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Capítulo 8: O Castelo de If

Página 57
Capítulo VIII - O Castelo de If

Ao atravessar a antecâmara, o comissário de polícia fez sinal a dois gendarmes, os quais se colocaram um à direita e o outro à esquerda da Dantès. Abriu-se uma porta que punha em comunicação os aposentos do procurador régio com o Palácio da Justiça e seguiram durante algum tempo por um desses grandes corredores sombrios que arrepiam aqueles que os percorrem, mesmo quando não têm nenhum motivo para se arrepiar.

Assim como os aposentos de Villefort comunicavam com o Palácio da Justiça, também o Palácio da Justiça comunicava com a prisão, edifício sombrio contíguo ao palácio e que olhava curiosamente, com todas as suas aberturas medonhas, o campanário dos Accouies que se erguia diante dele.

Depois de várias voltas, Dantès viu o corredor por onde seguia desembocar numa porta com um postigo de ferro. O comissário de polícia bateu com uma aldraba de ferro três pancadas que soaram para Dantès como se fossem desferidas no seu próprio coração.

A porta abriu-se e os dois gendarmes empurraram levemente o prisioneiro, que hesitou novamente. Dantès transpôs o temível limiar e a porta tornou a fechar-se atrás dele. Respirava-se ali outro ar, um ar mefítico e pesado: estava numa prisão.

Conduziram-no a um quarto bastante limpo, mas gradeado e aferrolhado. No entanto, o aspecto do alojamento não o assustou.

Aliás, as palavras do substituto do procurador régio, proferidas numa voz que parecera a Dantès tão cheia de interesse, ecoavam-lhe aos ouvidos como uma suave promessa de esperança.

Eram já quatro horas quando Dantès fora conduzido à sua cela.

Estava-se, como já dissemos, em 1 de Março. O prisioneiro não tardou a encontrar-se às escuras.

Então o sentido do ouvido substituiu nele o sentido da vista, que acabava de perder. Ao menor ruído que chegava até ele, convencido de que o vinham pôr em liberdade, levantava-se vivamente e dava um passo para a porta; mas em breve o ruído ia morrendo noutra direção e Dantès tornava a deixar-se cair no banco.

Por fim, cerca das dez horas da noite, quanto Dantès começava a perder a esperança, ouviu-se novo ruído que lhe pareceu dirigir-se para a sua cela. Com efeito, soaram passos no corredor que se detiveram diante da sua porta. Uma chave girou na fechadura, os ferrolhos rangeram e a maciça barreira de carvalho abriu-se e deixou entrar de súbito na cela a luz deslumbrante de dois archotes.

Ao clarão desses dois archotes, Dantès viu brilhar os sabres e os mosquetões de quatro gendarmes.

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Capa do livro O Conde de Monte Cristo
Páginas: 1080
Página atual: 57

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Marselha - A Chegada 1
O pai e o filho 8
Os Catalães 14
A Conspiração 23
O banquete de noivado 28
O substituto do Procurador Régio 38
O interrogatório 47
O Castelo de If 57
A festa de noivado 66
Os Cem Dias 89
O número 34 e o número 27 106
Um sábio italiano 120
A cela do abade 128
O Tesouro 143
O terceiro ataque 153
O cemitério do Castelo de If 162
A Ilha de Tiboulen 167
Os contrabandistas 178
A ilha de Monte-Cristo 185
Deslumbramento 192
O desconhecido 200
A Estalagem da Ponte do Gard 206
O relato 217
Os registos das prisões 228
Acasa Morrel 233
O 5 de Stembro 244
Itália - Simbad, o marinheiro 257
Despertar 278
Bandidos Romanos 283
Aparição 309
A Mazzolata 327
O Carnaval de Roma 340
As Catacumbas de São Sebastião 356
O encontro 369
Os convivas 375
O almoço 392
A apresentação 403
O Sr. Bertuccio 415
A Casa de Auteuil 419
A vendetta 425
A chuva de sangue 444
O crédito ilimitado 454
A parelha pigarça 464
Ideologia 474
Haydée 484
A família Morrel 488
Píramo e Tisbe 496
Toxicologia 505
Roberto, o diabo 519
A alta e a baixa 531
O major Cavalcanti 540
Andrea Cavalcanti 548
O campo de Luzerna 557
O Sr. Noirtier de Villefort 566
O testamento 573
O telégrafo 580
Meios de livrar um jardineiro dos ratos-dos-pomares que lhe comem os pêssegos 588
Os fantasmas 596
O jantar 604
O mendigo 613
Cena conjugal 620
Projetos de casamento 629
No gabinete do Procurador Régio 637
Um baile de Verão 647
As informações 653
O baile 661
O pão e o sal 668
A Sra. de Saint-Méran 672
A promessa 682
O jazigo da família Villefort 705
A ata da sessão 713
Os progressos de Cavalcanti filho 723
Haydée 732
Escrevem-nos de Janina 748
A limonada 762
A acusação 771
O quarto do padeiro reformado 776
O assalto 790
A mão de Deus 801
Beauchamp 806
A viagem 812
O julgamento 822
A provocação 834
O insulto 840
A Noite 848
O duelo 855
A mãe e o filho 865
O suicídio 871
Valentine 879
A confissão 885
O pai e a filha 895
O contrato 903
A estrada da Bélgica 912
A estalagem do sino e da garrafa 917
A lei 928
A aparição 937
Locusta 943
Valentine 948
Maximilien 953
A assinatura de Danglars 961
O Cemitério do Père-lachaise 970
A partilha 981
O covil dos leões 994
O juiz 1001
No tribunal 1009
O libelo acusatório 1014
Expiação 1021
A partida 1028
O passado 1039
Peppino 1049
A ementa de Luigi Vampa 1058
O Perdão 1064
O 5 de Outubro 1069
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