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Capítulo 8: O Castelo de If

Página 64
Quanto à sua vida em qualquer pais era coisa que não o preocupava. Em toda a parte os marinheiros eram raros e falava italiano como um toscano e espanhol como um natural de Castela-a- Velha. Viveria livre e feliz com Mercédès e com o pai, pois o pai também iria ter com ele, ao passo que assim estava prisioneiro, encerrado no Castelo de li, naquela prisão intransponível, sem saber o que era feito do pai nem de Mercédès, e tudo isso porque acreditara na palavra de Villefort. Era de enlouquecer. Por isso, Dantès rebolava-se furioso na palha fresca que lhe trouxera o carcereiro.

No dia seguinte, à mesma hora, o carcereiro voltou.

- Então, está hoje mais razoável do que ontem? - perguntou-lhe.

Dantès não respondeu.

- Que diabo, um pouco de coragem! - insistiu o carcereiro. - Deseja alguma coisa que esteja ao meu alcance? Vamos, diga.

- Desejo falar com o governador.

- O quê? Já lhe disse que é impossível - redarguiu o carcereiro com impaciência.

- Impossível porquê?

- Porque pelos regulamentos da prisão não é permitido aos prisioneiros pedir isso.

- Então, que é permitido aqui? - perguntou Dantès.

- Melhor alimentação, pagando, passear e às vezes livros.

- Não preciso de livros, não tenho nenhuma vontade de passear e acho a minha alimentação boa. Portanto, só quero uma coisa: ver o governador.

- Se continua a repetir-me sempre a mesma coisa, não lhe trago mais de comer - ameaçou-o o carcereiro.

- Se não me trouxeres mais de comer - ripostou Dantès -, morrerei de fome e pronto! O tom em que Dantès proferiu estas palavras provou ao carcereiro que o seu prisioneiro se daria por feliz se morresse.

Por isso, como qualquer prisioneiro rendia, bem feitas as contas, cerca de dez soldos por dia ao seu carcereiro, o de Dantès avaliou o prejuízo que lhe acarretaria tal morte e insistiu em tom mais ameno:

- Ouça, o que deseja é impossível. Portanto, não insista, pois não há exemplo de, a pedido de um prisioneiro, o governador ir à sua cela. Mas se o senhor se portar bem permitir-lhe-ão o passeio e é possível que um dia, enquanto passeia, o governador passe... Então, poderá dirigir-lhe a palavra e se ele lhe quiser responder é lá com ele.

- Mas quanto tempo posso esperar assim sem que esse acaso se verifique? - perguntou Dantès.

- Sei lá! - respondeu o carcereiro. - Um mês, três meses, seismeses, talvez um ano...

- É demasiado - redarguiu Dantès. - Quero vê-lo imediatamente.

- Bom, o melhor é não se entregar assim a um único desejo impossível ou antes de quinze dias estará louco.

- Achas? - perguntou Dantès.

- Sim, louco. é sempre assim que começa a loucura; temos cá um exemplo disso.

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Capa do livro O Conde de Monte Cristo
Páginas: 1080
Página atual: 64

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Marselha - A Chegada 1
O pai e o filho 8
Os Catalães 14
A Conspiração 23
O banquete de noivado 28
O substituto do Procurador Régio 38
O interrogatório 47
O Castelo de If 57
A festa de noivado 66
Os Cem Dias 89
O número 34 e o número 27 106
Um sábio italiano 120
A cela do abade 128
O Tesouro 143
O terceiro ataque 153
O cemitério do Castelo de If 162
A Ilha de Tiboulen 167
Os contrabandistas 178
A ilha de Monte-Cristo 185
Deslumbramento 192
O desconhecido 200
A Estalagem da Ponte do Gard 206
O relato 217
Os registos das prisões 228
Acasa Morrel 233
O 5 de Stembro 244
Itália - Simbad, o marinheiro 257
Despertar 278
Bandidos Romanos 283
Aparição 309
A Mazzolata 327
O Carnaval de Roma 340
As Catacumbas de São Sebastião 356
O encontro 369
Os convivas 375
O almoço 392
A apresentação 403
O Sr. Bertuccio 415
A Casa de Auteuil 419
A vendetta 425
A chuva de sangue 444
O crédito ilimitado 454
A parelha pigarça 464
Ideologia 474
Haydée 484
A família Morrel 488
Píramo e Tisbe 496
Toxicologia 505
Roberto, o diabo 519
A alta e a baixa 531
O major Cavalcanti 540
Andrea Cavalcanti 548
O campo de Luzerna 557
O Sr. Noirtier de Villefort 566
O testamento 573
O telégrafo 580
Meios de livrar um jardineiro dos ratos-dos-pomares que lhe comem os pêssegos 588
Os fantasmas 596
O jantar 604
O mendigo 613
Cena conjugal 620
Projetos de casamento 629
No gabinete do Procurador Régio 637
Um baile de Verão 647
As informações 653
O baile 661
O pão e o sal 668
A Sra. de Saint-Méran 672
A promessa 682
O jazigo da família Villefort 705
A ata da sessão 713
Os progressos de Cavalcanti filho 723
Haydée 732
Escrevem-nos de Janina 748
A limonada 762
A acusação 771
O quarto do padeiro reformado 776
O assalto 790
A mão de Deus 801
Beauchamp 806
A viagem 812
O julgamento 822
A provocação 834
O insulto 840
A Noite 848
O duelo 855
A mãe e o filho 865
O suicídio 871
Valentine 879
A confissão 885
O pai e a filha 895
O contrato 903
A estrada da Bélgica 912
A estalagem do sino e da garrafa 917
A lei 928
A aparição 937
Locusta 943
Valentine 948
Maximilien 953
A assinatura de Danglars 961
O Cemitério do Père-lachaise 970
A partilha 981
O covil dos leões 994
O juiz 1001
No tribunal 1009
O libelo acusatório 1014
Expiação 1021
A partida 1028
O passado 1039
Peppino 1049
A ementa de Luigi Vampa 1058
O Perdão 1064
O 5 de Outubro 1069
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