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Capítulo 99: A lei

Página 928
Capítulo XCIX - A lei

Já vimos com que tranquilidade Mademoiselle Danglars e Mademoiselle de Armilly tinham conseguido disfarçar-se e fugir. É que todos estavam demasiado ocupados com os seus problemas pessoais para se ocuparem dos delas.

Deixaremos o banqueiro, com a testa coberta de suor, alinhar perante o fantasma da falência as enormes colunas do seu passivo e seguiremos a baronesa, que, depois de ficar um instante esmagada pela violência do golpe que acabava de a atingir, fora procurar o seu conselheiro habitual, Lucien Debray.

Com efeito, a baronesa contava com o casamento da filha para se libertar finalmente de uma tutela que, com uma rapariga do temperamento de Eugénie, não deixava de ser muitíssimo difícil. Porque, naquelas espécies de contratos tácitos que mantinham o vínculo hierárquico da família, a mãe só era na realidade senhora da filha com a condição de ser continuamente para ela um exemplo de sensatez e um tipo de perfeição.

Ora, a Sr.ª Danglars temia a perspicácia de Eugénie e os conselhos de Mademoiselle de Armilly. Já surpreendera certos olhares desdenhosos lançados pela filha a Debray - olhares que pareciam significar que a filha conhecia todo o mistério das suas relações amorosas e pecuniárias com o secretário íntimo -, e uma interpretação mais sagaz e aprofundada desses olhares teria demonstrado à baronesa que Eugénie detestava Debray não por ser na casa paterna um pomo de discórdia e de escândalo, mas sim porque o classificava muito simplesmente na categoria dos bípedes que Diógenes pretendia já não considerar homens e que Platão designava pela perífrase de animais de duas patas e sem penas.

Do seu ponto de vista - e infelizmente neste mundo cada um tem o seu ponto de vista que o impede de ver o ponto de vista dos outros -, a Sr.ª Danglars lamentava portanto infinitamente que o casamento de Eugénie tivesse falhado, não por se tratar de um casamento conveniente e capaz de fazer a felicidade da filha, mas sim por ser um casamento que lhe restituía a liberdade.

Correu, portanto, como dissemos, a casa de Debray, que, depois de ter, como toda a gente em Paris, assistido à festa do contrato e ao escândalo que se seguira, se apressara a retirar-se para o seu clube, onde, com alguns amigos, conversava acerca do acontecimento que era àquela hora tema obrigatório de conversa de três quartos de uma cidade eminentemente mexeriqueira, a que chamam a capital do mundo.

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Capa do livro O Conde de Monte Cristo
Páginas: 1080
Página atual: 928

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Marselha - A Chegada 1
O pai e o filho 8
Os Catalães 14
A Conspiração 23
O banquete de noivado 28
O substituto do Procurador Régio 38
O interrogatório 47
O Castelo de If 57
A festa de noivado 66
Os Cem Dias 89
O número 34 e o número 27 106
Um sábio italiano 120
A cela do abade 128
O Tesouro 143
O terceiro ataque 153
O cemitério do Castelo de If 162
A Ilha de Tiboulen 167
Os contrabandistas 178
A ilha de Monte-Cristo 185
Deslumbramento 192
O desconhecido 200
A Estalagem da Ponte do Gard 206
O relato 217
Os registos das prisões 228
Acasa Morrel 233
O 5 de Stembro 244
Itália - Simbad, o marinheiro 257
Despertar 278
Bandidos Romanos 283
Aparição 309
A Mazzolata 327
O Carnaval de Roma 340
As Catacumbas de São Sebastião 356
O encontro 369
Os convivas 375
O almoço 392
A apresentação 403
O Sr. Bertuccio 415
A Casa de Auteuil 419
A vendetta 425
A chuva de sangue 444
O crédito ilimitado 454
A parelha pigarça 464
Ideologia 474
Haydée 484
A família Morrel 488
Píramo e Tisbe 496
Toxicologia 505
Roberto, o diabo 519
A alta e a baixa 531
O major Cavalcanti 540
Andrea Cavalcanti 548
O campo de Luzerna 557
O Sr. Noirtier de Villefort 566
O testamento 573
O telégrafo 580
Meios de livrar um jardineiro dos ratos-dos-pomares que lhe comem os pêssegos 588
Os fantasmas 596
O jantar 604
O mendigo 613
Cena conjugal 620
Projetos de casamento 629
No gabinete do Procurador Régio 637
Um baile de Verão 647
As informações 653
O baile 661
O pão e o sal 668
A Sra. de Saint-Méran 672
A promessa 682
O jazigo da família Villefort 705
A ata da sessão 713
Os progressos de Cavalcanti filho 723
Haydée 732
Escrevem-nos de Janina 748
A limonada 762
A acusação 771
O quarto do padeiro reformado 776
O assalto 790
A mão de Deus 801
Beauchamp 806
A viagem 812
O julgamento 822
A provocação 834
O insulto 840
A Noite 848
O duelo 855
A mãe e o filho 865
O suicídio 871
Valentine 879
A confissão 885
O pai e a filha 895
O contrato 903
A estrada da Bélgica 912
A estalagem do sino e da garrafa 917
A lei 928
A aparição 937
Locusta 943
Valentine 948
Maximilien 953
A assinatura de Danglars 961
O Cemitério do Père-lachaise 970
A partilha 981
O covil dos leões 994
O juiz 1001
No tribunal 1009
O libelo acusatório 1014
Expiação 1021
A partida 1028
O passado 1039
Peppino 1049
A ementa de Luigi Vampa 1058
O Perdão 1064
O 5 de Outubro 1069
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