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Capítulo 24: Deslumbramento

Página 194

Com o auxílio da enxada, Dantès abriu entre o rochedo superior e o que lhe servia de base um canal de mina como costumam fazer os sapadores quando querem poupar ao braço do homem uma fadiga demasiado grande, e depois encheu-o de pólvora. Em seguida, desfiou o lenço, impregnou-o de pólvora e fez dele uma mecha.

Largou toco à mecha e afastou-se.

A explosão não tardou: o rochedo superior foi por momentos erguido da sua base pela força incalculável desencadeada e o rochedo interior voou em estilhas. Pela aberturazinha que Dantès praticara inicialmente fugiu toda a espécie de insectos palpitantes e uma cobra enorme, guarda daquele caminho misterioso, rolou sobre as suas volutas azuladas e desapareceu.

Dantès aproximou-se: o rochedo superior, agora sem apoio, inclinava-se para o abismo. O intrépido pesquisador contornou-o, escolheu o sítio mais vacilante, apoiou a alavanca numa das arestas e, como Sísifo, retesou-se com toda a força contra o rochedo.

Este, já abalado pela explosão, cambaleou. Dantès redobrou de esforços. Dir-se-ia um daqueles Titãs que arrancavam montanhas da sua base para guerrearem o senhor dos deuses. Por fim o rochedo cedeu, rolou, saltou, precipitou-se e desapareceu engolido pelo mar.

Deixou a descoberto um espaço circular e à vista uma argola de ferro cravada no meio de uma laje quadrada.

Dantès soltou um grito de alegria e surpresa. Nunca tão magnífico resultado coroara uma primeira tentativa.

Quis continuar, mas as pernas tremiam-lhe tanto, o coração pulsava-lhe com tanta violência e cobria-lhe os olhos uma nuvem tão ardente que foi obrigado a parar.

Mas esse momento de hesitação teve a duração do relâmpago. Edmond meteu a alavanca na argola, levantou-a vigorosamente e a laje soltou-se, abriu-se e descobriu a rampa inclinada de uma espécie de escada que mergulhava na sombra de uma gruta cada vez mais escura.

Outro ter-se-ia precipitado e soltado exclamações de alegria; Dantès deteve-se, pálido e desconfiado.

«Então, sejamos homem!», disse para consigo. «Habituados à adversidade, não nos deixemos abater por uma decepção. De contrário, teríamos sofrido para nada. O coração fraqueja quando, depois de ser dilatado para além das marcas pelo hálito tépido da esperança, reentra e se reencerra na fria realidade. Faria sonhou: o cardeal Spada não escondeu nada nesta gruta, talvez até nunca cá tenha vindo, ou, se veio, César Bórgia, o intrépido aventureiro, o infatigável e sombrio ladrão, veio cá depois dele, descobriu-lhe a pista, seguiu os mesmos sinais que eu segui, levantou esta pedra como eu levantei e, descendo primeiro do que eu, não deixou nada para mim.»

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Capa do livro O Conde de Monte Cristo
Páginas: 1080
Página atual: 194

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Marselha - A Chegada 1
O pai e o filho 8
Os Catalães 14
A Conspiração 23
O banquete de noivado 28
O substituto do Procurador Régio 38
O interrogatório 47
O Castelo de If 57
A festa de noivado 66
Os Cem Dias 89
O número 34 e o número 27 106
Um sábio italiano 120
A cela do abade 128
O Tesouro 143
O terceiro ataque 153
O cemitério do Castelo de If 162
A Ilha de Tiboulen 167
Os contrabandistas 178
A ilha de Monte-Cristo 185
Deslumbramento 192
O desconhecido 200
A Estalagem da Ponte do Gard 206
O relato 217
Os registos das prisões 228
Acasa Morrel 233
O 5 de Stembro 244
Itália - Simbad, o marinheiro 257
Despertar 278
Bandidos Romanos 283
Aparição 309
A Mazzolata 327
O Carnaval de Roma 340
As Catacumbas de São Sebastião 356
O encontro 369
Os convivas 375
O almoço 392
A apresentação 403
O Sr. Bertuccio 415
A Casa de Auteuil 419
A vendetta 425
A chuva de sangue 444
O crédito ilimitado 454
A parelha pigarça 464
Ideologia 474
Haydée 484
A família Morrel 488
Píramo e Tisbe 496
Toxicologia 505
Roberto, o diabo 519
A alta e a baixa 531
O major Cavalcanti 540
Andrea Cavalcanti 548
O campo de Luzerna 557
O Sr. Noirtier de Villefort 566
O testamento 573
O telégrafo 580
Meios de livrar um jardineiro dos ratos-dos-pomares que lhe comem os pêssegos 588
Os fantasmas 596
O jantar 604
O mendigo 613
Cena conjugal 620
Projetos de casamento 629
No gabinete do Procurador Régio 637
Um baile de Verão 647
As informações 653
O baile 661
O pão e o sal 668
A Sra. de Saint-Méran 672
A promessa 682
O jazigo da família Villefort 705
A ata da sessão 713
Os progressos de Cavalcanti filho 723
Haydée 732
Escrevem-nos de Janina 748
A limonada 762
A acusação 771
O quarto do padeiro reformado 776
O assalto 790
A mão de Deus 801
Beauchamp 806
A viagem 812
O julgamento 822
A provocação 834
O insulto 840
A Noite 848
O duelo 855
A mãe e o filho 865
O suicídio 871
Valentine 879
A confissão 885
O pai e a filha 895
O contrato 903
A estrada da Bélgica 912
A estalagem do sino e da garrafa 917
A lei 928
A aparição 937
Locusta 943
Valentine 948
Maximilien 953
A assinatura de Danglars 961
O Cemitério do Père-lachaise 970
A partilha 981
O covil dos leões 994
O juiz 1001
No tribunal 1009
O libelo acusatório 1014
Expiação 1021
A partida 1028
O passado 1039
Peppino 1049
A ementa de Luigi Vampa 1058
O Perdão 1064
O 5 de Outubro 1069
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