Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 59: O testamento

Página 574
O Sr. Noirtier, privado da voz, privado de movimento, fecha os olhos quando quer dizer sim e pestaneja várias vezes quando quer dizer não. Sabe agora, senhor, o suficiente para falar com o Sr. Noirtier. Experimente.

O olhar que o velho deitou a Valentine estava tão húmido de ternura e reconhecimento que o próprio notário o compreendeu.

- Ouviu e compreendeu o que acaba de dizer a sua neta, senhor? - perguntou o notário.

Noirtier fechou suavemente os olhos e abriu-os um instante depois.

- E aprova o que ela disse, isto é, que os sinais indicados por ela são de facto aqueles com o auxílio dos quais o senhor faz compreender o seu pensamento?

- Aprovo - respondeu novamente o velho.

- Foi o senhor que me mandou chamar?

- Fui.

- Para fazer o seu testamento?

- Sim.

- E não quer que me retire sem ter feito esse testamento?

O paralítico pestanejou vivamente e por diversas vezes.

- Então, senhor, compreende agora e a sua consciência já está tranquila? - perguntou a jovem.

Mas antes de o notário ter tempo de responder, Villefort puxou-o à parte.

- Senhor, parece-lhe que um homem possa suportar impunemente um abalo físico tão terrível como o que experimentou o Sr. Noirtier de Villefort sem que o próprio moral tenha sido gravemente atingido?

- Isso não é precisamente o que me inquieta, senhor respondeu o notário.

- O que pergunto a mim mesmo é como conseguiremos adivinhar-lhe os pensamentos, a fim de lhe provocar as respostas.

- Bem vê que é impossível - insistiu Villefort.

Valentine e o velho ouviam esta conversa. Noirtier pousou um olhar tão fixo e tão firme em Valentine que esta compreendeu que tal olhar exigia evidentemente uma resposta.

- Senhor - interveio -, não se preocupe com isso. Por mais difícil que seja, ou antes, que lhe pareça descobrir o pensamento do meu avô, revelar-lho-ei de forma a desfazer todas as dúvidas a esse respeito. Há seis anos que convivo de perto com o Sr. Noirtier e ele próprio que diga se, nesses seis anos, um só dos seus desejos ficou sepultado no seu coração por não conseguir dar-mo a entender.

- Não - respondeu o velho.

- Experimentemos então - disse o notário. - Aceita esta menina como a sua intérprete? O paralítico fez sinal que sim.

- Muito bem. Vejamos então, senhor, que deseja de mim, qual é o acto que pretende praticar...

Valentine recitou todas as letras do alfabeto até à letra T

Uma eloquente olhadela de Noirtier deteve-a nessa altura.

- O senhor pede a letra T - disse o notário. - A escolha é visível.

- Espere - pediu Valentine, que em seguida se virou para o avô e recitou: - Ta... te...

<< Página Anterior

pág. 574 (Capítulo 59)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro O Conde de Monte Cristo
Páginas: 1080
Página atual: 574

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Marselha - A Chegada 1
O pai e o filho 8
Os Catalães 14
A Conspiração 23
O banquete de noivado 28
O substituto do Procurador Régio 38
O interrogatório 47
O Castelo de If 57
A festa de noivado 66
Os Cem Dias 89
O número 34 e o número 27 106
Um sábio italiano 120
A cela do abade 128
O Tesouro 143
O terceiro ataque 153
O cemitério do Castelo de If 162
A Ilha de Tiboulen 167
Os contrabandistas 178
A ilha de Monte-Cristo 185
Deslumbramento 192
O desconhecido 200
A Estalagem da Ponte do Gard 206
O relato 217
Os registos das prisões 228
Acasa Morrel 233
O 5 de Stembro 244
Itália - Simbad, o marinheiro 257
Despertar 278
Bandidos Romanos 283
Aparição 309
A Mazzolata 327
O Carnaval de Roma 340
As Catacumbas de São Sebastião 356
O encontro 369
Os convivas 375
O almoço 392
A apresentação 403
O Sr. Bertuccio 415
A Casa de Auteuil 419
A vendetta 425
A chuva de sangue 444
O crédito ilimitado 454
A parelha pigarça 464
Ideologia 474
Haydée 484
A família Morrel 488
Píramo e Tisbe 496
Toxicologia 505
Roberto, o diabo 519
A alta e a baixa 531
O major Cavalcanti 540
Andrea Cavalcanti 548
O campo de Luzerna 557
O Sr. Noirtier de Villefort 566
O testamento 573
O telégrafo 580
Meios de livrar um jardineiro dos ratos-dos-pomares que lhe comem os pêssegos 588
Os fantasmas 596
O jantar 604
O mendigo 613
Cena conjugal 620
Projetos de casamento 629
No gabinete do Procurador Régio 637
Um baile de Verão 647
As informações 653
O baile 661
O pão e o sal 668
A Sra. de Saint-Méran 672
A promessa 682
O jazigo da família Villefort 705
A ata da sessão 713
Os progressos de Cavalcanti filho 723
Haydée 732
Escrevem-nos de Janina 748
A limonada 762
A acusação 771
O quarto do padeiro reformado 776
O assalto 790
A mão de Deus 801
Beauchamp 806
A viagem 812
O julgamento 822
A provocação 834
O insulto 840
A Noite 848
O duelo 855
A mãe e o filho 865
O suicídio 871
Valentine 879
A confissão 885
O pai e a filha 895
O contrato 903
A estrada da Bélgica 912
A estalagem do sino e da garrafa 917
A lei 928
A aparição 937
Locusta 943
Valentine 948
Maximilien 953
A assinatura de Danglars 961
O Cemitério do Père-lachaise 970
A partilha 981
O covil dos leões 994
O juiz 1001
No tribunal 1009
O libelo acusatório 1014
Expiação 1021
A partida 1028
O passado 1039
Peppino 1049
A ementa de Luigi Vampa 1058
O Perdão 1064
O 5 de Outubro 1069
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site