Capítulo 10: CAPÍTULO 10
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.. E será ele capaz de os satisfazer?... Oh, não, decerto!... Um homem que assim procede, um homem que tão desumanamente abusa do amor e da fraqueza de uma mulher é um cobarde, é um infame, incapaz de cometer uma ação boa, de cumprir uma promessa, um dever até que lhe impõe a sua honra e a sua dignidade!... Eu já previa tudo isto, mas aquela desgraçada não me quis dar ouvidos, e afinal o resultado será a desgraça e a vergonha!... Pobre Rosa! E eu que não fui capaz de a arrancar do perigo que lhe estava iminente! Mas também de que valiam os meus conselhos e os meus rogos, se ela a nada atendia? Pois bem! Se não te pude valer neste momento, poderei ao menos vingar-te! Tenho comigo uma arma. Quando ele vier a sair da porta, matá-lo-ei... Mas não: este lugar é impróprio; a detonação do tiro pode alvoraçar a vizinhança, surpreenderem-me na fuga, prenderem-me e então estarei perdido irremediavelmente. Nada! É necessário proceder de modo mais seguro. Ignorando-se que fui eu o autor do crime, Rosa, depois da morte desse homem, poderá ainda ser minha mulher. Eu amo-a tanto, que, apesar desse desgraçado sucesso que acaba de se dar, ainda me daria por feliz em tê-la por esposa. E poderia o mundo censurar-me um tal procedimento?... Decerto que não, porque tudo ignora; é um segredo de que por agora sou o único depositário, e para além disso livrava-a da vergonha e do desprezo daqueles que a conhecem. É bem extraordinário este amor!... Está, pois, tudo decidido. Fernando deve morrer hoje mesmo! Vou esperá-lo à encruzilhada do fim da bouça... É um sítio a propósito... A noite está escura, não anda viva alma por esses caminhos e poderei sem perigo saciar a minha vingança! Ah! Sr. Fernando, vai ver como se castigam os crimes como o que acabou de praticar.
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