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Capítulo 19: O terceiro ataque

Página 153
Capítulo XIX - O terceiro ataque

Agora que o tesouro que fora durante tanto tempo objecto das meditações do abade podia assegurar a felicidade futura daquele que Faria amava realmente como filho, duplicara ainda de valor a seus olhos. Todos os dias se referia ao montante do tesouro e explicava a Dantès tudo o que com treze ou catorze milhões de fortuna um homem podia, nos tempos modernos, fazer de bem aos seus amigos. E então o rosto de Dantès ensombrava-se, pois vinha-lhe à memória o juramento de vingança que fizera e pensava pela sua parte quanto nos tempos modernos um homem com treze ou catorze milhões de fortuna podia também fazer de mal aos seus inimigos.

O abade não conhecia a ilha de Monte-Cristo, mas Dantès conhecia-a. Passara muitas vezes diante dela, pois a ilha ficava situada a vinte e cinco milhas da Pianosa, entre a Córsega e a ilha de Elba, e até lá arriba a uma vez. A ilha era, sempre fora e ainda é completamente deserta. Trata-se de um rochedo de forma quase cónica que parece ter sido trazido por qualquer cataclismo vulcânico do fundo do abismo à superfície do mar.

Dantès traçava o mapa da ilha a Faria e Faria dava conselhos a Dantès acerca dos meios a empregar para encontrar o tesouro.

Mas Dantès estava longe de ser tão entusiasta e sobretudo tão confiante como o velho. Claro que estava agora plenamente convencido de que Faria não se encontrava louco, e a forma como chegara à descoberta que levara a crer na sua loucura aumentava ainda mais a sua admiração por ele; mas também não podia acreditar que esse tesouro, supondo que tivesse existido, ainda existisse, e embora não visse o tesouro como uma quimera, via-o pelo menos como perdido.

Entretanto, como se o destino quisesse tirar aos prisioneiros a sua última esperança e fazer-lhes compreender que estavam condenados a prisão perpétua, nova desgraça os atingiu: a galeria da beira-mar, que havia muito tempo ameaçava ruína, fora reconstruída. Tinham reparado os alicerces e tapado com enormes blocos de rocha o buraco já meio entulhado por Dantès. Sem essa precaução que, recordemo-nos, fora sugerida ao rapaz pelo abade, o seu infortúnio teria sido ainda muito maior, pois descobririam a sua tentativa de evasão e sem dúvida os separariam. Uma nova porta, mais forte e inexorável do que as outras, ter-se-ia então fechado sobre eles.

- Como vê - dizia o rapaz com suave tristeza a Faria -, Deus quer-me roubar até o mérito do que o senhor chama ainda dedicação por si. Prometi-lhe ficar eternamente consigo e nada me impede agora de cumprir a minha promessa.

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Capa do livro O Conde de Monte Cristo
Páginas: 1080
Página atual: 153

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Marselha - A Chegada 1
O pai e o filho 8
Os Catalães 14
A Conspiração 23
O banquete de noivado 28
O substituto do Procurador Régio 38
O interrogatório 47
O Castelo de If 57
A festa de noivado 66
Os Cem Dias 89
O número 34 e o número 27 106
Um sábio italiano 120
A cela do abade 128
O Tesouro 143
O terceiro ataque 153
O cemitério do Castelo de If 162
A Ilha de Tiboulen 167
Os contrabandistas 178
A ilha de Monte-Cristo 185
Deslumbramento 192
O desconhecido 200
A Estalagem da Ponte do Gard 206
O relato 217
Os registos das prisões 228
Acasa Morrel 233
O 5 de Stembro 244
Itália - Simbad, o marinheiro 257
Despertar 278
Bandidos Romanos 283
Aparição 309
A Mazzolata 327
O Carnaval de Roma 340
As Catacumbas de São Sebastião 356
O encontro 369
Os convivas 375
O almoço 392
A apresentação 403
O Sr. Bertuccio 415
A Casa de Auteuil 419
A vendetta 425
A chuva de sangue 444
O crédito ilimitado 454
A parelha pigarça 464
Ideologia 474
Haydée 484
A família Morrel 488
Píramo e Tisbe 496
Toxicologia 505
Roberto, o diabo 519
A alta e a baixa 531
O major Cavalcanti 540
Andrea Cavalcanti 548
O campo de Luzerna 557
O Sr. Noirtier de Villefort 566
O testamento 573
O telégrafo 580
Meios de livrar um jardineiro dos ratos-dos-pomares que lhe comem os pêssegos 588
Os fantasmas 596
O jantar 604
O mendigo 613
Cena conjugal 620
Projetos de casamento 629
No gabinete do Procurador Régio 637
Um baile de Verão 647
As informações 653
O baile 661
O pão e o sal 668
A Sra. de Saint-Méran 672
A promessa 682
O jazigo da família Villefort 705
A ata da sessão 713
Os progressos de Cavalcanti filho 723
Haydée 732
Escrevem-nos de Janina 748
A limonada 762
A acusação 771
O quarto do padeiro reformado 776
O assalto 790
A mão de Deus 801
Beauchamp 806
A viagem 812
O julgamento 822
A provocação 834
O insulto 840
A Noite 848
O duelo 855
A mãe e o filho 865
O suicídio 871
Valentine 879
A confissão 885
O pai e a filha 895
O contrato 903
A estrada da Bélgica 912
A estalagem do sino e da garrafa 917
A lei 928
A aparição 937
Locusta 943
Valentine 948
Maximilien 953
A assinatura de Danglars 961
O Cemitério do Père-lachaise 970
A partilha 981
O covil dos leões 994
O juiz 1001
No tribunal 1009
O libelo acusatório 1014
Expiação 1021
A partida 1028
O passado 1039
Peppino 1049
A ementa de Luigi Vampa 1058
O Perdão 1064
O 5 de Outubro 1069
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