Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 11: XI

Página 65
XI

Procedia-se com toda a actividade nos preparativos do casamento contratado.

José das Dornas não cabia em si de contente. A formatura de um dos seus filhos, e a perspectiva do vantajoso casamento do outro eram para isso motivos de sobejo.

Acrescentem agora que o ano tinha sido fértil, que o enxoframento das suas vinhas prometia excelentes resultados, e poderão julgar se tinha ou não razão o robusto lavrador para andar satisfeito e para cantar, a miúdo, a sua cantiga favorita:

Papagaio, pena verde, Não venhas ao meu jardim; Todas as penas acabam Só as minhas não têm fim.

Depois de haver superintendido em todos os aprestos que se faziam na casa, para receber o novo adepto da ciência hipocrática, José das Dornas, cedendo àquela irresistível necessidade, tão geral em todos nós, de transmitir aos outros parte das nossas alegrias, comunicando-lhes a narração delas, saiu e transportou-se à loja do Sr. João da Esquina, ponto de reunião da mais escolhida sociedade da terra.

- Ora viva o Sr. José das Dornas! passasse muito bem, é o que eu estimo - disse o merceeiro do fundo da loja, onde, em pé sobre um banco de pau, se ocupava a despendurar velas de sebo, para satisfazer a requisição de um freguês.

- Deus seja aqui - respondeu José das Dornas sentando-se familiarmente em um dos bancos, que havia por fora do mostrador.

- Muito calor, Sr. José - observou o merceeiro, adiantando-se.

- De morrer - acrescentou o lavrador, tirando o chapéu e passando o lenço pela cabeça escalvada.

- Então que se diz de novo? - perguntou o outro, pagando-se da importância do género que acabava de aviar.

- Que se há-de dizer? Que se vive, como Deus quer, e cada um pode. Os velhos, como eu, com os seus achaques. - Tal foi a resposta de José das Dornas, morto já por encontrar uma transição natural para falar do filho, sem quebra da modéstia paterna.

<< Página Anterior

pág. 65 (Capítulo 11)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro As Pupilas do Senhor Reitor
Páginas: 332
Página atual: 65

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 6
III 12
IV 16
V 25
VI 31
VII 35
VIII 43
IX 52
X 59
XI 65
XII 74
XIII 81
XIV 88
XV 95
XVI 102
XVII 109
XVIII 119
XIX 127
XX 134
XXI 139
XXII 147
XXIII 153
XXIV 161
XXV 170
XXVI 179
XXVII 187
XXVIII 192
XXIX 198
XXX 212
XXXI 219
XXXII 225
XXXIII 232
XXXIV 240
XXXV 247
XXXVI 256
XXXVII 261
XXXVIII 271
XXXIX 280
XL 296
XLI 306
XLII 316
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site