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Capítulo 95: O pai e a filha

Página 901
Trata-se de um investimento hipotecário, o que é um progresso, como verás, pois teremos pelo menos dez, quinze, vinte, cem libras de ferro em troca do nosso dinheiro. Pois bem, pela minha parte tenho de depositar dentro de oito dias quatro milhões! Quatro milhões, repito-te, que renderão dez ou doze.

- Mas durante a visita que lhe fiz anteontem, senhor, e de que se dignou lembrar-se - redarguiu Eugénie -, vi-o receber em depósito (é este o termo, não é?) cinco milhões e meio. Até me mostrou esse dinheiro em dois saques sobre o Tesouro, e se admirou de que um papel de tão grande valor me não deslumbrasse como se fosse um relâmpago.

- Pois sim, mas esses cinco milhões e meio não me pertencem, são apenas uma prova da confiança que depositam em mim O meu título de banqueiro popular valeu-me a confiança dos hospitais, e os cinco milhões e meio são dos hospitais. Noutro tempo, não hesitaria em servir-me deles, mas hoje são conhecidos os grandes prejuízos; que tenho sofrido e, como te disse, o crédito começa a fugir-me. De um momento para o outro, a administração pode reclamar o depósito e se o tivesse empregado noutra coisa seria obrigado a abrir falência fraudulenta. Não receio as falências, acredita, mas as falências que enriquecem e não as que arruinam. Ora, se casares com o Sr. Cavalcanti e eu receber os três milhões do dote, ou mesmo só que acreditem que os recebi ou vou receber, o meu crédito restabelece-se e a minha fortuna, que há um ou dois meses se engolfou em abismos abertos sob os meus passos por uma fatalidade inconcebível, consolida-se. Compreendes?

- Perfeitamente. Empenha-me por três milhões, não é?

- Quanto mais alta a importância, mais lisonjeira; dá-te uma ideia do teu valor.

- Obrigada. Só mais uma palavra, senhor: promete-me que, embora servindo-se à vontade do valor nominal do dote que deve trazer o Sr. Cavalcanti, não tocará no dinheiro? Não se trata de um caso de egoísmo, trata-se de um caso de delicadeza. Desejo muito ajudá-lo a recuperar a sua fortuna, mas não quero ser sua cúmplice na ruína dos outros.

- Mas se te digo que com esses três milhões... - começou a protestar Danglars.

- Acha que se pode tirar de apuros, senhor, sem necessitar de mexer nesses três milhões?

- Assim espero, mas sempre com a condição de o casamento consolidar o meu crédito.

- Poderá pagar ao Sr. Cavalcanti os quinhentos mil francos que me dá pelo meu contrato?

- Recebê-los-á assim que regressarmos do registo civil.

- Óptimo!

- Óptimo?... Que queres dizer?

- Quero dizer que, logo que assine, poderei dispor livremente da minha pessoa?

- Absolutamente.

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Capa do livro O Conde de Monte Cristo
Páginas: 1080
Página atual: 901

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Marselha - A Chegada 1
O pai e o filho 8
Os Catalães 14
A Conspiração 23
O banquete de noivado 28
O substituto do Procurador Régio 38
O interrogatório 47
O Castelo de If 57
A festa de noivado 66
Os Cem Dias 89
O número 34 e o número 27 106
Um sábio italiano 120
A cela do abade 128
O Tesouro 143
O terceiro ataque 153
O cemitério do Castelo de If 162
A Ilha de Tiboulen 167
Os contrabandistas 178
A ilha de Monte-Cristo 185
Deslumbramento 192
O desconhecido 200
A Estalagem da Ponte do Gard 206
O relato 217
Os registos das prisões 228
Acasa Morrel 233
O 5 de Stembro 244
Itália - Simbad, o marinheiro 257
Despertar 278
Bandidos Romanos 283
Aparição 309
A Mazzolata 327
O Carnaval de Roma 340
As Catacumbas de São Sebastião 356
O encontro 369
Os convivas 375
O almoço 392
A apresentação 403
O Sr. Bertuccio 415
A Casa de Auteuil 419
A vendetta 425
A chuva de sangue 444
O crédito ilimitado 454
A parelha pigarça 464
Ideologia 474
Haydée 484
A família Morrel 488
Píramo e Tisbe 496
Toxicologia 505
Roberto, o diabo 519
A alta e a baixa 531
O major Cavalcanti 540
Andrea Cavalcanti 548
O campo de Luzerna 557
O Sr. Noirtier de Villefort 566
O testamento 573
O telégrafo 580
Meios de livrar um jardineiro dos ratos-dos-pomares que lhe comem os pêssegos 588
Os fantasmas 596
O jantar 604
O mendigo 613
Cena conjugal 620
Projetos de casamento 629
No gabinete do Procurador Régio 637
Um baile de Verão 647
As informações 653
O baile 661
O pão e o sal 668
A Sra. de Saint-Méran 672
A promessa 682
O jazigo da família Villefort 705
A ata da sessão 713
Os progressos de Cavalcanti filho 723
Haydée 732
Escrevem-nos de Janina 748
A limonada 762
A acusação 771
O quarto do padeiro reformado 776
O assalto 790
A mão de Deus 801
Beauchamp 806
A viagem 812
O julgamento 822
A provocação 834
O insulto 840
A Noite 848
O duelo 855
A mãe e o filho 865
O suicídio 871
Valentine 879
A confissão 885
O pai e a filha 895
O contrato 903
A estrada da Bélgica 912
A estalagem do sino e da garrafa 917
A lei 928
A aparição 937
Locusta 943
Valentine 948
Maximilien 953
A assinatura de Danglars 961
O Cemitério do Père-lachaise 970
A partilha 981
O covil dos leões 994
O juiz 1001
No tribunal 1009
O libelo acusatório 1014
Expiação 1021
A partida 1028
O passado 1039
Peppino 1049
A ementa de Luigi Vampa 1058
O Perdão 1064
O 5 de Outubro 1069
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