O Capitão Nemo levantou-se e eu o segui.
Levou-me a visitar a sua fabulosa biblioteca. Em número de volumes era bem superior à que eu tinha em Paris e talvez o fosse também no conteúdo dos seus livros. Mostrou-me demoradamente sua coleção da fauna marinha, em uma enorme sala construída especialmente para esse fim. Era estupenda. Nenhum museu da Europa tinha uma coleção de espécimes marinhos igual à dele.
A certa altura de nosso passeio, eu disse a ele:
- Mas se esgoto a minha admiração por tudo de extraordinário que tem me mostrado, Capitão Nemo, que me restará para o navio que encerra todas essas maravilhas? Não posso penetrar nos segredos que lhe pertencem, mas confesso que este “Nautilus”, a força motriz que tem dentro de si, as máquinas que lhe permitem navegar, o agente poderoso que o anima, tudo isso excita muito mais a minha curiosidade. Vejo suspensos nessas paredes por onde temos passado, instrumentos cuja utilização me é desconhecida. Posso perguntar-lhe para que...
- Sr. Aronnax - interrompeu-me ele. - Disse-lhe que seria livre a bordo do meu navio e, por consequência, nenhuma parte do “Nautilus” lhe está vedada. Pode visitar o navio pormenorizadamente, e eu terei muito gosto em ser o seu guia.
- Não sei como lhe agradecer, mas não quero abusar de sua paciência. Gostava apenas de saber para que servem esses instrumentos.
- Tenho outros iguais em meu quarto e é lá que terei muito gosto em lhe explicar a sua utilização. Mas antes venha visitar o camarote que lhe está destinado.
Conduziu-me para a proa, onde encontrei não um camarote mas um elegante quarto com uma cama, uma cômoda e outros móveis.