Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 24: CAPÍTULO XII

Página 136

Ritmel queria levantar Carmen, falar-lhe. Mas ela estava prostrada, com o rosto escondido na beira de leito, soluçando; e apenas a espaços dizia:

- Perdoe-me, perdoe-me!

Ritmel por fim, com uma ternura insistente, ergueu-a, tomou-a nos braços, disse-lhe as coisas mais elevadas e mais doces; e com uma meiguice e um encanto infinito beijou-a nos olhos.

A pobre criatura corou, eu senti renascerem-se lágrimas. Querido e pobre Ritmel! como ele teve naquele momento a ternura ideal, e o divino encanto do perdão!

Ela com uma simplicidade, em que já se sentia a imensa força interior que lhe dava a fé, falou a Ritmel de Deus, do convento em que queria entrar, da ordem que preferia, com palavras naturais e tocantes, que nos enchiam de mágoa. Por fim beijou a mão do seu amante.

- Adeus, disse ela. Para sempre! Rezarei por si.

E ia sair, devagar, sucumbida, quando de repente, à porta do quarto, parou, voltou-se, olhou-o longamente; os olhos encheram-se-lhe de uma luz sombria e terrivelmente apaixonada; o peito arquejou-lhe; empalideceu, e com os braços abertos, os lábios cheios de beijos, num ímpeto da sua antiga natureza, correu para se atirar aos braços dele com o frenesi das velhas paixões. Mas quando tocou no leito, estacou, caiu de joelhos, e num grande silêncio e num grande recolhimento beijou-lhe castamente os dedos! Depois tomou-me o braço, e saímos.

Ao outro dia chamou as criadas e repartiu por elas todos os seus vestidos, rendas e toiletes. Deu as suas joias a um padre inglês para as distribuir pelos pobres. Frascos, bijuterias, essências, tudo destruiu. Confessou-se, esteve todo o dia rezando na igreja de S. João e preparou-se para partir. Todos os que a conheciam choravam.

Á noite, quando fazia a sua pequena mala, mandou-me chamar, fechou a porta do quarto e entregou-me o seu testamento, para eu o deixar depositado em Malta, de sorte que D.

<< Página Anterior

pág. 136 (Capítulo 24)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro O Mistério da Estrada de Sintra
Páginas: 245
Página atual: 136

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
CARTA AO EDITOR, 1
PRIMEIRA PARTE - EXPOSIÇÃO DO DOUTOR
CAPÍTULO I
5
CAPÍTULO II 10
CAPÍTULO III 14
CAPÍTULO IV 18
CAPÍTULO V 25
CAPÍTULO VI 30
CAPÍTULO VII 37
SEGUNDA PARTE - INTERVENÇÃO DE Z.
CAPÍTULO I
44
TERCEIRA PARTE - DE F… AO MÉDICO
CAPÍTULO I
50
CAPÍTULO II 56
CAPÍTULO III 60
QUARTA PARTE - NARRATIVA DO MASCARADO ALTO
CAPÍTULO I
79
CAPÍTULO II 85
CAPÍTULO III 91
CAPÍTULO IV 94
CAPÍTULO V 102
CAPÍTULO VI 108
CAPÍTULO VII 113
CAPÍTULO VIII 118
CAPÍTULO IX 123
CAPÍTULO X 125
CAPÍTULO XI 130
CAPÍTULO XII 134
CAPÍTULO XIII 138
CAPÍTULO XIV 143
CAPÍTULO XV 149
QUINTA PARTE - AS REVELAÇÕES DE A. M. C.
CAPÍTULO I
154
CAPÍTULO II 163
CAPÍTULO III 165
CAPÍTULO IV 170
CAPÍTULO V 182
CAPÍTULO VI 187
SEXTA PARTE - A CONFISSÃO DELA
CAPÍTULO I
190
CAPÍTULO II 195
CAPÍTULO III 197
CAPÍTULO IV 204
CAPÍTULO V 208
CAPÍTULO VI 213
CAPÍTULO VII 217
CAPÍTULO VIII 221
CAPÍTULO IX 226
CAPÍTULO X 231
SÉTIMA PARTE - CONCLUEM AS REVELAÇÕES DE A. M. C.
CAPÍTULO I
236
CAPÍTULO II 240
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site