Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 22: XXII

Página 147
XXII

No dia seguinte Daniel voltou. A família Esquina, até sem excepção do elemento masculino, sorriu-lhe cordialmente.

O que fizera esquecer assim ao tendeiro as suas negras apreensões e abrira em sorrisos aqueles sobrecenhos da véspera?

O leitor, que toma a peito, decerto, a varonil rijeza de carácter do tesoureiro da confraria do Sacramento, não me perdoaria, se eu não explicasse o fenómeno.

Foi o caso que, na véspera, depois que Daniel se retirou, a menina Francisca, ainda pensativa e enleada, veio à janela para o ver passar e, ao perdê-lo de vista, retirou-se suspirando.

Este suspiro entrou pelos ouvidos da mãe, a qual chegava à sala naquela ocasião.

A Sr.ª Teresa teve uma ideia.

Este fenómeno dava-se, de vez em quando, na esposa do Sr. João da Esquina.

- Tem umas maneiras muito bonitas este rapaz - disse ela, fixando na filha o olhar mais investigador que tinha à sua disposição.

- Tem - respondeu esta secamente.

- Ou ele ou o João Semana, a quem ninguém pode tirar da boca uma palavra delicada. Este é coisa mais fina.

- É - replicou a outra.

- Bem mostra que tem vivido entre gente polida e educada.

- Bem - continuava a menina.

- E não lhe hão-de faltar bons casamentos a este rapaz.

- Não - dizia a filha.

- Isso há-de ser bonito agora. Todas as raparigas da terra a enfeitarem-se para lhe agradar. Há-de ter que ver.

- Há-de.

A Sr.ª Teresa principiava a impacientar-se com o laconismo da filha.

- Mas acham-se muito enganadas - continuou ela; - um rapaz assim não cai facilmente. Estas nossas raparigas são umas estúpidas. Louvado seja Deus! Não sabem dizer duas palavras. E desembaraço é o que se quer.

- É… - E porque não o hás-de tu ter, menina? - acrescentou ela, em tom mais baixo e insinuante.

<< Página Anterior

pág. 147 (Capítulo 22)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro As Pupilas do Senhor Reitor
Páginas: 332
Página atual: 147

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 6
III 12
IV 16
V 25
VI 31
VII 35
VIII 43
IX 52
X 59
XI 65
XII 74
XIII 81
XIV 88
XV 95
XVI 102
XVII 109
XVIII 119
XIX 127
XX 134
XXI 139
XXII 147
XXIII 153
XXIV 161
XXV 170
XXVI 179
XXVII 187
XXVIII 192
XXIX 198
XXX 212
XXXI 219
XXXII 225
XXXIII 232
XXXIV 240
XXXV 247
XXXVI 256
XXXVII 261
XXXVIII 271
XXXIX 280
XL 296
XLI 306
XLII 316
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site