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Capítulo 39: Os convivas

Página 375
Capítulo XXXIX - Os convivas

Na casa da Rua Helder em que Albert de Morcerf marcara encontro em Roma com o conde de Monte-Cristo, tudo se preparava na manhã de 21 de Maio para honrar a palavra do jovem.

Albert de Morcerf habitava num pavilhão situado a um canto de um grande pátio e defronte doutro edifício destinado às dependências de serviço. Apenas duas janelas do pavilhão davam para a rua; as outras abriam, três para o pátio e as duas restantes para o jardim.

Entre o pátio e o jardim erguia-se, construída com o mau gosto da arquitectura imperial, a residência moderna e ampla do conde e da condessa de Morcerf.

A toda a largura da propriedade erguia-se, dando para a rua, um muro encimado, de distância em distância, por vasos de flores, e cortado ao meio por um grande portão de lanças douradas, que servia para as ocasiões solenes. Uma portinha quase pegada ao cubículo do porteiro dava passagem ao pessoal e aos donos da casa, quando entravam ou saíam a pé.

Na escolha do pavilhão destinado a residência de Albert adivinhava-se a delicada precaução de uma mãe que, não querendo separar-se do filho, compreendera no entanto que um rapaz da idade do visconde necessitava de completa liberdade.

Por outro lado, devemos dizê-lo, também se reconhecia nisso o egoísmo inteligente do rapaz, a quem agradava a vida livre e ociosa dos filhos-família, aos quais douravam, como aos pássaros, a gaiola.

Pelas duas janelas que deitavam para a rua, Albert de Morcerf podia proceder às suas explorações exteriores. A vista do exterior é tão necessária aos jovens que querem ver sempre o mundo atravessar-lhes o horizonte, ainda que esse horizonte seja apenas o da rua! Depois, uma vez a exploração concluída, se essa exploração lhe parecia merecer um exame mais aprofundado, Albert de Morcerf podia, para se dedicar às suas investigações, sair por uma portinha que emparelhava com a que indicámos junto do cubículo do porteiro, e que merece uma menção especial.

Era uma portinha que dir-se-ia esquecida de toda a gente desde o dia em que a casa fora construída, e que se julgara condenada para sempre, de tal modo parecia discreta e poeirenta, mas cuja fechadura, assim como os gonzos, cuidadosamente lubrificados, denunciavam uma serventia misteriosa e continuada. Aquela portinha dissimulada fazia concorrência às outras duas e zombava do porteiro, à vigilância e jurisdição do qual escapava, pois abria-se como a famosa porta da caverna das Mil e Uma Noites, como o Sésamo encantado de Ali-Babá, por meio de algumas palavras cabalísticas ou de algumas arranhadelas convencionadas, pronunciadas pelas mais meigas vozes ou dadas pelos dedos mais afilados deste mundo.

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Capa do livro O Conde de Monte Cristo
Páginas: 1080
Página atual: 375

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Marselha - A Chegada 1
O pai e o filho 8
Os Catalães 14
A Conspiração 23
O banquete de noivado 28
O substituto do Procurador Régio 38
O interrogatório 47
O Castelo de If 57
A festa de noivado 66
Os Cem Dias 89
O número 34 e o número 27 106
Um sábio italiano 120
A cela do abade 128
O Tesouro 143
O terceiro ataque 153
O cemitério do Castelo de If 162
A Ilha de Tiboulen 167
Os contrabandistas 178
A ilha de Monte-Cristo 185
Deslumbramento 192
O desconhecido 200
A Estalagem da Ponte do Gard 206
O relato 217
Os registos das prisões 228
Acasa Morrel 233
O 5 de Stembro 244
Itália - Simbad, o marinheiro 257
Despertar 278
Bandidos Romanos 283
Aparição 309
A Mazzolata 327
O Carnaval de Roma 340
As Catacumbas de São Sebastião 356
O encontro 369
Os convivas 375
O almoço 392
A apresentação 403
O Sr. Bertuccio 415
A Casa de Auteuil 419
A vendetta 425
A chuva de sangue 444
O crédito ilimitado 454
A parelha pigarça 464
Ideologia 474
Haydée 484
A família Morrel 488
Píramo e Tisbe 496
Toxicologia 505
Roberto, o diabo 519
A alta e a baixa 531
O major Cavalcanti 540
Andrea Cavalcanti 548
O campo de Luzerna 557
O Sr. Noirtier de Villefort 566
O testamento 573
O telégrafo 580
Meios de livrar um jardineiro dos ratos-dos-pomares que lhe comem os pêssegos 588
Os fantasmas 596
O jantar 604
O mendigo 613
Cena conjugal 620
Projetos de casamento 629
No gabinete do Procurador Régio 637
Um baile de Verão 647
As informações 653
O baile 661
O pão e o sal 668
A Sra. de Saint-Méran 672
A promessa 682
O jazigo da família Villefort 705
A ata da sessão 713
Os progressos de Cavalcanti filho 723
Haydée 732
Escrevem-nos de Janina 748
A limonada 762
A acusação 771
O quarto do padeiro reformado 776
O assalto 790
A mão de Deus 801
Beauchamp 806
A viagem 812
O julgamento 822
A provocação 834
O insulto 840
A Noite 848
O duelo 855
A mãe e o filho 865
O suicídio 871
Valentine 879
A confissão 885
O pai e a filha 895
O contrato 903
A estrada da Bélgica 912
A estalagem do sino e da garrafa 917
A lei 928
A aparição 937
Locusta 943
Valentine 948
Maximilien 953
A assinatura de Danglars 961
O Cemitério do Père-lachaise 970
A partilha 981
O covil dos leões 994
O juiz 1001
No tribunal 1009
O libelo acusatório 1014
Expiação 1021
A partida 1028
O passado 1039
Peppino 1049
A ementa de Luigi Vampa 1058
O Perdão 1064
O 5 de Outubro 1069
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