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Capítulo 26: XXVI - Ineficaz mediação de Jenny

Página 298
XXVI - Ineficaz mediação de Jenny

Jenny foi encontrar o irmão aparentemente entretido a torcer as longas orelhas do terra-nova; mas não era necessário ser muito versado em fisionomia, para perceber que lhe não estavam naquilo as atenções.

– Que foi isto, Charles? – disse Jenny, com a voz ainda turvada de comoção. – Por amor de Deus, isto que é?

Carlos levantou a cabeça e respondeu, fingindo sorrir:

– Não te assustes, Jenny. Eu e o pai representámos hoje uma peça do antigo repertório, do repertório da infância. Ele lembrou-se de me ralhar, como a uma criança; eu fiz como as crianças costumam, amuei. Ora, aos dez e doze anos, cenas destas tinham para mim uma feição de tragédia; aos vinte, predomina nelas o carácter de perfeita comédia…

– Mas… o que se passou entre vós que desse lugar a isto?

– Nada ou quase nada. Interpretaram mal uma acção minha. Eu podia, mas não devia, explicá-la; afiancei porém, sob minha palavra de honra, que não era exacta a interpretação que lhe davam; e meu pai, que acabava de se apregoar respeitador e mantenedor da boa fama do nome Whitestone, foi o primeiro a manchá-lo, duvidando de uma palavra de honra firmada com ele.

– Jesus, Charles!… – Que hás-de sempre ter dessas susceptibilidades com uma pessoa de quem não deves suspeitar que possa nunca fazer do teu carácter conceito algum desfavorável!

– Mas se mo assegurou!

– Pobre pai! E imaginas que era friamente que ele te repreendia? Eu não sei ainda o motivo que deu origem a essa cena, que disseste, mas…

– Um motivo insignificante. Esta manhã precisei de dinheiro; era urgente a necessidade e a soma avultada. Não gosto de recorrer a outra pessoa, quando posso recorrer a mim. Demais, estava só em casa. Comigo só tinha um objecto, que prontamente me podia valer a quantia de que precisava.

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Capa do livro Uma Família Inglesa
Páginas: 432
Página atual: 298

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Espécie de prólogo, em que se faz uma apresentação ao leitor 1
II - Mais duas apresentações, e acaba o prólogo 11
III - Na Águia de Ouro 21
IV - Um anjo familiar 42
V - Uma manhã de Mr. Richard 53
VI - Ao despertar de Carlos 61
VII - Revista da noite 71
VIII - Na praça 81
IX - No escritório 94
X – Jenny 110
XI – Cecília 119
XII - Outro depoimento 128
XIII - Vida portuense 139
XIV - Iminências de crise 159
XV - Vida inglesa 168
XVI - No teatro 182
XVII - Contas de Carlos com a consciência 197
XVIII - Contas de Jenny com a consciência de Carlos 212
XIX - Agravam-se os sintomas 222
XX - Manuel Quintino procura distracções 236
XXI - O que vale uma resolução 247
XXII - Educação comercial 262
XXIII - Diplomacia do coração 277
XXIV - Em que a senhora Antónia procura encher-se de razão 283
XXV - Tempestade doméstica 290
XXVI - Ineficaz mediação de Jenny 298
XXVII - O motivo mais forte 305
XXVIII - Forma-se a tempestade em outro ponto 312
XXIX - Os amigos de Carlos 326
XXX - Peso que pode ter uma leviandade 344
XXXI - O que se passava em casa de Manuel Quintino 353
XXXII - Os convivas de Mr. Richard 362
XXXIII - Em honra de Jenny 371
XXXIV - Manuel Quintino alucinado 381
XXXVI - A defesa da irmã 397
XXXVII - Como se educa a opinião pública 406
XXXVIII - Justificação de Carlos 412
XXXIX - Coroa-se a obra 422
Conclusão 432
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