Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 10: X – Jenny

Página 110
X – Jenny

Jenny entrou no seu quarto, logo depois da partida de Carlos para o escritório. Era um delicioso quarto, cor de violeta, onde se divisava o bom gosto e a elegância desafectada, maravilhosamente unidos a um não sei quê de austeridade inglesa, não em tal grau que destruísse a feição leve e graciosa que compete aos aposentos de uma mulher de vinte anos, mas bastante para os despojar de certo excesso de ornamentos, que em extremo agradam a alguns espíritos, mais que femininos, pueris.

Não lhe era cabida a descrição que um romancista francês nos faz do quarto de uma das suas heroínas, pintando-nos tão abundantes as tapeçarias e alcatifas que, em todo ele, se não mediria uma polegada de madeira a descoberto, e tão flácidas e macias, que nessa gaiola perfumada poderia qualquer avezita voar, de canto a canto, sem receio de magoar as asas.

Este requinte de mole elegância parisiense mal se quadrava com a índole séria e com a actividade natural de Jenny Whitestone. Há em toda a inglesa um pouco de puritana; no carácter das mais ternas conserva-se sempre alguma coisa que, debaixo do ponto de vista moral, corresponde àquele esbelto e inflexível de forma que lhes é próprio, tão diverso do requebrar indolente e quase mórbido das mulheres meridionais.

Não se encontrava no quarto de Jenny um único objecto dessa mobília, quase de boneca, dos boudoirs da moda, onde predominam o papier maché, o pau-rosa, a madeira branca e dourada; e os primores de uma arte que, à força de querer apurar em delicadeza os seus produtos, os faz às vezes acanhados e ridículos.

A elegância, ali, não abdicava certa dignidade, à qual hoje é raro combinar-se. Nenhum dos costumados artifícios da indústria moderna; tudo era o que parecia ser; o mármore, mármore; o bronze, bronze; o damasco, damasco; as rendas, rendas verdadeiras.

<< Página Anterior

pág. 110 (Capítulo 10)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro Uma Família Inglesa
Páginas: 432
Página atual: 110

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Espécie de prólogo, em que se faz uma apresentação ao leitor 1
II - Mais duas apresentações, e acaba o prólogo 11
III - Na Águia de Ouro 21
IV - Um anjo familiar 42
V - Uma manhã de Mr. Richard 53
VI - Ao despertar de Carlos 61
VII - Revista da noite 71
VIII - Na praça 81
IX - No escritório 94
X – Jenny 110
XI – Cecília 119
XII - Outro depoimento 128
XIII - Vida portuense 139
XIV - Iminências de crise 159
XV - Vida inglesa 168
XVI - No teatro 182
XVII - Contas de Carlos com a consciência 197
XVIII - Contas de Jenny com a consciência de Carlos 212
XIX - Agravam-se os sintomas 222
XX - Manuel Quintino procura distracções 236
XXI - O que vale uma resolução 247
XXII - Educação comercial 262
XXIII - Diplomacia do coração 277
XXIV - Em que a senhora Antónia procura encher-se de razão 283
XXV - Tempestade doméstica 290
XXVI - Ineficaz mediação de Jenny 298
XXVII - O motivo mais forte 305
XXVIII - Forma-se a tempestade em outro ponto 312
XXIX - Os amigos de Carlos 326
XXX - Peso que pode ter uma leviandade 344
XXXI - O que se passava em casa de Manuel Quintino 353
XXXII - Os convivas de Mr. Richard 362
XXXIII - Em honra de Jenny 371
XXXIV - Manuel Quintino alucinado 381
XXXVI - A defesa da irmã 397
XXXVII - Como se educa a opinião pública 406
XXXVIII - Justificação de Carlos 412
XXXIX - Coroa-se a obra 422
Conclusão 432
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site