Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 49: Haydée

Página 484
Capítulo XLIX – Haydée

O leitor ainda se recorda, decerto, quem eram os novos, ou antes, os antigos conhecidos do conde de Monte-Cristo que moravam na Rua Meslay: eram Maximilien, Julie e Emmanuel.

A esperança da agradável visita que ia fazer, dos curtos momentos felizes que ia passar, daquela luz do paraíso que ia penetrar no inferno onde voluntariamente se encerrara, espalhara, a partir do momento em que perdera de vista Villefort, a mais singular serenidade pelo rosto do conde, e Ali, que acorrera ao toque da campainha, ao ver aquele rosto irradiar uma alegria tão rara, retirara-se em bicos de pés e contendo a respiração, como se não quisesse afugentar os bons pensamentos que julgava ver adejar à volta do amo. Era meio-dia O conde reservara uma hora para subir aos aposentos de Haydée. Dir-se-ia que a alegria não podia reentrar de súbito naquela alma durante tanto tempo amargurada e que este necessitava de se preparar para as emoções ternas, como as outras almas necessitam de se preparar para as emoções violentas.

A jovem grega ocupava, como já dissemos, aposentos inteiramente separados dos aposentos do conde e todos eles mobilados em estilo oriental, isto é, com o chão coberto de espessos tapetes turcos, tecidos de brocado caindo ao longo das paredes e em cada divisão um amplo divã disposto a toda a volta, com montes de almofadas, que se colocavam à vontade daqueles que as usavam.

Haydée tinha três criadas francesas e uma grega. As três criadas francesas mantinham-se na primeira sala, prontas a acorrer ao toque de uma campainhazinha de ouro e a obedecer às ordens da escrava romaica, a qual sabia suficientemente francês para transmitir os desejos da ama às suas três camaristas, às quais Monte-Cristo recomendara que tivessem com Haydée as deferências que se têm com uma rainha.

A jovem encontrava-se na sala mais recolhida dos seus aposentos, isto é, numa espécie de boudoir redondo, iluminado apenas por cima, e no qual a luz só penetrava através de vidros cor-de-rosa. Estava deitada no chão, em almofadas de cetim azul lavrado a prata, semi-inclinada para trás sobre o divã e com o braço direito suavemente torneado a emoldurar-lhe a cabeça, enquanto com o esquerdo segurava nos lábios o tubo de coral em que encaixava o tubo flexível de um narguilé, que só deixava chegar-lhe à boca o fumo perfumado pela água de benjoim, através da qual a sua suave respiração o obrigava a passar.

A sua atitude, naturalíssima numa mulher do Oriente, seria numa francesa de uma garridice talvez um pouco afectada.

<< Página Anterior

pág. 484 (Capítulo 49)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro O Conde de Monte Cristo
Páginas: 1080
Página atual: 484

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Marselha - A Chegada 1
O pai e o filho 8
Os Catalães 14
A Conspiração 23
O banquete de noivado 28
O substituto do Procurador Régio 38
O interrogatório 47
O Castelo de If 57
A festa de noivado 66
Os Cem Dias 89
O número 34 e o número 27 106
Um sábio italiano 120
A cela do abade 128
O Tesouro 143
O terceiro ataque 153
O cemitério do Castelo de If 162
A Ilha de Tiboulen 167
Os contrabandistas 178
A ilha de Monte-Cristo 185
Deslumbramento 192
O desconhecido 200
A Estalagem da Ponte do Gard 206
O relato 217
Os registos das prisões 228
Acasa Morrel 233
O 5 de Stembro 244
Itália - Simbad, o marinheiro 257
Despertar 278
Bandidos Romanos 283
Aparição 309
A Mazzolata 327
O Carnaval de Roma 340
As Catacumbas de São Sebastião 356
O encontro 369
Os convivas 375
O almoço 392
A apresentação 403
O Sr. Bertuccio 415
A Casa de Auteuil 419
A vendetta 425
A chuva de sangue 444
O crédito ilimitado 454
A parelha pigarça 464
Ideologia 474
Haydée 484
A família Morrel 488
Píramo e Tisbe 496
Toxicologia 505
Roberto, o diabo 519
A alta e a baixa 531
O major Cavalcanti 540
Andrea Cavalcanti 548
O campo de Luzerna 557
O Sr. Noirtier de Villefort 566
O testamento 573
O telégrafo 580
Meios de livrar um jardineiro dos ratos-dos-pomares que lhe comem os pêssegos 588
Os fantasmas 596
O jantar 604
O mendigo 613
Cena conjugal 620
Projetos de casamento 629
No gabinete do Procurador Régio 637
Um baile de Verão 647
As informações 653
O baile 661
O pão e o sal 668
A Sra. de Saint-Méran 672
A promessa 682
O jazigo da família Villefort 705
A ata da sessão 713
Os progressos de Cavalcanti filho 723
Haydée 732
Escrevem-nos de Janina 748
A limonada 762
A acusação 771
O quarto do padeiro reformado 776
O assalto 790
A mão de Deus 801
Beauchamp 806
A viagem 812
O julgamento 822
A provocação 834
O insulto 840
A Noite 848
O duelo 855
A mãe e o filho 865
O suicídio 871
Valentine 879
A confissão 885
O pai e a filha 895
O contrato 903
A estrada da Bélgica 912
A estalagem do sino e da garrafa 917
A lei 928
A aparição 937
Locusta 943
Valentine 948
Maximilien 953
A assinatura de Danglars 961
O Cemitério do Père-lachaise 970
A partilha 981
O covil dos leões 994
O juiz 1001
No tribunal 1009
O libelo acusatório 1014
Expiação 1021
A partida 1028
O passado 1039
Peppino 1049
A ementa de Luigi Vampa 1058
O Perdão 1064
O 5 de Outubro 1069
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site