Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 21: CAPÍTULO IX

Página 123
CAPÍTULO IX

Ritmel precipitou-se sobre mim e arrancou-me o revólver.

Eu murmurei simplesmente:

- Bem! Será no primeiro porto a que chegarmos.

A condessa então adiantou-se, lívida como a cal e disse (nunca me esqueceu o som da sua voz):

- Ritmel, voltemos para Malta.

- Voltar para Malta! Voltar para Malta! Para quê, santo Deus!

Eu interpus-me, disse as coisas mais loucas:

- Ritmel, dê-me esse revolver, sejamos homens. Que as nossas ações tenham a altura dos nossos carateres. Nada mais simples. Nem a paixão pode retroceder, nem a honra condescender. A solução é a morte. Eu mato-me, fugi vós para bem longe…

Mas a condessa, que era a única que parecia ter ainda uma luz de razão dentro de si, repetiu, com a mesma firmeza, onde se sentia a dor oculta:

- Ritmel, voltemos para Malta.

Ele olhou-a um momento: a consciência da nossa odiosa situação pareceu então invadi-lo, subjuga-lo; vergou os ombros, obedeceu, foi dizer algumas palavras ao capitão do yacht.

Daí a um instante corríamos sobre Malta.

Houve um grande silêncio, como o cansaço daquela luta da paixão. Ritmel passeava rapidamente pelo convés, e sob a serenidade do seu rosto, sentia-se a tormenta que lhe ia dentro.

- Aqui está! disse ele de repente, parando e cruzando os braços, com um estranho fogo nos olhos. Acabou tudo! Voltamos para Malta. Que mais querem? Que nos resta agora? Dizer-nos adeus para sempre, para sempre! Íamos a Alexandria; estávamos salvos, sós, novos, felizes! E agora? Felicidade, amor, paixão, esperança, alegria, acabou tudo. Ah, pobre ingénuo! Falam-te na honra! Que honra a que me vai matar todos os dias, a que me arranca do meu paraíso, a que me torna o último desditoso! Honra! Que me resta a mim? Uma bala na India.

<< Página Anterior

pág. 123 (Capítulo 21)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro O Mistério da Estrada de Sintra
Páginas: 245
Página atual: 123

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
CARTA AO EDITOR, 1
PRIMEIRA PARTE - EXPOSIÇÃO DO DOUTOR
CAPÍTULO I
5
CAPÍTULO II 10
CAPÍTULO III 14
CAPÍTULO IV 18
CAPÍTULO V 25
CAPÍTULO VI 30
CAPÍTULO VII 37
SEGUNDA PARTE - INTERVENÇÃO DE Z.
CAPÍTULO I
44
TERCEIRA PARTE - DE F… AO MÉDICO
CAPÍTULO I
50
CAPÍTULO II 56
CAPÍTULO III 60
QUARTA PARTE - NARRATIVA DO MASCARADO ALTO
CAPÍTULO I
79
CAPÍTULO II 85
CAPÍTULO III 91
CAPÍTULO IV 94
CAPÍTULO V 102
CAPÍTULO VI 108
CAPÍTULO VII 113
CAPÍTULO VIII 118
CAPÍTULO IX 123
CAPÍTULO X 125
CAPÍTULO XI 130
CAPÍTULO XII 134
CAPÍTULO XIII 138
CAPÍTULO XIV 143
CAPÍTULO XV 149
QUINTA PARTE - AS REVELAÇÕES DE A. M. C.
CAPÍTULO I
154
CAPÍTULO II 163
CAPÍTULO III 165
CAPÍTULO IV 170
CAPÍTULO V 182
CAPÍTULO VI 187
SEXTA PARTE - A CONFISSÃO DELA
CAPÍTULO I
190
CAPÍTULO II 195
CAPÍTULO III 197
CAPÍTULO IV 204
CAPÍTULO V 208
CAPÍTULO VI 213
CAPÍTULO VII 217
CAPÍTULO VIII 221
CAPÍTULO IX 226
CAPÍTULO X 231
SÉTIMA PARTE - CONCLUEM AS REVELAÇÕES DE A. M. C.
CAPÍTULO I
236
CAPÍTULO II 240
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site