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Capítulo 2: II - 1.600$000 Réis!

Página 5
II - 1.600$000 Réis!

Estava Ângela na janela da sua casa na “rua do Bispo”, quando o marido surdiu da esquina da “Praça nova”. Reconheceu-o logo pela corpulência redonda. Retraiu-se da janela, e disse consigo, assustada:

- Há novidade! O coração bem mo dizia... Meu marido nunca vem a casa a esta hora! E Vitorina sem chegar!... Que seria!...

O resfolegar de Fialho, escada acima, cobria o estrondo dos pés nos degraus que rangiam.

- Ângela! Ângela! - clamava ele.

- Que é?

- Dou-te parte que estás roubada! - bradou o esferóide.

- Roubada! - gaguejou a esposa.

- Sim! roubada, tu! Aqui tens o teu bracelete sem os brilhantes. Conhece-lo? Vê lá que ladra saiu a tua criada favorita! Um conto seiscentos e cinquenta mil réis de pedras... foi-se! E tu sem dares tino disto, mulher! Viste?

A pulseira tremia nas mãos convulsivas de Ângela.

E o marido prosseguia:

- Aqui tens! Tirou-lhe as pedras boas, e tinha a pulseira nos Mourões para lhas encravarem falsas. Lá está na administração a ladra, e de lá vai p’ra a cadeia, onde há de morrer; mas o meu conto, seiscentos e cinquenta mil réis, esse é que não torna.

Ângela chorava, soluçante.

- Não chores, menina! - acudiu o Sr. Barrosas. - Olha que isto não abala a nossa fortuna...

- Ó meu Deus! - balbuciou a senhora, com as mãos nas faces.

- Não te aflijas que eu compro-te outra pulseira, mulher... Deixa-me cá por minha conta a criada; que essa, ou eu não hei de ser Hermenegildo, ou ela há de morrer na enxovia.

- Que infortúnio, Jesus, que infortúnio! - bradou ela desafogando-se a custo dos soluços.

- E ela a dar-lhe! Tem ânimo, Ângela! Já te disse que te dou outra pulseira. Sou muito rico, graças a Deus! Da ladra da moça eu te vingarei!

Ângela cobrou alento, ergueu a face, enxugou as lágrimas, e disse serenamente:

- Não prendas a criada que ela está inocente!

- Quê?!

- Vitorina não roubou os brilhantes.

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Capa do livro Os Brilhantes do Brasileiro
Páginas: 174
Página atual: 5

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Aflições sudoríferas 1
II - 1.600$000 Réis! 5
III - Retratos do natural 12
IV - Tribunal de honra 15
V - Considerações plásticas 20
VI - Amigos do seu amigo 26
VII - Revelações cómicas 32
VIII - Revelações tristes 36
IX - Amores fatais 41
X - O Poeta 48
XI - Sonhos e esperanças 55
XII - A Fuga 59
XIII – Desamparo 63
XIV - Via dolorosa 68
XV - Meio milhão! 76
XVI - Por causa do Fígaro 85
XVII - História dos brilhantes 90
XVIII - A Infamada 100
XIX - Amor-próprio 106
XX - O Doente e o doutor 110
XXI - Morre Hermenegildo 119
XXII - Felicidade suprema 123
XXIII - Os homens honestos 132
XXIV - A Opinião pública 135
XXV - O Cego 141
XXVI - A Providência 145
XXVII - Vem rompendo a luz 149
XXVIII - Confidências do cego 154
XXIX - Luz! 162
XXX – Finalmente 168
Conclusão 172
Epílogo 174
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