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Capítulo 73: A promessa

Página 683
Os passos sonoros do comendador não apavoraram mais D. João do que me apavoraram aqueles passos. Por fim, a porta abriu-se. Albert de Morcerf entrou à frente e eu ia a duvidar de mim mesmo, ia crer que me enganara, quando atrás dele apareceu outro rapaz e o conde gritou: «Ah, o Sr. Barão Franz de Epinay!» Para me conter, apelei para tudo o que possuo de energia e coragem no coração. Talvez tenha empalidecido, talvez tenha tremido; mas sem dúvida nenhuma fiquei de sorriso nos lábios. No entanto, passados cinco minutos sai sem ter ouvido uma palavra do que se disse durante esses cinco minutos. Estava aniquilado.

- Pobre Maximilien! - murmurou Valentine.

- Aqui tem, Valentine. Agora responda-me como a um homem a quem a sua resposta dará a morte ou a vida: que conta fazer?

Valentine baixou a cabeça; estava acabrunhada.

- Ouça - disse Morrel -, não é a primeira vez que pensa na situação em que nos encontramos. É uma situação grave, penosa, suprema. Não creio que seja este o momento para nos entregarmos a uma dor estéril; isso é bom para aqueles que sentem prazer em sofrer e beber as suas lágrimas resignadamente. Há pessoas assim e Deus ter-lhes-á sem dúvida em conta no Céu a sua resignação na terra. Mas todo aquele que sinta vontade de lutar não perde um tempo precioso e retribui imediatamente ao destino o golpe que dele recebeu. Está disposta a lutar contra a adversidade, Valentine? Responda, pois é isso que lhe venho pedir.

Valentine estremeceu e cravou em Morrel uns grandes olhos assustados. A ideia de resistir ao pai, à avó, a toda a família, enfim, nem sequer lhe ocorrera.

- Que me diz, Maximilien? - perguntou Valentine. - A que chama luta? Oh, isso é um sacrilégio! O quê, eu lutar contra a ordem de meu pai, contra a vontade de minha avó moribunda?! É impossível! - Morrel fez um movimento. - O senhor é um coração demasiado nobre para me não compreender, e compreende-me muito bem, querido Maximilien, pois vejo-o calado. Lutar, eu? Deus me livre! Não, não. Guardo toda a minha energia para lutar contra mim mesma e beber as minhas lágrimas, como o senhor diz. Quanto a afligir meu pai, quanto a perturbar os últimos momentos da minha avó, nunca!

- Tem toda a razão - respondeu fleumaticamente Morrel.

- Como o senhor me diz isso, meu Deus! - exclamou Valentine, magoada.

- Digo-lhe isto como um homem que a admira, menina - acrescentou Maximilien.

- Menina! - exclamou Valentine. - Menina! Oh, o egoísta, não vê o meu desespero e finge não me compreender!

- Engana-se. Pelo contrário, compreendo-a perfeitamente.

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Capa do livro O Conde de Monte Cristo
Páginas: 1080
Página atual: 683

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Marselha - A Chegada 1
O pai e o filho 8
Os Catalães 14
A Conspiração 23
O banquete de noivado 28
O substituto do Procurador Régio 38
O interrogatório 47
O Castelo de If 57
A festa de noivado 66
Os Cem Dias 89
O número 34 e o número 27 106
Um sábio italiano 120
A cela do abade 128
O Tesouro 143
O terceiro ataque 153
O cemitério do Castelo de If 162
A Ilha de Tiboulen 167
Os contrabandistas 178
A ilha de Monte-Cristo 185
Deslumbramento 192
O desconhecido 200
A Estalagem da Ponte do Gard 206
O relato 217
Os registos das prisões 228
Acasa Morrel 233
O 5 de Stembro 244
Itália - Simbad, o marinheiro 257
Despertar 278
Bandidos Romanos 283
Aparição 309
A Mazzolata 327
O Carnaval de Roma 340
As Catacumbas de São Sebastião 356
O encontro 369
Os convivas 375
O almoço 392
A apresentação 403
O Sr. Bertuccio 415
A Casa de Auteuil 419
A vendetta 425
A chuva de sangue 444
O crédito ilimitado 454
A parelha pigarça 464
Ideologia 474
Haydée 484
A família Morrel 488
Píramo e Tisbe 496
Toxicologia 505
Roberto, o diabo 519
A alta e a baixa 531
O major Cavalcanti 540
Andrea Cavalcanti 548
O campo de Luzerna 557
O Sr. Noirtier de Villefort 566
O testamento 573
O telégrafo 580
Meios de livrar um jardineiro dos ratos-dos-pomares que lhe comem os pêssegos 588
Os fantasmas 596
O jantar 604
O mendigo 613
Cena conjugal 620
Projetos de casamento 629
No gabinete do Procurador Régio 637
Um baile de Verão 647
As informações 653
O baile 661
O pão e o sal 668
A Sra. de Saint-Méran 672
A promessa 682
O jazigo da família Villefort 705
A ata da sessão 713
Os progressos de Cavalcanti filho 723
Haydée 732
Escrevem-nos de Janina 748
A limonada 762
A acusação 771
O quarto do padeiro reformado 776
O assalto 790
A mão de Deus 801
Beauchamp 806
A viagem 812
O julgamento 822
A provocação 834
O insulto 840
A Noite 848
O duelo 855
A mãe e o filho 865
O suicídio 871
Valentine 879
A confissão 885
O pai e a filha 895
O contrato 903
A estrada da Bélgica 912
A estalagem do sino e da garrafa 917
A lei 928
A aparição 937
Locusta 943
Valentine 948
Maximilien 953
A assinatura de Danglars 961
O Cemitério do Père-lachaise 970
A partilha 981
O covil dos leões 994
O juiz 1001
No tribunal 1009
O libelo acusatório 1014
Expiação 1021
A partida 1028
O passado 1039
Peppino 1049
A ementa de Luigi Vampa 1058
O Perdão 1064
O 5 de Outubro 1069