Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 24: Deslumbramento

Página 193
A enseada era suficientemente larga na entrada e bastante profunda no centro para que um naviozinho do género dos spéronares lá pudesse entrar e permanecer escondido.

Então, seguindo o fio das induções - esse fio que nas mãos do abade Faria vira guiar o espírito de forma tão engenhosa no dédalo das probabilidades - pensou que o cardeal Spada, interessado em não ser visto, procurara aquele enseada, escondera o seu barquinho, seguira a linha indicada pelos entalhes e, na extremidade dessa linha, escondera o seu tesouro.

Fora esta suposição que levara Dantès junto do rochedo circular.

Havia, porém, uma coisa que preocupava Edmond e lhe baralhava todas as ideias que possuía acerca da dinâmica: como fora possível, sem empregar forças consideráveis, içar o rochedo, que devia pesar cinco ou seis toneladas, da espécie de base onde assentava?

De súbito Dantès teve uma ideia: «Em vez de o fazerem subir, devem tê-lo feito descer«, disse para consigo.

Correu para a parte de cima do rochedo e procurou o sitio da sua primeira base.

De facto, não tardou a descobrir que fora praticada uma ligeira rampa. O rochedo deslizara da sua base até se deter no local onde agora se encontrava. Outro rochedo, do tamanho de uma pedra vulgar, servira-lhe de cunha. Pedras e seixos tinham sido cuidadosamente reajustados para fazer desaparecer qualquer solução de continuidade. Essa espécie de pequena obra de pedreiro fora coberta com terra vegetal onde a erva crescera e o musgo se desenvolvera algumas sementes de murta elentisco tinham-se fixado e o velho rochedo parecia soldado aochão.

Dantès retirou a terra com precaução e reconheceu ou julgou reconhecer todo esse engenhoso artifício.

Atacou então com a enxada aquela muralha intermédia cimentada pelo tempo. Depois de trabalhar durante dez minutos, a muralha cedeu e abriu-se um buraco onde cabia um braço. Dantès cortou a oliveira mais forte que encontrou, desramou-a, introduziu-a no buraco e utilizou-a como alavanca. Mas a rocha era não só muito pesada como, ainda por cima, estava calçada tão solidamente pelo rochedo inferior que nenhuma força humana, mesmo a do próprio Hércules, seria capaz de a deslocar.

Dantès reflectiu então que era precisamente o calço que se impunha atacar. Mas como?

Dantès olhou à sua volta, como fazem os homens embaraçados e o seu olhar pousou num corno de cabrito-montês cheio de pólvora que lhe deixara o seu amigo Jacopo.

Sorriu: a invenção infernal ia ser útil.

<< Página Anterior

pág. 193 (Capítulo 24)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro O Conde de Monte Cristo
Páginas: 1080
Página atual: 193

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Marselha - A Chegada 1
O pai e o filho 8
Os Catalães 14
A Conspiração 23
O banquete de noivado 28
O substituto do Procurador Régio 38
O interrogatório 47
O Castelo de If 57
A festa de noivado 66
Os Cem Dias 89
O número 34 e o número 27 106
Um sábio italiano 120
A cela do abade 128
O Tesouro 143
O terceiro ataque 153
O cemitério do Castelo de If 162
A Ilha de Tiboulen 167
Os contrabandistas 178
A ilha de Monte-Cristo 185
Deslumbramento 192
O desconhecido 200
A Estalagem da Ponte do Gard 206
O relato 217
Os registos das prisões 228
Acasa Morrel 233
O 5 de Stembro 244
Itália - Simbad, o marinheiro 257
Despertar 278
Bandidos Romanos 283
Aparição 309
A Mazzolata 327
O Carnaval de Roma 340
As Catacumbas de São Sebastião 356
O encontro 369
Os convivas 375
O almoço 392
A apresentação 403
O Sr. Bertuccio 415
A Casa de Auteuil 419
A vendetta 425
A chuva de sangue 444
O crédito ilimitado 454
A parelha pigarça 464
Ideologia 474
Haydée 484
A família Morrel 488
Píramo e Tisbe 496
Toxicologia 505
Roberto, o diabo 519
A alta e a baixa 531
O major Cavalcanti 540
Andrea Cavalcanti 548
O campo de Luzerna 557
O Sr. Noirtier de Villefort 566
O testamento 573
O telégrafo 580
Meios de livrar um jardineiro dos ratos-dos-pomares que lhe comem os pêssegos 588
Os fantasmas 596
O jantar 604
O mendigo 613
Cena conjugal 620
Projetos de casamento 629
No gabinete do Procurador Régio 637
Um baile de Verão 647
As informações 653
O baile 661
O pão e o sal 668
A Sra. de Saint-Méran 672
A promessa 682
O jazigo da família Villefort 705
A ata da sessão 713
Os progressos de Cavalcanti filho 723
Haydée 732
Escrevem-nos de Janina 748
A limonada 762
A acusação 771
O quarto do padeiro reformado 776
O assalto 790
A mão de Deus 801
Beauchamp 806
A viagem 812
O julgamento 822
A provocação 834
O insulto 840
A Noite 848
O duelo 855
A mãe e o filho 865
O suicídio 871
Valentine 879
A confissão 885
O pai e a filha 895
O contrato 903
A estrada da Bélgica 912
A estalagem do sino e da garrafa 917
A lei 928
A aparição 937
Locusta 943
Valentine 948
Maximilien 953
A assinatura de Danglars 961
O Cemitério do Père-lachaise 970
A partilha 981
O covil dos leões 994
O juiz 1001
No tribunal 1009
O libelo acusatório 1014
Expiação 1021
A partida 1028
O passado 1039
Peppino 1049
A ementa de Luigi Vampa 1058
O Perdão 1064
O 5 de Outubro 1069
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site