – I 79
II 90
III 97
IV 112
VI 126
VII 140
VIII 150
IX 175
X 186
XI 196
XII 209
XIII 224
XIV 234
XV 246
TERCEIRA PARTE – I 255
II 271
III 282
IV 285
V 289
VI 307
VII 325
VIII 339
IX 357
X 366
XI 373
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