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Capítulo 23: A ilha de Monte-Cristo

Página 190
Quanto a ele, afirmou que precisava apenas de um bocadinho de repouso e que quando regressassem o encontrariam melhor. Os marinheiros não se fizeram demasiado rogados. Tinham fome, e o cheiro do cabrito chegava até eles e entre lobos-do-mar não se fazem muitas cerimónias.

Uma hora depois voltaram. Mas tudo o que Edmond conseguira fazer fora arrastar-se uma dezena de passos para se encostar a uma rocha musgosa. No entanto, longe de diminuírem, as dores de Dantès parece que tinham aumentado de violência. O velho patrão, obrigado a partir de manhã para ir descarregar nas fronteiras do Piemonte e da França, entre Nice e Fréjus, insistiu com Dantès para que tentasse levantar-se. O rapaz fez esforços sobre-humanos para lhe fazer a vontade, mas a cada esforço tornava a cair, a gemer e pálido.

- Tem os rins partidos - disse baixinho o patrão. - Não importa, é um bom companheiro e não devemos abandoná-lo.

Vejamos se conseguimos transportá-lo para a tartana.

Mas Dantès declarou que preferia morrer onde estava do que suportar as dores atrozes que lhe ocasionaria qualquer movimento, por mais ligeiro que fosse.

- Bom - disse o patrão - aconteça o que acontecer, ninguém dirá que deixámos sem socorro um bom companheiro. Só partiremos à tardinha.

Esta decisão surpreendeu muito os tripulantes, embora nenhum deles a desaprovasse, antes pelo contrário. O patrão era um homem muito rígido e viam-no pela primeira vez renunciar a uma empresa ou pelo menos adiar a sua execução.

Por isso Dantès não permitiu que por sua causa se cometesse tão grave infracção às regras de disciplina estabelecida abordo.

- Não - disse ao patrão -, fui imprudente e é justo que sofra as consequências da minha imprudência. Deixem-me uma pequena provisão de bolachas, uma espingarda, pólvora e balas para matar os cabritos, ou mesmo para me defender, e um enxadão para construir, se demorarem muito tempo a vir-me buscar, uma espécie de casa.

- Mas morrerás de fome - objectou o patrão.

- Prefiro assim - respondeu Edmond - a sofrer as dores inauditas que um só movimento me ocasiona.

O patrão virou-se para o lado do navio, que balouçava, com um princípio de aparelhagem, no portinho, pronto a fazer-se ao mar logo que a sua toilette estivesse concluída.

- Que havemos de fazer, maltês? - perguntou. - Não te podemos abandonar assim, mas também não podemos ficar...

- Partam, partam! - gritou Dantès.

- Estaremos pelo menos oito dias ausentes - declarou o patrão -e além disso teremos de nos desviar da nossa rota para te vir buscar.

- Escute - disse Dantès. - Se dentro de dois ou três dias encontrar algum barco de pesca ou outro que venha para estas paragens, recomende-me. Pagarei vinte e cinco piastras pelo meu regresso a Liorne. Se não encontrar nenhum barco, volte por cá.

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Capa do livro O Conde de Monte Cristo
Páginas: 1080
Página atual: 190

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Marselha - A Chegada 1
O pai e o filho 8
Os Catalães 14
A Conspiração 23
O banquete de noivado 28
O substituto do Procurador Régio 38
O interrogatório 47
O Castelo de If 57
A festa de noivado 66
Os Cem Dias 89
O número 34 e o número 27 106
Um sábio italiano 120
A cela do abade 128
O Tesouro 143
O terceiro ataque 153
O cemitério do Castelo de If 162
A Ilha de Tiboulen 167
Os contrabandistas 178
A ilha de Monte-Cristo 185
Deslumbramento 192
O desconhecido 200
A Estalagem da Ponte do Gard 206
O relato 217
Os registos das prisões 228
Acasa Morrel 233
O 5 de Stembro 244
Itália - Simbad, o marinheiro 257
Despertar 278
Bandidos Romanos 283
Aparição 309
A Mazzolata 327
O Carnaval de Roma 340
As Catacumbas de São Sebastião 356
O encontro 369
Os convivas 375
O almoço 392
A apresentação 403
O Sr. Bertuccio 415
A Casa de Auteuil 419
A vendetta 425
A chuva de sangue 444
O crédito ilimitado 454
A parelha pigarça 464
Ideologia 474
Haydée 484
A família Morrel 488
Píramo e Tisbe 496
Toxicologia 505
Roberto, o diabo 519
A alta e a baixa 531
O major Cavalcanti 540
Andrea Cavalcanti 548
O campo de Luzerna 557
O Sr. Noirtier de Villefort 566
O testamento 573
O telégrafo 580
Meios de livrar um jardineiro dos ratos-dos-pomares que lhe comem os pêssegos 588
Os fantasmas 596
O jantar 604
O mendigo 613
Cena conjugal 620
Projetos de casamento 629
No gabinete do Procurador Régio 637
Um baile de Verão 647
As informações 653
O baile 661
O pão e o sal 668
A Sra. de Saint-Méran 672
A promessa 682
O jazigo da família Villefort 705
A ata da sessão 713
Os progressos de Cavalcanti filho 723
Haydée 732
Escrevem-nos de Janina 748
A limonada 762
A acusação 771
O quarto do padeiro reformado 776
O assalto 790
A mão de Deus 801
Beauchamp 806
A viagem 812
O julgamento 822
A provocação 834
O insulto 840
A Noite 848
O duelo 855
A mãe e o filho 865
O suicídio 871
Valentine 879
A confissão 885
O pai e a filha 895
O contrato 903
A estrada da Bélgica 912
A estalagem do sino e da garrafa 917
A lei 928
A aparição 937
Locusta 943
Valentine 948
Maximilien 953
A assinatura de Danglars 961
O Cemitério do Père-lachaise 970
A partilha 981
O covil dos leões 994
O juiz 1001
No tribunal 1009
O libelo acusatório 1014
Expiação 1021
A partida 1028
O passado 1039
Peppino 1049
A ementa de Luigi Vampa 1058
O Perdão 1064
O 5 de Outubro 1069
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