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Capítulo 3: Os Catalães

Página 14
Capítulo III - Os Catalães

A cem passos do local em que os dois amigos, de olhos postos no horizonte e ouvido à escuta, saboreavam o vinho espumante de La Malgue, erguia-se atrás de uma colina escalvada e roída pelo sol e pelo mistral a aldeia dos Catalães.

Um dia, uma colónia misteriosa partiu de Espanha e desembarcou na língua de terra onde ainda hoje se encontra. Vinha ninguém sabia donde e falava uma língua desconhecida. Um dos chefes, que entendia o provençal, pediu à comuna de Marselha que lhos desse aquele promontório nu e árido em que, como os marinheiros antigos, acabavam de varar os seus barcos. O pedido foi satisfeito e três meses mais tarde erguia-se uma aldeiazinha à volta dos doze ou quinze barcos trazidos por aqueles ciganos do mar.

Essa aldeia construída de forma estranha e pitoresca, meio moura, meio espanhola, é aquela que vemos hoje ser habitada por descendentes desses homens, que falam a língua dos pais. Há três ou quatro séculos que se conservam fiéis a esse promontoriozinho, sobre o qual desceram como um bando de aves marinhas, sem se misturarem em nada com a população marselhesa, casando entre si e conservando os costumes e o traje dos seus avós, tal como conservaram a sua linguagem.

Queiram os nossos leitores seguir-nos através da única rua da aldeiazinha e entrar connosco numa destas casas a que o sol deu por fora essa bela cor de folha morta particular aos monumentos da região e por dentro uma camada de têmpera, essa tinta branca que constitui o único ornamento das pousadas espanholas.

Uma bonita rapariga de cabelo negro como o azeviche e olhos aveludados como os das gazelas encontrava-se encostada, de pé, a um tabique e esfregava entre os dedos afilados e de um desenho antigo uma urze inocente cujas flores arrancava e cujos restos juncavam já no chão. Além disso, os seus braços nus até ao cotovelo - os seus braços morenos, mas que pareciam modelados pelos da Vénus de Arles - fremiam numa espécie de impaciência febril e ela batia no chão com o pé flexível e arqueado de uma maneira que se entrevia a forma pura, orgulhosa e ousada da perna, metida numa meia de algodão encarnado com baguetes cinzentas e azuis.

A três passos dela, sentado numa cadeira que balouçava num movimento brusco, apoiando o cotovelo num velho móvel carunchoso, um latagão de vinte e dois anos olhava-a com um ar em que se misturavam a inquietação e o despeito. Os seus olhos interrogavam, mas o olhar firme e fixo da rapariga dominava o seu interlocutor.

- Vejamos, Mercédès - dizia o rapaz -, a Páscoa vem aí e é altura de pensar na boda. Responde-me!

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Capa do livro O Conde de Monte Cristo
Páginas: 1080
Página atual: 14

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Marselha - A Chegada 1
O pai e o filho 8
Os Catalães 14
A Conspiração 23
O banquete de noivado 28
O substituto do Procurador Régio 38
O interrogatório 47
O Castelo de If 57
A festa de noivado 66
Os Cem Dias 89
O número 34 e o número 27 106
Um sábio italiano 120
A cela do abade 128
O Tesouro 143
O terceiro ataque 153
O cemitério do Castelo de If 162
A Ilha de Tiboulen 167
Os contrabandistas 178
A ilha de Monte-Cristo 185
Deslumbramento 192
O desconhecido 200
A Estalagem da Ponte do Gard 206
O relato 217
Os registos das prisões 228
Acasa Morrel 233
O 5 de Stembro 244
Itália - Simbad, o marinheiro 257
Despertar 278
Bandidos Romanos 283
Aparição 309
A Mazzolata 327
O Carnaval de Roma 340
As Catacumbas de São Sebastião 356
O encontro 369
Os convivas 375
O almoço 392
A apresentação 403
O Sr. Bertuccio 415
A Casa de Auteuil 419
A vendetta 425
A chuva de sangue 444
O crédito ilimitado 454
A parelha pigarça 464
Ideologia 474
Haydée 484
A família Morrel 488
Píramo e Tisbe 496
Toxicologia 505
Roberto, o diabo 519
A alta e a baixa 531
O major Cavalcanti 540
Andrea Cavalcanti 548
O campo de Luzerna 557
O Sr. Noirtier de Villefort 566
O testamento 573
O telégrafo 580
Meios de livrar um jardineiro dos ratos-dos-pomares que lhe comem os pêssegos 588
Os fantasmas 596
O jantar 604
O mendigo 613
Cena conjugal 620
Projetos de casamento 629
No gabinete do Procurador Régio 637
Um baile de Verão 647
As informações 653
O baile 661
O pão e o sal 668
A Sra. de Saint-Méran 672
A promessa 682
O jazigo da família Villefort 705
A ata da sessão 713
Os progressos de Cavalcanti filho 723
Haydée 732
Escrevem-nos de Janina 748
A limonada 762
A acusação 771
O quarto do padeiro reformado 776
O assalto 790
A mão de Deus 801
Beauchamp 806
A viagem 812
O julgamento 822
A provocação 834
O insulto 840
A Noite 848
O duelo 855
A mãe e o filho 865
O suicídio 871
Valentine 879
A confissão 885
O pai e a filha 895
O contrato 903
A estrada da Bélgica 912
A estalagem do sino e da garrafa 917
A lei 928
A aparição 937
Locusta 943
Valentine 948
Maximilien 953
A assinatura de Danglars 961
O Cemitério do Père-lachaise 970
A partilha 981
O covil dos leões 994
O juiz 1001
No tribunal 1009
O libelo acusatório 1014
Expiação 1021
A partida 1028
O passado 1039
Peppino 1049
A ementa de Luigi Vampa 1058
O Perdão 1064
O 5 de Outubro 1069
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