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Capítulo 90: O duelo

Página 855
Capítulo XC - O duelo

Depois da partida de Mercédès, tudo voltou a cair na sombra em casa de Monte-Cristo. À volta dele e dentro dele, o seu pensamento deteve-se: o seu espírito enérgico adormeceu, como acontece com o corpo depois de uma grande fadiga.

- Pronto - dizia para consigo enquanto o candeeiro e as velas se consumiam tristemente e os criados esperavam com impaciência na antecâmara. - Pronto, aí está o edifício tão lentamente preparado e erguido com tantas dificuldades e preocupações deitado abaixo de um só golpe, com uma só palavra, com um só sopro! E esse eu que julgava valer alguma coisa, esse eu de que estava tão orgulhoso, esse eu que vira tão pequeno nas celas do Castelo de If e soubera tornar tão grande, será amanhã um pouco de pó! Não é a morte do corpo que lamento: essa destraição do princípio vital não é o repouso para que tudo tende, a que todo o desventurado aspira, essa calma da matéria pela qual ansiei tanto tempo e ao encontro da qual ia pelo caminho doloroso da fome quando Faria apareceu na minha cela? Que é a morte? Um degrau mais na calma e talvez dois no silêncio. Não, não é a existência que lamento, é a ruína dos meus projectos tão lentamente elaborados e tão laboriosamente edificados. A Providência, que julgara ser por eles, era portanto contra eles. Deus não queria que se realizassem!

»O fardo que carreguei, quase tão pesado como um mundo e que julgara poder transportar até ao fim, estava de acordo com o um desejo e não com a minha força; estava de acordo com a minha vontade e não com o meu poder, e tive de o pousar a meio da corrida. Oh, voltei a ser fatalista, eu, a quem catorze anos de desespero e dez de esperança tinham tornado providencial!

»E tudo isso, meu Deus, porque o meu coração, que julgava morto, só estava adormecido; porque ele acordou, porque ele bateu, porque cedi à dor desse pulsar arrancado do fundo do meu peito pela voz de uma mulher.

»E no entanto - continuou o conde, abismando-se cada vez mais nas previsões do amanhã terrível que Mercédès aceitara -, e no entanto é impossível que aquela mulher, que é um coração tão nobre, tenha consentido assim por egoísmo, em me deixar matar, eu, cheio de energia e de vida! É impossível que leve a tal ponto o amor ou, antes, o delírio maternal! Há virtudes cujo exagero seria um crime. Não, terá imaginado alguma cena patética e irá lançar-se entre as espadas, o que será ridículo no terreno, embora fosse sublime aqui.

E o rubor do orgulho subia à fronte do conde.

- Ridículo - repetiu -, e o ridículo recairá sobre mim... Eu, ridículo! Vamos, prefiro morrer!

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Capa do livro O Conde de Monte Cristo
Páginas: 1080
Página atual: 855

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Marselha - A Chegada 1
O pai e o filho 8
Os Catalães 14
A Conspiração 23
O banquete de noivado 28
O substituto do Procurador Régio 38
O interrogatório 47
O Castelo de If 57
A festa de noivado 66
Os Cem Dias 89
O número 34 e o número 27 106
Um sábio italiano 120
A cela do abade 128
O Tesouro 143
O terceiro ataque 153
O cemitério do Castelo de If 162
A Ilha de Tiboulen 167
Os contrabandistas 178
A ilha de Monte-Cristo 185
Deslumbramento 192
O desconhecido 200
A Estalagem da Ponte do Gard 206
O relato 217
Os registos das prisões 228
Acasa Morrel 233
O 5 de Stembro 244
Itália - Simbad, o marinheiro 257
Despertar 278
Bandidos Romanos 283
Aparição 309
A Mazzolata 327
O Carnaval de Roma 340
As Catacumbas de São Sebastião 356
O encontro 369
Os convivas 375
O almoço 392
A apresentação 403
O Sr. Bertuccio 415
A Casa de Auteuil 419
A vendetta 425
A chuva de sangue 444
O crédito ilimitado 454
A parelha pigarça 464
Ideologia 474
Haydée 484
A família Morrel 488
Píramo e Tisbe 496
Toxicologia 505
Roberto, o diabo 519
A alta e a baixa 531
O major Cavalcanti 540
Andrea Cavalcanti 548
O campo de Luzerna 557
O Sr. Noirtier de Villefort 566
O testamento 573
O telégrafo 580
Meios de livrar um jardineiro dos ratos-dos-pomares que lhe comem os pêssegos 588
Os fantasmas 596
O jantar 604
O mendigo 613
Cena conjugal 620
Projetos de casamento 629
No gabinete do Procurador Régio 637
Um baile de Verão 647
As informações 653
O baile 661
O pão e o sal 668
A Sra. de Saint-Méran 672
A promessa 682
O jazigo da família Villefort 705
A ata da sessão 713
Os progressos de Cavalcanti filho 723
Haydée 732
Escrevem-nos de Janina 748
A limonada 762
A acusação 771
O quarto do padeiro reformado 776
O assalto 790
A mão de Deus 801
Beauchamp 806
A viagem 812
O julgamento 822
A provocação 834
O insulto 840
A Noite 848
O duelo 855
A mãe e o filho 865
O suicídio 871
Valentine 879
A confissão 885
O pai e a filha 895
O contrato 903
A estrada da Bélgica 912
A estalagem do sino e da garrafa 917
A lei 928
A aparição 937
Locusta 943
Valentine 948
Maximilien 953
A assinatura de Danglars 961
O Cemitério do Père-lachaise 970
A partilha 981
O covil dos leões 994
O juiz 1001
No tribunal 1009
O libelo acusatório 1014
Expiação 1021
A partida 1028
O passado 1039
Peppino 1049
A ementa de Luigi Vampa 1058
O Perdão 1064
O 5 de Outubro 1069
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