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Capítulo 32: Despertar

Página 278
Capítulo XXXII – Despertar

Quando Franz voltou a si os objectos exteriores pareciam a segunda parte do seu sonho. Julgou-se num sepulcro onde apenas penetrava, como um olhar de compaixão, um raio de sol. Estendeu a mão e sentiu pedra. Sentou-se e verificou que estivera deitado na sua capa, num leito de urzes secas, muito macio e odorífero.

Desaparecera por completo qualquer visão e, como se as estátuas não tivessem passado de sombras saídas dos seus túmulos enquanto ele sonhava, tinham fugido ao vê-lo despertar.

Deu alguns passos na direcção donde vinha a luz. A toda a agitação do sonho sucedia a calma da realidade. Viu-se numa gruta, dirigiu-se para o lado da abertura e através da porta abobadada distinguiu um céu azul e um mar igualmente azul. O ar e a água resplandeciam batidos pelos raios do sol da manhã. Os marinheiros estavam sentados à beira-mar, conversando e rindo, e a dez passos, mar adentro, a barca balouçava-se graciosamente presa à âncora.

Durante algum tempo saboreou a brisa fresca que lhe batia na testa, escutou o barulho abafado das vagas que se desfaziam na margem e deixavam nas rochas uma renda de espuma branca como prata e entregou-se sem reflectir, sem pensar, ao encanto divino que existe nas coisas da natureza e que descobrimos sobretudo quando saímos de um sonho fantástico. Depois, pouco a pouco, a vida exterior, tão calma, tão pura, tão grande, recordou-lhe a inverossimilhança do seu sono e as recordações começaram a voltar-lhe à memória.

Lembrou-se da sua chegada à ilha, da sua apresentação a um chefe de contrabandistas, de um palácio subterrâneo cheio de esplendores, de uma ceia excelente e de uma colher de haxixe.

Simplesmente, perante a realidade da luz do dia, parecia-lhe haver pelo menos um ano que todas essas coisas tinham acontecido, de tal forma o sonho que sonhara estava vivo no seu pensamento e era importante para o seu espírito. Por isso, de vez em quando a sua imaginação fazia sentar no meio dos marinheiros ou atravessar um rochedo, ou balouçar-se na barca, uma das sombras que lhe tinham estrelado a noite com os seus beijos. Fora isso, tinha a cabeça perfeitamente desanuviada e o corpo perfeitamente repousado. Nenhum peso no cérebro, mas pelo contrário um certo bem-estar geral, uma faculdade de absorver o ar e o sol maior do que nunca.

Aproximou-se alegremente dos marinheiros.

Assim que o viram, levantaram-se e o patrão aproximou-se dele.

- O Sr. Simbad - disse-lhe - encarregou-nos de apresentarmos os seus cumprimentos a Vossa Excelência e de lhe exprimirmos oseu pesar por não lhe poder apresentar as suas despedidas.

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Capa do livro O Conde de Monte Cristo
Páginas: 1080
Página atual: 278

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Marselha - A Chegada 1
O pai e o filho 8
Os Catalães 14
A Conspiração 23
O banquete de noivado 28
O substituto do Procurador Régio 38
O interrogatório 47
O Castelo de If 57
A festa de noivado 66
Os Cem Dias 89
O número 34 e o número 27 106
Um sábio italiano 120
A cela do abade 128
O Tesouro 143
O terceiro ataque 153
O cemitério do Castelo de If 162
A Ilha de Tiboulen 167
Os contrabandistas 178
A ilha de Monte-Cristo 185
Deslumbramento 192
O desconhecido 200
A Estalagem da Ponte do Gard 206
O relato 217
Os registos das prisões 228
Acasa Morrel 233
O 5 de Stembro 244
Itália - Simbad, o marinheiro 257
Despertar 278
Bandidos Romanos 283
Aparição 309
A Mazzolata 327
O Carnaval de Roma 340
As Catacumbas de São Sebastião 356
O encontro 369
Os convivas 375
O almoço 392
A apresentação 403
O Sr. Bertuccio 415
A Casa de Auteuil 419
A vendetta 425
A chuva de sangue 444
O crédito ilimitado 454
A parelha pigarça 464
Ideologia 474
Haydée 484
A família Morrel 488
Píramo e Tisbe 496
Toxicologia 505
Roberto, o diabo 519
A alta e a baixa 531
O major Cavalcanti 540
Andrea Cavalcanti 548
O campo de Luzerna 557
O Sr. Noirtier de Villefort 566
O testamento 573
O telégrafo 580
Meios de livrar um jardineiro dos ratos-dos-pomares que lhe comem os pêssegos 588
Os fantasmas 596
O jantar 604
O mendigo 613
Cena conjugal 620
Projetos de casamento 629
No gabinete do Procurador Régio 637
Um baile de Verão 647
As informações 653
O baile 661
O pão e o sal 668
A Sra. de Saint-Méran 672
A promessa 682
O jazigo da família Villefort 705
A ata da sessão 713
Os progressos de Cavalcanti filho 723
Haydée 732
Escrevem-nos de Janina 748
A limonada 762
A acusação 771
O quarto do padeiro reformado 776
O assalto 790
A mão de Deus 801
Beauchamp 806
A viagem 812
O julgamento 822
A provocação 834
O insulto 840
A Noite 848
O duelo 855
A mãe e o filho 865
O suicídio 871
Valentine 879
A confissão 885
O pai e a filha 895
O contrato 903
A estrada da Bélgica 912
A estalagem do sino e da garrafa 917
A lei 928
A aparição 937
Locusta 943
Valentine 948
Maximilien 953
A assinatura de Danglars 961
O Cemitério do Père-lachaise 970
A partilha 981
O covil dos leões 994
O juiz 1001
No tribunal 1009
O libelo acusatório 1014
Expiação 1021
A partida 1028
O passado 1039
Peppino 1049
A ementa de Luigi Vampa 1058
O Perdão 1064
O 5 de Outubro 1069
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