Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 12: Capítulo 12

Página 80

Só no final do dia seguinte consegui falar com Mrs. Grose, já que a vigilância apertada a que sujeitava os meus pupilos dificultava um qualquer encontro em privado. Para mais, havíamos ambas concordado que o melhor seria agir com discrição, de forma que as nossas conversas não levantassem suspeitas—quer entre os criados, quer na mente dos garotos— de que ambas tínhamos algum segredo ou que andávamos a conspirar pelos cantos. Pela parte que me tocava, tinha a máxima confiança naquela mulher. Seria difícil encontrar no seu rosto fresco e calmo qualquer sinal capaz de revelar aos outros as terríveis confidências que lhe fazia. Estava certa de que ela acreditava em mim: se assim não fosse, não sei o que me teria acontecido, pois não poderia suportar tudo aquilo sozinha. Porém, aquela mulher era uma espécie de monumento à felicidade de se possuir uma mente pouco imaginativa, e se ela não via nos dois irmãos senão a sua beleza e simpatia, a felicidade e a inteligência por eles demonstrada, era-lhe impossível comunicar directamente com as fontes da minha agitação. Caso os garotos apresentassem sinais evidentes de cansaço ou mal-estar, então por certo ela teria envidado esforços no sentido de averiguar o que se passava. Mas, tal como as coisas se apresentavam, bastava vê-la olhar para eles com os braços cruzados e aquele ar de serenidade estampado no rosto para compreender como ela estava convencida que, mesmo que uma qualquer força desmembrasse aqueles dois, os seus pedacinhos continuariam a ser de grande valor. Aos poucos, na mente daquela mulher boa e simples, os vãos da imaginação foram dando lugar a uma calma segurança, e, à medida que o tempo passava sem que nada de estranho ocorresse, eu percebi que ela julgava as nossas crianças perfeitamente capazes de cuidar de si mesmas, e que a sua instrutora é que necessitava das suas atenções. Pelo que me dizia respeito, aquela forma de encarar as coisas revelava-se bastante positiva: eu estava certa de que o meu rosto podia ocultar aos olhos dos outros a preocupação que me dominava, mas teria sido um cargo adicional ter de preocupar-me com o dela.

<< Página Anterior

pág. 80 (Capítulo 12)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro Calafrio
Páginas: 164
Página atual: 80

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 10
Capítulo 3 16
Capítulo 4 24
Capítulo 5 31
Capítulo 6 38
Capítulo 7 45
Capítulo 8 54
Capítulo 9 61
Capítulo 10 68
Capítulo 11 74
Capítulo 12 80
Capítulo 13 85
Capítulo 14 90
Capítulo 15 96
Capítulo 16 102
Capítulo 17 106
Capítulo 18 111
Capítulo 19 118
Capítulo 20 123
Capítulo 21 128
Capítulo 22 134
Capítulo 23 145
Capítulo 24 150
Capítulo 25 156
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site