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Capítulo 31: XXXI - O que se passava em casa de Manuel Quintino

Página 353
XXXI - O que se passava em casa de Manuel Quintino

Voltando ao princípio da manhã deste dia, vejamos o que se passara em casa de Manuel Quintino, que assim é indispensável à inteligência dos ulteriores sucessos que temos de narrar.

Ao acordar naquela manhã, Cecília não tinha ainda resolvido aceitar o convite de Jenny. Prolongara-se até então a luta de resoluções, entre as quais vacilava.

Era dia santo, como já dissemos. Manuel Quintino não tivera portanto de sair cedo para o escritório. Depois de proceder a uma toilette mais escrupulosa do que a dos dias de trabalho, envolveu-se no clássico capote de cabeção, traste rico em memórias da vida passada, e desceu ao quintal, a fazer horas para a missa. Aí, passeando por baixo das ramadas, que de todos os lados orlavam, e que já naquela época do ano se revestiam de folhas viçosas, aproveitava Manuel Quintino os raios de um desanuviado sol de Primavera, cedendo pouca atenção às flores dos alegretes laterais, e ao gorjeio dos pássaros, que por sobre a cabeça lhe andavam festejando a manhã.

O pensamento de Manuel Quintino vagueava longe dali.

Efectivamente todo o sombrio cortejo de ideias tristes, que a melancolia de Cecília, havia pouco tempo, lhe suscitara, voltava a assenhorear-se de novo dele, e com a passada persistência.

– Também esta vida que ela passa é de tão poucas distracções! A falar a verdade! Aos dezoito anos! Sim… É preciso espairecer. Em vez de estar aqui a perder tempo, o que eu devo é ir por aí fora com ela.

Pensando assim, foi caminhando para casa.

– Cecília – disse, ao encontrar a filha –, a manhã está tão bonita! Vamos nós por aí fora?

– Aonde?

– Por aí. Damos uma volta, antes da missa. Nós que fazemos aqui metidos?

Cecília, julgando satisfazer os desejos do pai, condescendeu.

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Capa do livro Uma Família Inglesa
Páginas: 432
Página atual: 353

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Espécie de prólogo, em que se faz uma apresentação ao leitor 1
II - Mais duas apresentações, e acaba o prólogo 11
III - Na Águia de Ouro 21
IV - Um anjo familiar 42
V - Uma manhã de Mr. Richard 53
VI - Ao despertar de Carlos 61
VII - Revista da noite 71
VIII - Na praça 81
IX - No escritório 94
X – Jenny 110
XI – Cecília 119
XII - Outro depoimento 128
XIII - Vida portuense 139
XIV - Iminências de crise 159
XV - Vida inglesa 168
XVI - No teatro 182
XVII - Contas de Carlos com a consciência 197
XVIII - Contas de Jenny com a consciência de Carlos 212
XIX - Agravam-se os sintomas 222
XX - Manuel Quintino procura distracções 236
XXI - O que vale uma resolução 247
XXII - Educação comercial 262
XXIII - Diplomacia do coração 277
XXIV - Em que a senhora Antónia procura encher-se de razão 283
XXV - Tempestade doméstica 290
XXVI - Ineficaz mediação de Jenny 298
XXVII - O motivo mais forte 305
XXVIII - Forma-se a tempestade em outro ponto 312
XXIX - Os amigos de Carlos 326
XXX - Peso que pode ter uma leviandade 344
XXXI - O que se passava em casa de Manuel Quintino 353
XXXII - Os convivas de Mr. Richard 362
XXXIII - Em honra de Jenny 371
XXXIV - Manuel Quintino alucinado 381
XXXVI - A defesa da irmã 397
XXXVII - Como se educa a opinião pública 406
XXXVIII - Justificação de Carlos 412
XXXIX - Coroa-se a obra 422
Conclusão 432
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