Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 14: CAPÍTULO II

Página 85
CAPÍTULO II

Sr. Redator. - Em Gibraltar fomos para Club House-Hotel. Os quartos abriam sobre a muralha do mar; víamos em frente, afogada numa luz admirável, uma linha de montanhas, e mais longe, do lado do estreito, nas brumas esbatidas, a terra de Africa.

Fomos passear logo num daqueles carros de Gibraltar que são dois bancos paralelos, costas com costas, assentes sobre duas rodas enormes, puxados por um cavalo inglês robusto, rápido, e tendo já adquirido nas convivências espanholas um espirito teimoso.

O belo passeio de Gibraltar é uma estrada, que, a meia vertente por cima da cidade, contorna a montanha, e é orlada de cottages, de jardins, de pomares, cheios já das estranhas e poderosas vegetações do Oriente, aloés, nopais, catos e palmeiras; e vê-se sempre, através da folhagem, lá no fundo, a azul imobilidade luminosa do Mediterrâneo.

A condessa estava encantada: aquela luz ampla e magnífica, a água pesada pelo sol, o silêncio religioso do espaço azul, as brumas vaporosas e roxas das montanhas, a vigorosa força das vegetações, tudo dava àquela pobre alma contraída uma expressão inesperada. Ria, queria correr, tinha verve, e uma luz bailava-lhe nos olhos.

Fomos sentar-nos no jardim de Gibraltar. Os senhores ingleses artilharam-no talvez um pouco de mais. Não há fontes, mas há estátuas de generais; as pirâmides de balas estão encobertas pelas moitas de rosas, e a estupida impassibilidade dos canhões assenta sob arbustos de magnólias. Mas que serenidade! Que silencio abstrato e divino! Que ar imortal! Parece que as coisas, os seres vegetais, a terra, a luz, tudo está parado, absorto numa contemplação, suspenso, escutando, respirando sem rumor! Em baixo está o Mediterrâneo, liso como um cetim, delicado, coberto de luz.

<< Página Anterior

pág. 85 (Capítulo 14)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro O Mistério da Estrada de Sintra
Páginas: 245
Página atual: 85

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
CARTA AO EDITOR, 1
PRIMEIRA PARTE - EXPOSIÇÃO DO DOUTOR
CAPÍTULO I
5
CAPÍTULO II 10
CAPÍTULO III 14
CAPÍTULO IV 18
CAPÍTULO V 25
CAPÍTULO VI 30
CAPÍTULO VII 37
SEGUNDA PARTE - INTERVENÇÃO DE Z.
CAPÍTULO I
44
TERCEIRA PARTE - DE F… AO MÉDICO
CAPÍTULO I
50
CAPÍTULO II 56
CAPÍTULO III 60
QUARTA PARTE - NARRATIVA DO MASCARADO ALTO
CAPÍTULO I
79
CAPÍTULO II 85
CAPÍTULO III 91
CAPÍTULO IV 94
CAPÍTULO V 102
CAPÍTULO VI 108
CAPÍTULO VII 113
CAPÍTULO VIII 118
CAPÍTULO IX 123
CAPÍTULO X 125
CAPÍTULO XI 130
CAPÍTULO XII 134
CAPÍTULO XIII 138
CAPÍTULO XIV 143
CAPÍTULO XV 149
QUINTA PARTE - AS REVELAÇÕES DE A. M. C.
CAPÍTULO I
154
CAPÍTULO II 163
CAPÍTULO III 165
CAPÍTULO IV 170
CAPÍTULO V 182
CAPÍTULO VI 187
SEXTA PARTE - A CONFISSÃO DELA
CAPÍTULO I
190
CAPÍTULO II 195
CAPÍTULO III 197
CAPÍTULO IV 204
CAPÍTULO V 208
CAPÍTULO VI 213
CAPÍTULO VII 217
CAPÍTULO VIII 221
CAPÍTULO IX 226
CAPÍTULO X 231
SÉTIMA PARTE - CONCLUEM AS REVELAÇÕES DE A. M. C.
CAPÍTULO I
236
CAPÍTULO II 240
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site