As Pupilas do Senhor Reitor - Cap. 22: XXII Pág. 149 / 332

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- Não sejas tolo, homem! Abre os olhos e vê - exclamou a Sr.ª Teresa, com ar de mistério.

- O quê? - perguntou João da Esquina, não podendo deixar de abrir instintivamente os olhos.

- Que idade tem o Daniel?

- Eu sei lá?

- Vinte e tantos anos, vá. E que idade tem a Chica?

- Ela nasceu logo depois do cerco...

- Faz vinte e um anos para Setembro.

- E daí?

- E daí? E quanto virá a herdar o Daniel por morte do Pai?

- Eu te digo... para cima de trinta mil cruzados, não falando em...

- E ainda perguntas: «E daí?» João da Esquina olhou para a mulher significativamente, e não deu palavra. Tinham-se compreendido os dois.

Passados momentos, murmurou o homem:

- Olha que não era mau, se...

- Vê lá então agora...

- O pior é...

- Pois sim, eu não digo que...

- Mas eles já...? sim...?

- Não, porém...

- Então quem sabe se...

- Isto é... até certo ponto...

- É verdade que também...

- Sim, pois está claro, e...

- E mau era que já...

- Com certeza... demais...

- Agora o que é preciso, é...

- Isso com o tempo... bem vês que...

Não sei se o leitor penetrou bem o sentido deste diálogo, cortado de expressivas reticências e ao qual falta, para o interpretar, a eloquência do olhar e de gestos, que os dois cônjuges trocavam entre si. É certo que eles se compreenderam assim, e largas horas ficaram discutindo os teres e haveres de Daniel, e as probabilidades e vantagens de uma união entre a casa dos Esquinas e a dos Dornas, as quais, com os anos, podiam fornecer sofríveis elementos para a confecção de um brasão heráldico.

A Sr.ª Teresa foi encarregada por o marido de excitar na menina o ardor pela conquista e industriada em dirigir o negócio de maneira a «prender o melro por a asa» - foi a frase imaginosa, da qual João da Esquina se serviu.





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