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Capítulo 51: Píramo e Tisbe

Página 496
Capítulo LI - Píramo e Tisbe

Quase ao fundo do Arrabalde Saint-Honoré, atrás de um belo palácio, notável entre as notáveis habitações daquele bairro rico, estende-se um vasto jardim, cujos castanheiros frondosos ultrapassam os enormes muros, altos como muralhas, e deixam, quando chega a Primavera, cair as suas flores cor-de-rosa e brancas em dois vasos de pedra canelada colocados paralelamente sobre duas colunas quadrangulares, nas quais se insere um portão de ferro do tempo de Luís XIII

Esta entrada grandiosa está condenada, apesar dos magníficos gerânios contidos nos dois vasos e que balançam ao vento as suas flores matizadas e cor de púrpura, desde que os proprietários do palácio - e isso data de há muito tempo já - se restringiram à posse do palácio, do pátio arborizado que dá para a rua e do jardim que fecha o portão a que já nos referimos, o qual dava outrora para uma magnífica horta de uma jeira, anexa à propriedade. Mas como o demónio da especulação traçou uma linha, isto é, uma rua na extremidade da horta, e como a rua, antes de existir, já recebera um nome, graças a uma placa de ferro polido, pensou-se vender a horta para construir para a rua e fazer concorrência à grande artéria de Paris chamada Arrabalde Saint-Honoré.

Mas em matéria de especulação, o homem propõe e o dinheiro dispõe. A rua baptizada morreu à nascença; o comprador da horta, depois de a pagar integralmente, não conseguiu obter na revenda a importância que pretendia e, enquanto esperava uma subida de preço que não deixaria de o indemnizar, mais dia menos dia, muito para além dos seus prejuízos passados e do seu capital imobilizado, contentou-se com alugar o terreno a uns hortelãos por quinhentos francos por ano.

Era dinheiro colocado a 1,5%, nada caro nos tempos que correm, em que há tanta gente que o coloca a cinquenta e ainda acha que o dinheiro rende pouquíssimo.

Todavia, como já dissemos, o portão do jardim, que outrora dava para a horta, está condenado e a ferrugem rói-lhe os gonzos. Mais, para que os ignóbeis hortelãos não conspurquem com os seus olhares vulgares o interior do recinto aristocrático, aplicou-se aos varões uma vedação de tábuas até à altura de seis pés. É certo que as tábuas não estão assim tão bem juntas que se não possa deitar um olhar furtivo pelos intervalos, mas a casa é uma casa severa e que não teme as indiscrições.

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Capa do livro O Conde de Monte Cristo
Páginas: 1080
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Os capítulos deste livro:
Marselha - A Chegada 1
O pai e o filho 8
Os Catalães 14
A Conspiração 23
O banquete de noivado 28
O substituto do Procurador Régio 38
O interrogatório 47
O Castelo de If 57
A festa de noivado 66
Os Cem Dias 89
O número 34 e o número 27 106
Um sábio italiano 120
A cela do abade 128
O Tesouro 143
O terceiro ataque 153
O cemitério do Castelo de If 162
A Ilha de Tiboulen 167
Os contrabandistas 178
A ilha de Monte-Cristo 185
Deslumbramento 192
O desconhecido 200
A Estalagem da Ponte do Gard 206
O relato 217
Os registos das prisões 228
Acasa Morrel 233
O 5 de Stembro 244
Itália - Simbad, o marinheiro 257
Despertar 278
Bandidos Romanos 283
Aparição 309
A Mazzolata 327
O Carnaval de Roma 340
As Catacumbas de São Sebastião 356
O encontro 369
Os convivas 375
O almoço 392
A apresentação 403
O Sr. Bertuccio 415
A Casa de Auteuil 419
A vendetta 425
A chuva de sangue 444
O crédito ilimitado 454
A parelha pigarça 464
Ideologia 474
Haydée 484
A família Morrel 488
Píramo e Tisbe 496
Toxicologia 505
Roberto, o diabo 519
A alta e a baixa 531
O major Cavalcanti 540
Andrea Cavalcanti 548
O campo de Luzerna 557
O Sr. Noirtier de Villefort 566
O testamento 573
O telégrafo 580
Meios de livrar um jardineiro dos ratos-dos-pomares que lhe comem os pêssegos 588
Os fantasmas 596
O jantar 604
O mendigo 613
Cena conjugal 620
Projetos de casamento 629
No gabinete do Procurador Régio 637
Um baile de Verão 647
As informações 653
O baile 661
O pão e o sal 668
A Sra. de Saint-Méran 672
A promessa 682
O jazigo da família Villefort 705
A ata da sessão 713
Os progressos de Cavalcanti filho 723
Haydée 732
Escrevem-nos de Janina 748
A limonada 762
A acusação 771
O quarto do padeiro reformado 776
O assalto 790
A mão de Deus 801
Beauchamp 806
A viagem 812
O julgamento 822
A provocação 834
O insulto 840
A Noite 848
O duelo 855
A mãe e o filho 865
O suicídio 871
Valentine 879
A confissão 885
O pai e a filha 895
O contrato 903
A estrada da Bélgica 912
A estalagem do sino e da garrafa 917
A lei 928
A aparição 937
Locusta 943
Valentine 948
Maximilien 953
A assinatura de Danglars 961
O Cemitério do Père-lachaise 970
A partilha 981
O covil dos leões 994
O juiz 1001
No tribunal 1009
O libelo acusatório 1014
Expiação 1021
A partida 1028
O passado 1039
Peppino 1049
A ementa de Luigi Vampa 1058
O Perdão 1064
O 5 de Outubro 1069
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