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Capítulo 22: XXII - Educação comercial

Página 262
XXII - Educação comercial

Manuel Quintino foi constrangido, pela força das circunstâncias, a conservar-se de cama, nos dias seguintes a este.

Impusera-lho o facultativo que lhe assistia; pedira-lho Cecília, e exigira-lho Carlos e o próprio Mr. Richard Whitestone, que viera, pela manhã, visitar o guarda-livros.

Esta necessidade de abstenção de exercício era o que mais afligia Manuel Quintino. Figurava-se-lhe que os negócios comerciais caminhariam desordenados sem a sua cooperação; mortificava-o a ideia do caos em que o escritório cairia, se por muito tempo a doença se prolongasse.

– Valha-me Deus! Como há-de ser isto agora? – dizia ele, deveras aterrado com a ideia, quando na presença de Cecília e de Carlos, que demorara a sua visita mais do que Mr. Richard, tomava a custo um caldo adietado, único alimento que lhe permitia a arte médica.

– Que canseira lhe está a dar essa ninharia! – disse Carlos, procurando desvanecer aqueles cuidados. – Sossegue; a sua doença será de pouco tempo; a casa Whitestone não se perde com essa pressa. Lá estarão os outros caixeiros.

– Ora os outros, sim!… Os outros!… É bom de dizer…

– Mas então, meu pai, que se lhe há-de fazer? Quando Deus lhe der saúde, trabalhará dobrado. Agora veja mas é se toma esse resto de caldo…

– Nem quero que me lembre! Em que desordem não irei encontrar tudo por lá! E depois, a escrituração atrasada!… Ó filha, bastará de caldo por agora.

– Só duas colheres mais.

– E por que não há-de o Paulo fazer a escrituração? – insistiu Carlos.

Manuel Quintino fitou nele um olhar de espanto.

A ciência da escrituração era para o velho guarda-livros de tal dificuldade e transcendência que a pergunta de Carlos soara-lhe aos ouvidos e irritara-lhe os nervos, como uma imperdoável heresia.

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Capa do livro Uma Família Inglesa
Páginas: 432
Página atual: 262

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Espécie de prólogo, em que se faz uma apresentação ao leitor 1
II - Mais duas apresentações, e acaba o prólogo 11
III - Na Águia de Ouro 21
IV - Um anjo familiar 42
V - Uma manhã de Mr. Richard 53
VI - Ao despertar de Carlos 61
VII - Revista da noite 71
VIII - Na praça 81
IX - No escritório 94
X – Jenny 110
XI – Cecília 119
XII - Outro depoimento 128
XIII - Vida portuense 139
XIV - Iminências de crise 159
XV - Vida inglesa 168
XVI - No teatro 182
XVII - Contas de Carlos com a consciência 197
XVIII - Contas de Jenny com a consciência de Carlos 212
XIX - Agravam-se os sintomas 222
XX - Manuel Quintino procura distracções 236
XXI - O que vale uma resolução 247
XXII - Educação comercial 262
XXIII - Diplomacia do coração 277
XXIV - Em que a senhora Antónia procura encher-se de razão 283
XXV - Tempestade doméstica 290
XXVI - Ineficaz mediação de Jenny 298
XXVII - O motivo mais forte 305
XXVIII - Forma-se a tempestade em outro ponto 312
XXIX - Os amigos de Carlos 326
XXX - Peso que pode ter uma leviandade 344
XXXI - O que se passava em casa de Manuel Quintino 353
XXXII - Os convivas de Mr. Richard 362
XXXIII - Em honra de Jenny 371
XXXIV - Manuel Quintino alucinado 381
XXXVI - A defesa da irmã 397
XXXVII - Como se educa a opinião pública 406
XXXVIII - Justificação de Carlos 412
XXXIX - Coroa-se a obra 422
Conclusão 432
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