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Capítulo 64: O mendigo

Página 614

Uma coisa sobretudo aumentou a consideração, quase diríamos a veneração de Danglars por Cavalcanti. Este, fiel aos princípios de Horácio: nil admirari, limitara-se, como vimos, a dar provas de saber dizendo em que lago se pescavam as melhores lampreias. Depois comera a sua parte daquela sem dizer uma única palavra. Danglars concluíra daí que semelhantes espécies de sumptuosidades eram familiares ao ilustre descendente dos Cavalcanti, o qual provavelmente se alimentava em Luca com trutas que mandava vir da Suíça e com lagostas que lhe enviavam da Bretanha por processos idênticos àqueles de que o conde se servira para mandar vir lampreias do lago Fusaro, e esturjões do rio Volga. Por isso, acolhera com muita satisfação estas palavras de Cavalcanti.

- Amanhã, senhor, terei a honra de o visitar para tratarmos de negócios.

- E eu, senhor, sentir-me-ei honrado em o receber – respondera Danglars.

Em seguida propusera a Cavalcanti, desde que não lhe custasse muito separar-se do filho, acompanhá-lo ao Hotel dos Princes.

Cavalcanti respondeu que o filho estava habituado, havia muito tempo, a levar vida de rapaz independente; que, portanto, tinha os seus cavalos e as suas carruagens, e que, como não tinham vindo juntos, não via dificuldade em que se fossem embora separadamente.

O major subira pois para a carruagem de Danglars e o banqueiro sentara-se a seu lado, cada vez mais encantado com as ideias de ordem e economia daquele homem, que no entanto dava ao filho cinquenta mil francos por ano, o que supunha a existência de uma fortuna que lhe proporcionava quinhentas ou seiscentas mil libras de rendimento.

Quanto a Andrea, começou por se dar ares, ralhando ao groom por, em vez de o ir buscar à escadaria, o esperar à porta de saída, o que o obrigara ao incómodo de percorrer trinta passos para ir ao encontro do seu tílburi.

O groom recebeu a descompostura com humildade, pegou com a mão esquerda no freio, para segurar o cavalo impaciente e que batia com as patas, e estendeu com a direita as rédeas a Andrea, que as recebeu e pousou ligeiramente a bota de verniz no estribo.

Nesse momento apoiou-se-lhe uma mão no ombro. O rapaz virou-se, pensando que Danglars ou Monte-Cristo se tinham esquecido de lhe dizer alguma coisa e voltavam à carga no momento da partida.

Mas, em vez de um ou de outro, viu apenas uma figura estranha, tisnada pelo sol, de barba hirsuta, olhos brilhantes como carbúnculos e sorriso trocista numa boca onde brilhavam, alinhados no seu lugar e sem que lhe faltasse um só, trinta e dois dentes brancos, aguçados e famintos, como os de um lobo ou de um chacal.

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Capa do livro O Conde de Monte Cristo
Páginas: 1080
Página atual: 614

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Marselha - A Chegada 1
O pai e o filho 8
Os Catalães 14
A Conspiração 23
O banquete de noivado 28
O substituto do Procurador Régio 38
O interrogatório 47
O Castelo de If 57
A festa de noivado 66
Os Cem Dias 89
O número 34 e o número 27 106
Um sábio italiano 120
A cela do abade 128
O Tesouro 143
O terceiro ataque 153
O cemitério do Castelo de If 162
A Ilha de Tiboulen 167
Os contrabandistas 178
A ilha de Monte-Cristo 185
Deslumbramento 192
O desconhecido 200
A Estalagem da Ponte do Gard 206
O relato 217
Os registos das prisões 228
Acasa Morrel 233
O 5 de Stembro 244
Itália - Simbad, o marinheiro 257
Despertar 278
Bandidos Romanos 283
Aparição 309
A Mazzolata 327
O Carnaval de Roma 340
As Catacumbas de São Sebastião 356
O encontro 369
Os convivas 375
O almoço 392
A apresentação 403
O Sr. Bertuccio 415
A Casa de Auteuil 419
A vendetta 425
A chuva de sangue 444
O crédito ilimitado 454
A parelha pigarça 464
Ideologia 474
Haydée 484
A família Morrel 488
Píramo e Tisbe 496
Toxicologia 505
Roberto, o diabo 519
A alta e a baixa 531
O major Cavalcanti 540
Andrea Cavalcanti 548
O campo de Luzerna 557
O Sr. Noirtier de Villefort 566
O testamento 573
O telégrafo 580
Meios de livrar um jardineiro dos ratos-dos-pomares que lhe comem os pêssegos 588
Os fantasmas 596
O jantar 604
O mendigo 613
Cena conjugal 620
Projetos de casamento 629
No gabinete do Procurador Régio 637
Um baile de Verão 647
As informações 653
O baile 661
O pão e o sal 668
A Sra. de Saint-Méran 672
A promessa 682
O jazigo da família Villefort 705
A ata da sessão 713
Os progressos de Cavalcanti filho 723
Haydée 732
Escrevem-nos de Janina 748
A limonada 762
A acusação 771
O quarto do padeiro reformado 776
O assalto 790
A mão de Deus 801
Beauchamp 806
A viagem 812
O julgamento 822
A provocação 834
O insulto 840
A Noite 848
O duelo 855
A mãe e o filho 865
O suicídio 871
Valentine 879
A confissão 885
O pai e a filha 895
O contrato 903
A estrada da Bélgica 912
A estalagem do sino e da garrafa 917
A lei 928
A aparição 937
Locusta 943
Valentine 948
Maximilien 953
A assinatura de Danglars 961
O Cemitério do Père-lachaise 970
A partilha 981
O covil dos leões 994
O juiz 1001
No tribunal 1009
O libelo acusatório 1014
Expiação 1021
A partida 1028
O passado 1039
Peppino 1049
A ementa de Luigi Vampa 1058
O Perdão 1064
O 5 de Outubro 1069
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