Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 41: CAPÍTULO VIII

Página 221
CAPÍTULO VIII

Transcrevo textualmente essa carta terrível:

«Querida: - Tenho aqui no meu quarto, diante de mim, as minhas malas fechadas e afiveladas: Tenho o meu passaporte… É verdade! não te esqueças de tirar o teu. Escrevi a minha mãe. Escrevi a um amigo querido, que vive na intimidade da minha vida. Por isso bem vês que te escrevo, na austera firmeza da tua resolução. Sou só. O meu destino tenho-o aqui preso na minha mão, como um pássaro, ou como uma luva: posso pousa-lo sobre a tolda de um paquete, pô-lo numa mesa de jogo em cima de uma carta, coloca-lo na ponta de uma espada, ou fechar-to na mão e dar-to. Mas tu pelas condições da tua vida tens um lugar definido no mundo, limitado e circunscrito. Estás presa, por um anel de casamento, a uma ordem de coisas, a um certo número de leis, e és na vida como um navio ancorado no mar. Por isso é justo que antes de te separares violentamente do teu centro legítimo, eu, que tenho a experiencia das desgraças, das viagens, e do espetáculo do mundo, te diga algumas palavras, que, se não me tornarem mais amado ao teu coração, tornar-me-ão mais estimado ao teu carater. Fias-te de mais no amor, minha doce amiga! Abstrai neste momento de mim, da minha honra e da minha fidelidade. Falo do amor, lei ou mistério ou símbolo, força natural ou invenção literária. Fias-te de mais no amor! Aquele amparo superior, aquele apoio solido e protetor,

que todo o espirito procura no mundo, e que uns acham na família, outros na ciência, outros na arte, tu parece quereres encontra-lo somente na paixão, e não sei se isso é justo, se isso é realizável!

Creio que te fias de mais no amor! Ele não construi nada, não resolve nada, compromete tudo e não responde por coisa alguma. É um desequilíbrio das faculdades; é o predomínio momentâneo e efémero da sensação; isto basta para que não possa repousar sobre ele nenhum destino humano.

<< Página Anterior

pág. 221 (Capítulo 41)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro O Mistério da Estrada de Sintra
Páginas: 245
Página atual: 221

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
CARTA AO EDITOR, 1
PRIMEIRA PARTE - EXPOSIÇÃO DO DOUTOR
CAPÍTULO I
5
CAPÍTULO II 10
CAPÍTULO III 14
CAPÍTULO IV 18
CAPÍTULO V 25
CAPÍTULO VI 30
CAPÍTULO VII 37
SEGUNDA PARTE - INTERVENÇÃO DE Z.
CAPÍTULO I
44
TERCEIRA PARTE - DE F… AO MÉDICO
CAPÍTULO I
50
CAPÍTULO II 56
CAPÍTULO III 60
QUARTA PARTE - NARRATIVA DO MASCARADO ALTO
CAPÍTULO I
79
CAPÍTULO II 85
CAPÍTULO III 91
CAPÍTULO IV 94
CAPÍTULO V 102
CAPÍTULO VI 108
CAPÍTULO VII 113
CAPÍTULO VIII 118
CAPÍTULO IX 123
CAPÍTULO X 125
CAPÍTULO XI 130
CAPÍTULO XII 134
CAPÍTULO XIII 138
CAPÍTULO XIV 143
CAPÍTULO XV 149
QUINTA PARTE - AS REVELAÇÕES DE A. M. C.
CAPÍTULO I
154
CAPÍTULO II 163
CAPÍTULO III 165
CAPÍTULO IV 170
CAPÍTULO V 182
CAPÍTULO VI 187
SEXTA PARTE - A CONFISSÃO DELA
CAPÍTULO I
190
CAPÍTULO II 195
CAPÍTULO III 197
CAPÍTULO IV 204
CAPÍTULO V 208
CAPÍTULO VI 213
CAPÍTULO VII 217
CAPÍTULO VIII 221
CAPÍTULO IX 226
CAPÍTULO X 231
SÉTIMA PARTE - CONCLUEM AS REVELAÇÕES DE A. M. C.
CAPÍTULO I
236
CAPÍTULO II 240
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site