Um Caso Tenebroso - Cap. 8: VIII-UM RECANTO DA FLORESTA Pág. 88 / 249

- Não te esqueças de que já hoje tiveste sorte duas vezes, vai! E traz-mos, esconde-os neste subterrâneo; aqui ninguém dará com eles. Só eu não poderei servir-lhes para nada - acrescentou, furiosa -, seria uma pista para o inimigo. Os polícias nunca se lembrarão de que os meus parentes possam regressar à ma ta se me virem sossegada. Tudo está agora em conseguirem cinco cavalos para regressarem, em seis horas, de Lagny à nossa floresta. Cinco cavalos para deixarem os esfalfados numa moita.

- E dinheiro? - inquiriu Michu, que cismava enquanto a condessa falava.

- Dei esta noite cem luíses aos meus primos.

-Eu respondo por eles - tornou-lhe Michu.- Uma vez aqui escondidos, não pense em vê-los; minha mulher ou o meu pequeno se encarregarão de lhes trazer comida duas vezes por semana. Mas, como não posso responder por mim, fique sabendo, Menina, que, em caso de azar; a trave mestra do sótão do meu pavilhão foi perfurada com uma pua. No orifício, tapado com uma grossa cunha de madeira, está o plano de um dos recantos da floresta. As árvores em que veja, no plano, uma pinta vermelha, têm no terreno uma marca preta junto ao pé. No terceiro carvalho velho à esquerda de cada uma das árvores marcadas, dois pés na frente do tronco, há canudos de lata enterrados a sete pés de profundidade, cada um com cem mil francos oiro. Essas onze árvores, apenas onze, constituem toda a fortuna dos Simeuse, uma vez que ficaram sem Gondreville.

- Serão precisos cem anos para a nobreza se refazer dos golpes que lhe deram! - disse, lentamente, a Menina de Cinq-Cygne.

- Não há nenhuma palavra de passe? - perguntou Michu.

- França e Carlos! para os soldados; Laurence e Luís, para os Senhores de Hauteserre e de Simeuse. Meu Deus! Tê-los visto ontem pela primeira vez depois de onze anos de separação e sabê-los já hoje em perigo de vida.





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