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Capítulo 9: Capítulo 9

Página 61

Aquilo que dissera a Mrs. Grose era a mais pura das verdades. Havia em toda aquela história tantos pontos obscuros para os quais não conseguia encontrar explicação, que, quando voltamos a reunir-nos, ambas concluímos ser nosso dever resistir às especulações fantasiosas que não paravam de nos inquietar. Era forçoso manter o sangue-frio, mesmo sendo difícil, tendo em conta a experiência prodigiosa que estávamos a viver. Nessa mesma noite, quando todos os demais habitantes da casa dormiam a sono solto, reunimo-nos no meu quarto para conversar. Acabámos por passar em revista tudo o que me sucedera, já que esta era a única forma de termos a certeza de que eu vira mesmo aquilo que reclamava ter visto. Descobri que a melhor maneira de a levar a acreditar em mim era perguntar-lhe como é que eu podia ter «inventado» as descrições das pessoas que me haviam visitado com uma exactidão tal, que ela mesma de imediato as reconhecera e identificara pelos respectivos nomes. Como seria de esperar — quem poderia culpá-la por isso —, ela queria acima de tudo esquecer o assunto. Quanto a mim, apressei-me a garantir-lhe que o meu único interesse em tudo aquilo se prendia com a vontade de arranjar uma forma de pormos fim a semelhante situação. Com toda a cordialidade, expliquei-lhe que, com o tempo e a força do hábito — já que tudo apontava pata que a situação viesse a repetir-se muitas vezes — acabaria por habituar-me ao perigo, e expliquei-lhe que a minha exposição pessoal tinha passado para segundo plano. De momento, aquilo que me atormentava prendia-se com uma nova suspeita, embora me tivesse acalmado um pouco no decorrer das últimas horas.

Depois da crise de Choro em que culminara a nossa primeira conversa, como seria de esperar, regressei para junto dos meus pupilos, associando a cura para todas as minhas preocupações àquela sensação de encanto que deles se elevava e que já antes reconhecera funcionar como uma espécie de milagre que, até ao momento, nunca me deixara mal. Por outras palavras, mergulhará na companhia de Flora — para vir a perceber que ela era capaz de pôr a sua pequena mão consciente no preciso local onde mais doía.

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Capa do livro Calafrio
Páginas: 164
Página atual: 61

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 10
Capítulo 3 16
Capítulo 4 24
Capítulo 5 31
Capítulo 6 38
Capítulo 7 45
Capítulo 8 54
Capítulo 9 61
Capítulo 10 68
Capítulo 11 74
Capítulo 12 80
Capítulo 13 85
Capítulo 14 90
Capítulo 15 96
Capítulo 16 102
Capítulo 17 106
Capítulo 18 111
Capítulo 19 118
Capítulo 20 123
Capítulo 21 128
Capítulo 22 134
Capítulo 23 145
Capítulo 24 150
Capítulo 25 156
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