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Capítulo 18: O Tesouro

Página 143
Capítulo XVIII - O tesouro

Quando Dantès regressou no dia seguinte de manhã à cela do seu companheiro de cativeiro encontrou Faria sentado, com ar calmo.

Debaixo do raio de sol que se insinuava através da janela estreita da cela, segurava aberto na mão esquerda - a única, recordamos, cujo uso lhe restava - um bocado de papel ao qual o hábito de ser enrolado num delgado volume imprimira a forma de um cilindro rebelde a estender-se.

O abade mostrou sem dizer nada o papel a Dantès.

- Que é isto? - perguntou o rapaz.

- Veja bem - disse o abade, sorrindo.

- Por mais que olhe - redarguiu Dantès - vejo apenas um papel semiqueimado em que estão traçados caracteres góticos com uma tinta estranha.

- Este papel, meu amigo - disse Faria -, é, posso agora confessar-lhe tudo, porque já o pus à prova, este papel é o meu tesouro, do qual a partir de hoje lhe pertence metade.

Um suor frio cobriu a testa de Dantès. Até àquele dia e durante muito tempo evitara falar com Faria a respeito daquele tesouro, origem da acusação de loucura que pesava sobre o pobre abade.

Com a sua delicadeza instintiva, Edmond preferira não tocar nessa corda dolorosamente vibrante, e pela sua parte Faria calara-se.

O rapaz tomara o silêncio do velho por um regresso à razão, mas agora, aquelas poucas palavras escapadas a Faria depois de uma crise tão penosa pareciam anunciar uma grave recaída de alienação mental.

- O seu tesouro? - balbuciou Dantès.

Faria sorriu.

- Sim - respondeu. - De todos os pontos de vista você é um nobre coração, Edmond, e compreendo pela sua palidez e pelo seu estremecimento o que se passa em si neste momento. Não, sossegue, não estou louco. O tesouro existe, Dantès, e se me não foi dado possuí-lo, você te-lo-á. Ninguém me quis ouvir nem acreditar porque me julgavam louco; mas você, que deve saber que não o estou, ouça-me e acredite-me depois se quiser.

«Valha-me Deus», disse Edmond para consigo, «recaiu! Só me faltava esta desgraça.»

E depois, em voz alta:

- Meu amigo - disse a Faria -, o seu ataque talvez o tenha fatigado; não quer descansar um bocadinho? Amanhã, se quiser, ouvirei a sua história, mas hoje só desejo tratar de si. Aliás -continuou sorrindo -, temos assim tanta pressa de um tesouro?

- Muita, Edmond! - respondeu o velho. - Quem sabe se amanhã ou depois de amanhã, talvez, não terei o terceiro ataque? Lembre-se de que então tudo estaria acabado! Sim, é verdade, tenho pensado muitas vezes com um prazer amargo nessas riquezas que fariam a fortuna de dez famílias e perdidas para esses homens que me perseguiram.

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Capa do livro O Conde de Monte Cristo
Páginas: 1080
Página atual: 143

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Marselha - A Chegada 1
O pai e o filho 8
Os Catalães 14
A Conspiração 23
O banquete de noivado 28
O substituto do Procurador Régio 38
O interrogatório 47
O Castelo de If 57
A festa de noivado 66
Os Cem Dias 89
O número 34 e o número 27 106
Um sábio italiano 120
A cela do abade 128
O Tesouro 143
O terceiro ataque 153
O cemitério do Castelo de If 162
A Ilha de Tiboulen 167
Os contrabandistas 178
A ilha de Monte-Cristo 185
Deslumbramento 192
O desconhecido 200
A Estalagem da Ponte do Gard 206
O relato 217
Os registos das prisões 228
Acasa Morrel 233
O 5 de Stembro 244
Itália - Simbad, o marinheiro 257
Despertar 278
Bandidos Romanos 283
Aparição 309
A Mazzolata 327
O Carnaval de Roma 340
As Catacumbas de São Sebastião 356
O encontro 369
Os convivas 375
O almoço 392
A apresentação 403
O Sr. Bertuccio 415
A Casa de Auteuil 419
A vendetta 425
A chuva de sangue 444
O crédito ilimitado 454
A parelha pigarça 464
Ideologia 474
Haydée 484
A família Morrel 488
Píramo e Tisbe 496
Toxicologia 505
Roberto, o diabo 519
A alta e a baixa 531
O major Cavalcanti 540
Andrea Cavalcanti 548
O campo de Luzerna 557
O Sr. Noirtier de Villefort 566
O testamento 573
O telégrafo 580
Meios de livrar um jardineiro dos ratos-dos-pomares que lhe comem os pêssegos 588
Os fantasmas 596
O jantar 604
O mendigo 613
Cena conjugal 620
Projetos de casamento 629
No gabinete do Procurador Régio 637
Um baile de Verão 647
As informações 653
O baile 661
O pão e o sal 668
A Sra. de Saint-Méran 672
A promessa 682
O jazigo da família Villefort 705
A ata da sessão 713
Os progressos de Cavalcanti filho 723
Haydée 732
Escrevem-nos de Janina 748
A limonada 762
A acusação 771
O quarto do padeiro reformado 776
O assalto 790
A mão de Deus 801
Beauchamp 806
A viagem 812
O julgamento 822
A provocação 834
O insulto 840
A Noite 848
O duelo 855
A mãe e o filho 865
O suicídio 871
Valentine 879
A confissão 885
O pai e a filha 895
O contrato 903
A estrada da Bélgica 912
A estalagem do sino e da garrafa 917
A lei 928
A aparição 937
Locusta 943
Valentine 948
Maximilien 953
A assinatura de Danglars 961
O Cemitério do Père-lachaise 970
A partilha 981
O covil dos leões 994
O juiz 1001
No tribunal 1009
O libelo acusatório 1014
Expiação 1021
A partida 1028
O passado 1039
Peppino 1049
A ementa de Luigi Vampa 1058
O Perdão 1064
O 5 de Outubro 1069
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